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  • Da redação

Garoto precisa de doador urgente para transplante de fígado. Família faz campanha


Guilherme e grupo de orações por ele: necessidade urgente de transplante de fígado

A estudante do curso de Direito do Univem e estagiária de escrivã na Polícia Civil, Gabriele Mengato, pediu licença para os professores, na noite de ontem (15) e fez um emocionante relato aos alunos da classe, pedindo ajuda para seu irmão, um garoto de 13 anos, que tem problemas de cirrose no fígado desde que nasceu e este mês, teve falência total do órgão.

Pedindo ajuda para busca de doadores, ela relatou que o menino está em '13° na fila de pessoas que aguardam transplantes e, como no Brasil há poucos doadores e espera deve durar vários anos, "ele não tem todo esse tempo".

O garoto tem sangue tipo "O". Doadores devem ter menos de 50 anos, não ter vícios como fumo e álcool, atualmente. "Deus tenha misericórdia de nós e nos mande um anjo para salvá-lo. Estamos desesperados", escreveu a universitária, em uma aviso colado em espaços do Univem.

Gabriele disse ao JP que a família, que reside no Bairro Fragata, se mudou de Campo Grande (MS) para Marília há cerca de três anos, por recomendação médica, para ficarem mais próximos de São Paulo. Eles tem familiares na região. O pai é sócio do Restaurante Filé na Tábua, próximo à Famema.

O garoto faz acompanhamento médico com a drª Gilda Porta e o dr. Paulo Chapchap, diretor do Hospital Sírio- Libanês, em São Paulo.A drª Gilda é especialista e referência mundial em transplantes de fígado. Em Marília, o médico pediatra, professor dr. Francisco de Agostinho Júnior tem acompanhando o caso e apoiado Guilherme e seus familiares. Dr. Agostinho é fundador e diretor do Projeto Amor de Criança, que trata de cerca de 120 crianças com paralisia cerebral

"Meu irmão estava bem, mas no último mês ele teve a falência do fígado e o caso ficou mais complicado. Precisamos achar um doador com urgência", disse Gabriele. Ela pretende percorrer outras instituições de ensino para divulgar a campanha em busca de doador compatível para seu irmão. O menino atualmente está morando com a avó, em Getulina, para ficar mais isolado. "Todas as semanas, amiguinhos de escola dele e da minha avó fazem grupo de oração para o Guilherme", disse a irmã.

Quem puder ajudar, ligue para (14) 9 9871-2930 (Gabriele) ou (14) 9 9771-8686 (Sueli)

Aviso colado em espaços do Univem na noite de ontem

O DRAMA DE QUEM AGUARDA UM TRANSPLANTE DE FÍGADO NO BRASIL

A carência de doadores de fígado no Brasil é preocupante. O alerta é de médicos especialistas e dos próprios transplantados. Eles apontam que o país conta com número muito abaixo do ideal para suprir a demanda de transplantes de doadores não vivos em adultos. De acordo com o membro do corpo clínico do Serviço de Transplante de Órgãos e Cirurgia de Fígado do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Wellington Andraus, apenas 35% dos transplantes de fígado necessários são feitos no país. “Uma estimativa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos aponta que seriam necessários 25 transplantes por milhão de habitantes por ano no Brasil e conseguimos apenas 8 transplantes por 1 milhão de habitantes por ano. Apenas um terço dos transplantes são efetuados, os outros, 65% das pessoas que precisam deste procedimento morrem na fila”, lamentou ele. Segundo o médico a situação é ainda mais grave em São Paulo, onde há maior fila de pacientes na lista de espera do país, em números relativos e absolutos. Ele ressaltou que a escala Meld-Modelo para Doença Hepática Terminal - que pontua a gravidade da doença hepática crônica, em pacientes hospitalizados em São Paulo está entre 32 e 33 [83% de mortalidade]. “Em países como os Estados Unidos e os da Europa essa escala está em torno de 20 [76% de mortalidade]. O problema prosseguiu o cirurgião é multifatorial, como carência de serviços de saúde em regiões pobres do país, precariedade do sistema de saúde em alguns hospitais, entre outros. Existem duas modalidades possíveis para transplante hepático: doadores falecidos por morte encefálica e intervivos (família ou aparentados compatíveis que doam para o paciente com fígado doente). Andraus explicou que o ideal é que não seja necessária a doação de intervivos, para evitar risco cirúrgico para as pessoas saudáveis. “A estimativa é que ocorrem 50 a 60 mortes encefálicas por milhão de habitantes por ano. Se conseguíssemos 25, já estaríamos atendendo às nossas necessidades”, comentou ele ao admitir que praticamente nenhum país tem autossuficiência em doadores. “Só que aqui essa relação está muito pior do que a de outros países, inclusive, da América do Sul”, explicou. Ele reconhece o esforço do Ministério da Saúde em descentralizar a captação dos órgãos e treinar cirurgião, mas acredita que um dos gargalos é a falta de campanhas dentro da própria área de saúde para que os médicos e enfermeiros notifiquem potenciais doadores. A colaboradora da Associação Brasileira dos Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas (Transpática) e coordenadora de casa de apoio de transplante em São Paulo, Andrea Teixeira Soares acredita que é possível melhorar mais a captação dos órgãos de doadores com morte encefálica. “A maioria dos hospitais tem pouca estrutura. Muitas vezes, falta leito para manter o doador que já está em morte cerebral, falta incentivar as equipes a notificarem, pois muitos doadores morrem sem serem notificados”, comentou ela que é transplantada há 14 anos e precisou esperar dois anos na fila por um novo fígado. “A espera é muito angustiante. Assim como eu, havia várias pessoas no ambulatório à espera de transplante. Quando um deles falecia era um baque para todos os outros, a gente se perguntava se conseguiria chegar a nossa vez. É uma fase de bastante insegurança. Mas não temos outra alternativa senão aguardar”, comentou. Andrea Soares ressaltou a importância das campanhas de conscientização.“Não bastam campanhas pontuais, na época da semana de doação de órgãos em setembro, são necessárias campanhas constantes que esclareçam às famílias como é o processo de doação e explicar que a morte encefálica é irreversível”, disse. “Muitas famílias recusam-se a doar os órgãos do parente morto por não compreenderem o que é morte cerebral e acreditarem que enquanto o coração bater a pessoa continuará viva e irá se recuperar”, acrescentou. Apesar dos desafios enfrentados no país, ela acredita que a situação da fila de transplantes melhorou muito nos últimos anos e elogiou a mudança do critério cronológico para o de gravidade a partir de 2006. “Na época em que fiz o transplante, o critério era cronológico e muitas vezes aquele que estava no princípio da fila estava melhor do que o paciente que ocupava o último lugar e, provavelmente, essa pessoa acabava falecendo. Agora está um pouco mais igualitário,” opinou ela. “Mas nenhum critério será suficientemente justo”, ponderou. Os problemas mais comuns com o fígado que acabam gerando a necessidade do transplante no Brasil são ocasionados predominantemente pelo vírus C, responsável por alto índice de cirrose, além do álcool, hepatites autoimunes, gordura no fígado, entre outras causas.

#garototransplantedefígadomarília

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