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  • Da redação

MP abre inquérito para investigar fraudes de R$ 200 milhões na PM. Esquema envolveria 18 coronéis e


Quartel do Comando Geral da Polícia Militar em São Paulo

No desdobramento das investigações sobre desvios de R$ 200 milhões na Polícia Militar de São Paulo, o Ministério Público abriu inquérito para apurar a suspeita de que 18 coronéis e um atual deputado estadual, que também foi oficial da Polícia Militar, possam ter desviado as verbas por meio de um esquema de fraudes na corporação.

Inicialmente era investigado um desvio de R$ 7 milhões. Segundo nota da Promotoria, o esquema fraudulento envolveria oficiais militares e empresas. O dinheiro viria da negociação de compras de produtos por meio de licitações.

De acordo com o MP, a suposta ocorrência de irregularidades em compras realizadas pela PM entre os anos de 2005 e 2012, noticiada recentemente por veículo de imprensa, levou a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital a instaurar inquérito para apurar os fatos. O procedimento foi aberto na quinta-feira (16) pelo promotor de Justiça Nelson Luís Sampaio de Andrade.

Um coronel investigado apontou ao MP que 18 outros coronéis e o deputado estadual receberam recursos milionários desviados da corporação, num esquema que envolveria ainda diversas empresas. Ao todo seriam 20 pessoas e 53 empresas investigadas.

A nota do MP não informa o nome do oficial delator, mas ele seria o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho, que foi preso em março pela Corregedoria da PM por suspeita de desviar R$ 7 milhões..O comunicado da Promotoria também não divulgou os nomes dos outros oficiais que serão investigados por suspeita de participação no esquema.

GESTÃO DO CORONEL CAMILO TEVE ALTA DE 209% NOS GASTOS

A gestão do coronel Álvaro Camilo no Comando-Geral da Polícia Militar (2009-2012) registrou alta de 209% dos gastos efetuados pelo Departamento de Suporte Administrativo (DSA), órgão no centro das fraudes investigadas na Operação Imperador, a chamada Lava Jato da PM. No ano em que Camilo deixou a corporação, os gastos do setor caíram de R$ 34,2 milhões para R$ 6,2 milhões, média que se mantém até hoje.

O ex-comandante-geral é hoje deputado estadual pelo PSD, partido presidido pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab. Em 2008, antes de o coronel assumir o comando da PM paulista, o DSA havia consumido R$ 11 milhões. Os gastos do departamento na gestão de Camilo seriam atípicos. Segundo a Corregedoria da PM, as fraudes e os desvios no DSA podem chegar a R$ 200 milhões.

BENEFICIÁRIO

Durante parte da gestão de Camilo, o DSA era chefiado pelo tenente-coronel José Afonso Adriano Filho, que está preso e negocia delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE). Na tratativa, ele tenta envolver Camilo como um dos beneficiários dos desvios, sustentando que era impossível ter agido sozinho. “Cumpri ordens do Comando-Geral”, chegou a dizer em depoimento à Justiça. O deputado nega.

As informações sobre a elevação dos gastos da DSA foram extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafem) do governo estadual. Responsável pela manutenção do quartel do Comando-Geral e outras unidades vizinhas, no centro da cidade, o DSA ganhou outras atribuições no período, passando a fazer licitações para peças de viaturas e reformas de outras unidades da corporação. Em 2012, essas responsabilidades foram novamente alteradas para restringir sua atuação ao quartel do comando.

“Os gastos do DSA geralmente são contas de água e luz, limpeza, manutenção dos prédios do comando e os anexos vizinhos”, explica o coronel Benedito Roberto Meira, que comandou a PM de novembro de 2012 até janeiro de 2015. “A diferença foi que retiramos a atribuição de a DSA mexer com verba para reparo de viaturas, que representava a maior parte dos gastos, direcionando para o órgão que acreditávamos ser o mais cabível, o centro de manutenção de viaturas”, disse.

Meira diz que, quando assumiu o comando, encontrou em andamento a sindicância aberta por Camilo sobre os desvios do DSA, mas enxergou a necessidade de aprofundá-la em razão da “infinidade de irregularidades” apontadas na apuração inicial. “Era necessário que outras pessoas fossem ouvidas e o coronel (Levy) Félix conduziu essa investigação.” Félix, então tenente-coronel, seria promovido a coronel e designado na sequência para ser o corregedor da PM. Foi ele quem prendeu o tenente-coronel Adriano em março deste ano.

EMPRESAS DE FACHADA

A reportagem questionou Camilo quanto às mudanças de atribuições da DSA e a elevação dos gastos, agora postos sob suspeita. A Corregedoria acredita que boa parte dos serviços licitados com empresas de fachada nunca foram devidamente efetuados. Camilo não responde a essas perguntas. Em nota, reforçou que foi ele o responsável por abrir “imediatamente”, em 2011, apuração do caso do tenente-coronel Adriano.

“O coronel Camilo, como comandante-geral, afastou o ex-PM de suas funções, o transferiu de unidade e a apuração iniciada por Camilo culminou na perda de posto, patente e salário do ex-oficial, que age agora por pura vingança”. Em agosto, o Tribunal de Justiça Militar determinou a perda da patente de Adriano, que vai recorrer da decisão. Camilo destaca que Adriano tenta “criar ilações para obter vantagens no processo”. (Estadão)

"NÃO É ELE O INVESTIGADO"

O deputado estadual, coronel Álvaro Camilo, encaminhou uma nota ao JP, na qual esclarece que "não é ele o investigado" na chamada "Lava Jato" da Polícia Militar em São Paulo, como é chamado o processo que apura desvios de mais de R$ 200 milhões na corporação.

VEJA A NOTA ENVIADA PELO DEPUTADO CORONEL CAMILO

"Despacho do então comandante geral, coronel Camilo, solicitando providências sobre as denúncias, em 2011

"No caso que apura as irregularidades do Ex-PM Adriano, Coronel Camilo esclarece que não é ele o investigado e que a alegação sobre sua pessoa é completamente infundada, provavelmente motivada por vingança, tendo em vista que ele, como Comandante-Geral, tomou conhecimento da denúncia e determinou, imediatamente apuração (Imagem anexa), o afastou das atribuições e o transferiu de Unidade. Esta atitude culminou na perda de posto, patente e salário do Ex-PM. Coronel Camilo confia na isenção da justiça".


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