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  • Da redação

Polícia recaptura assassino de Rafael Camarinha. Veja reportagem especial, sobre o caso e o perdão d


Camarinha durante coletiva sobre o caso Rafael, em 2006 e o assassino Renan dos Santos, no dia em que foi preso e recebeu a "visita" do ex-prefeito, na antiga sede da DIG

Após um cerco policial, viaturas da Força Tática prenderam Renan dos Santos, 30 anos, na noite desta segunda-feira (22), na favela do Argollo Ferrão, na Zona Oeste da cidade. Pela manhã, agentes da DIG fizeram uma varredura na favela, mas ele não foi localizado. À noite, a PM foi comunicada sobre a presença dele no local.

Seria mais um caso de captura de procurado, como outro ocorrido na mesma noite, não fosse o fato de Renan ser um dos elementos envolvidos e condenados pela morte de Rafael Almeida Camarinha, em março de 2006.

Após cumprir 12 anos de cadeia pelo crime (no qual é reincidente), Renan decidiu não retornar para a Penitenciária de Valparaíso (a 200 quilômetros e Marília), após a "saidinha" de final de ano. Ele, que cumpria pena no regime semiaberto, deveria ter retornado para o sistema no dia 3 deste mês.

Renan foi removido sob escolta para o sistema fechado da Penitenciária de Marília.

O CRIME

Camarinha na antiga sede da DIG, durante as investigações do caso Rafael

Dois dias após o assassinato de seu filho, Rafael Almeida Camarinha, 23 anos, ocorrido no início da manhã do dia 14 de março de 2006, o ex-prefeito de Marília, Abelardo Camarinha, encontrou com Renan dos Santos, 18 anos, na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), na Avenida Carlos Gomes.

Renan, que havia saído da ex-Febem (atual Fundação Casa) há pouco tempo por envolvimento em homicídio, estava algemado e sentado em um banco de concreto em uma pequena cela improvisada na Delegacia, quando Camarinha se postou em pé à sua frente e sob os olhares de dois agentes da DIG disse a Renan que o perdoava pelo crime. Renan ficou calado nos cerca de três minutos que esteve à frente do pai de Rafael.

Foi ele, Renan, que disparou o tiro fatal na cabeça de Rafael, que cursava Publicidade e Propaganda na Unimar. O crime foi na residência onde o jovem morava com a mãe, Paula, no Bairro Salgado Filho.

O CRIME

Na manhã daquela terça-feira, Renan e outros dois elementos, Márcio Antonio Condelli (o Mascarado) e Ricardo Antonio Aparecido de Oliveira (o Ricardinho), chegaram em um Monza hat dourado, que ficou parado nas proximidades da residência, Os elementos teriam se escondido em um terreno baldio nas proximidades do imóvel.

Por volta das 8h40, um dos marginais (que seria o menor J.A, de 17 anos), pulou dois muros da residência, rompeu cercas elétricas (onde confessou ter levado choques) e abriu um portão para os comparsas entrarem.

Eles renderam a empregada e adentraram o imóvel. Segundo depoimentos nos autos, Renan entrou sozinho com a empregada na casa e a obrigou a chamar por Rafael, já que a porta do quatro dele estava fechada. Ao abrir o jovem se viu sob a mira da arma, se assustou, deu um passo para trás e pediu calma.

Segundo o laudo pericial 041/2006, da Superintendência de Polícia Técnico-Científica, estava de joelhos quando foi atingido por Renan, que disparou um projétil calibre 38 padrão dum-dum (específico para provocar maior impacto e destruir órgãos humanos). O laudo apontou ainda que não havia sinais de luta corporal no local do crime.

A empregada também levou um tiro no ombro. Numa rápida ação que durou cerca de apenas 3 minutos os elementos fugiram sem levar nada. Rafael foi socorrido por uma unidade do Samu com parada cardio-respiratória, reanimado e encaminhado ao Hospital das Clínicas, inconsciente. Camarinha, Paula e Vinícius estavam em São Paulo e chegaram a Marília perto do meio dia.

CONSTERNAÇÃO GERAL

Paula, Vinícius e Camarinha no enterro de Rafael

Após clima de consternação e grande movimentação, por volta das 17h, foi anunciada oficialmente a morte do estudante. Camarinha recebeu a notícia ao voltar da DIG e do Fórum (onde fora acompanhar as investigações) para o H.C. Assim que saiu do elevador no pavimento que dá acesso às U.T.Is, uma enfermeira lhe comunicou a morte de Rafael.

Em lágrimas e já desolado pelas castigantes andanças da tarde em busca de Justiça, Camarinha abraçou Paula e Vinícius, em laços de comoção que seguiriam nas 24h seguintes, até o sepultamento de Rafael, no jazigo onde seu avô, Josué Francisco Camarinha, havia sido enterrado duas semanas antes, no Cemitério da Saudade.

LATROCÍNIO?

As investigações prosseguiram e o então delegado Antonio de Almeida concluiu o caso como latrocínio. Camarinha não aceitou o resultado das investigações e sustentou a tese que havia levantado desde o dia do crime, afirmando que o assassinato teve motivações políticas, relacionadas à demandas com a CMN (Central Marília Notícias).

AS CONDENAÇÕES

Condelli, Renan e Ricardinho foram condenados no dia 1° de novembro de 2006, pelo juiz da 1° Vara Criminal do Fórum de Marília, José Roberto Nogueira Nascimento. Condelli pegou 35 anos de prisão, enquanto Renan e Ricardo foram sentenciados a 30 anos, cada um.


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