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  • Da redação

Paciente que ouviu frase "você pensa que está no Albert Einstein?", comenta diferença com


"Sou um cidadão comum, doravante identificado como o paciente do leito 461 da Unidade de Terapia Intensiva (hoje em alta) do Hospital de Clínicas de Marília. Não vou entrar em detalhes como cheguei à situação em que me encontrava porque não vem ao caso.

Meu objjetivo é externar minha indignação com certos acéfalos que vagueiam nos corredores daquela unidade de saúde, emitindo opiniões sem o mínimo de conhecimento da realidade em que vive.

Fui levado à cirurgia no dia 19 de outubro próximo passado e no dia 30, após dez dias de coma, ao acordar, ouço vozes no corredor, quando uma frase me fez refletir o quanto estamos mal- informados em relação à saúde do nosso povo!

Uma das vozes expressou-se desta forma:: "você pensa que está no Albert Einstein?

Fiquei com tal pensamento girando na mente e revendo uma situação vivida anos atrás, cheguei à conclusão que, felizmente, eu não dei entrada naquela casa de saúde de renome internacional, pois se assim o fizesse, certamente não estaria escrevendo esse texto.

O Hospital Albert Eisntein não suporta a presença de um ser comum. Lá, o atendimento é destinado tão somente aos diferenciados, magnatas, ratos, urubus, lesa-pátria, corruptos e outros mais, com raras excessões, enquanto que no Hospital de Clínicas de Marília, com todas as dificuldades financeiras impostas por um governo elitista que se preocupa com a saúde de seus pares, com toda a falta de funcionários e materiais de trabalho, com a super lotação de pacientes etc... etc.., posso afirmar sem sobra de dúvidas que existe humanismo em suas fileiras. Médicos, Enfermeiros, Auxiliares e outros se desdobrando para atender o maior número de pacientes possível e quando não conseguem a agilidade necessária devido à forte demanda, não se furtam em permanecer após o horário de suas escalas com o intuito de sanar a dor de um número maior de pacientes. Enquanto na casa de saúde de renome internacional entram e saem urubus e outras aves de rapina, no Hospital de Clínicas entram em saem Joãos, Josés, Jesus, Manés e Marias. Entra e sai o verdadeiro povo dessa nação tupiniquim.

Contra todas as mazelas governamentais e contra a falta de estrutura que lhe são impostas, os baluartes da verdadeira medicina continuam e continuarão atendendo seus semelhantes.

Meus sinceros agradecimentos a todos os profissionais que trabalham no Hospital de Clínicas de Marília, bem como os mestres e alunos da FAMEMA que se empenham em amenizar o sofrimento de seus semelhantes.

E caso algum outro acéfalo tiver a ousadia de compará-los com os prestadores de serviços do renomado hospital Albert Einstein, lá estarei e direi tão somente que o vil metal não faz parte do juramento do verdadeiro praticante da medicina humanitária".

ASS: TADEU MARTINS


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