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  • Da redação

Prefeito Daniel reúne comissionados exonerados e pede para eles pressionarem vereadores sobre projet


O prefeito Daniel Alonso (PSDB) e alguns secretário se reuniram na manhã desta sexta-feira (9), no auditório do Centro de Cultura. O ato teria contado com a presença de um grupo de ex-ocupantes de cargos comissionados na Prefeitura que foram sumariamente exonerados no último dia 16 de fevereiro, pelo próprio prefeito, em forma de retaliação aos vereadores que aprovaram uma proposta do vereador Wilson Damasceno (PSDB), proibindo a terceirização de radares pela Emdurb.

Grande parte dos comissionados exonerados eram ligados a vereadores "infiéis" e ao PSDB em Marília. Durante o encontro de hoje, o prefeito pediu aos ex-comissionados para "fazer pressão" junto aos vereadores pela aprovação de um Projeto de Lei (veja abaixo) que recria dezenas de cargos comissionados na Prefeitura.

Coimo está "queimado" junto à maioria dos vereadores no Legislativo, o prefeito está usando os ex-comissionados para tentar aprovar a proposta de seu interesse na Casa.

Após a reunião, comissionados já começaram a ligar para alguns vereadores e pedir apoio nesse sentido.

"O prefeito disse pra eles (comissionados) que a Câmara está com ele. Dois ex-comissionados já me ligaram, hoje, mas tá complicado isso", disse ao JP o vereador João do Bar (PSB), que recebeu mensagem via Whatsapp do presidente da Câmara, Wilson Damasceno, informando sobre o teor da reunião no Centro Cultural.

O vereador Evandro Galette (Podemos) disse que esteve pela região hoje e não recebeu ligações de ex-comissionados. "Mas, se ligarem, vai ser em vão. Precisamos ver direito a nossa responsabilidade nesse projeto sobre o acordo feito com o Tribunal de Justiça", afirmou.

Ontem (8), o secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Ricardo Mustafá, esteve na Câmara Municipal, reunido com vereadores. O JP recebeu informação que o assunto da pauta seria sobre o projeto de criação de cargos comissionados, mas isto não ocorreu. O assunto foi sobre verbas orçamentárias.

PREFEITURA NEGA A PRESENÇA DE EX-COMISSIONADOS

Assessoria ligada ao gabinete do prefeito Daniel Alonso negou que a reunião no Centro de Cultura teve a participação de ex-comissionados. Alega que foi uma reunião de rotina, que acontece todas as sextas-feiras e tratados assuntos ligados à administração. O prefeito falou sobre o Projeto de Lei 5/2018 no início da reunião, mas como assunto de rotina, sem a presença de ex-comissionados.

TRAMITAÇÃO DO PROJETO NA CÂMARA

O Projeto de Lei sobre os cargos comissionados chegou na Câmara Municipal nesta segunda-feira (5) e nesta terça-feira foi encaminhado aos vereadores.

Há um prazo em torno de 5 dias para receber emendas e vai tramitar nas comissões da Casa. Existe a prerrogativa da Comissão de Justiça solicitar parecer ao Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) sobre a constitucionalidade do projeto.

Caso isto aconteça, a Comissão teria de esperar o parecer do Ibam para exarar o seu parecer, o que "esticaria" o prazo de tramitação da matéria. Caso os prazos sejam cumpridos normalmente, é possível que o referido Projeto entre na pauta em cerca de quinze a vinte dias. Se houver pedido de regime de urgência, terá prioridade de votação, sobrestando a pauta.

O PROJETO

O Projeto de Lei n° 5/2018, do prefeito Daniel Alonso (PSDB), extingue a secretaria municipal de Direitos Humanos e 45 cargos comissionados na Prefeitura, os quais já estão vagos. O titular da Pasta é Renato Micheletti, parente do vereador Mário Coraíni (PTB).

O Projeto cita que a extinção dos cargos comissionados, cuja maioria dos ocupantes já foi exonerada em forma de retaliação do prefeito aos vereadores que aprovaram a proposta que impede a terceirização de radares em Marília pela Emdurb.

No mesmo Projeto de Lei, são renomeados e "legalizados" 121 cargos comissionados na Prefeitura. Caso o Projeto seja aprovado pela Câmara, será juntado em uma ação que tramita no Tribunal de Justiça, exigindo a extinção de 107 cargos comissionados na Prefeitura de Marília. O objetivo é convencer o TJ a acatar a "legalização" e fazer com que a ação judicial perca o objeto.

O presidente da Casa, Wilson Damasceno (PSDB), já se posicionou contra a proposta, em discurso durante a sessão camarária desta semana. "Eu esperava que esse projeto não viesse para a Câmara, mas já chegou e vai tramitar na Casa. Imaginei que o prefeito fosse chamar as pessoas que já passaram em concursos públicos, ao invés de criar comissionados, como divulgado numa nota oficial da Prefeitura", disse ele."Isso confronta cinco decisões do Tribunal de Justiça e haverá um amplo debate", completou.O Projeto de Lei com criação de novos cargos comissionados deverá tramitar pelas Comissões da Câmara, onde receberá pareceres contra ou a favor e depois seguirá para votação em plenário.

PREFEITURA QUER FICAR COM 121 CARGOS COMISSIONADOS

O secretário Municipal da Administração, José Alcides Faneco, disse ao JP que a atual gestão foi iniciada com 161 cargos comissionados. "O Ministério Público pediu a extinção de 107 desses cargos, apontando que eles não teriam funções de chefia, direção e assessoramento. Então, fizemos uma revisão geral de cargo por cargo e chegamos à conclusão que deveríamos extinguir 40 deles. Desta forma, de 161 cargos comissionados, estamos ficando, na prática, com 121, que é a menor quantidade de todas as gestões. São cargos estratégicos e essenciais para as atividades do governo", disse Faneco.

Ele explicou que a elaboração do Projeto de Lei foi necessária para ratificar as exonerações dos cargos comissionados (entre eles 16 apontados pelo MP).

"Por regra, é possível extinguir (não criar) cargos por decreto, após a vacância, como já foi feito. Mas, entendemos que a forma mais correta de extinção seria através de um Projeto de Lei e isso foi providenciado e encaminhado à Câmara", disse o secretário.

Faneco afirmou que caso a Câmara Municipal aprove o referido Projeto de Lei, o mesmo será juntado aos autos de uma ação que tramita no Tribunal de Justiça do Estado, exigindo a extinção de 107 cargos comissionados na Prefeitura de Marília.

PRESSA

"Vamos informar o TJ que regularizamos e legalizamos 121 cargos comissionados. Caso o Tribunal acate esta medida, a ação perderá o objeto", disse Faneco.

Nesse contexto, a Prefeitura de Marília trabalha contra o tempo, uma vez que a manutenção dos 107 cargos comissionados está sob liminar concedida pelo TJ no ano passado. Em breve, poderá ser julgado o mérito e o desembargador definir pela extinção sumária dos cargos. "Neste caso, ficaríamos somente com 54 cargos comissionados, incluindo os secretários municipais", observou o secretário.

CARGOS EXTINTOS PELO PREFEITO:

Gabinete do Prefeito

2 Cargos de Assessor de Gabinete

1 Cargo de Coordenador de Marketing

2 Cargos de subprefeito (Lácio e Padre Nóbrega

Secretaria Municipal de Planejamento Urbano

1 Cargo de Coordenador de Projetos Viários

1 Cargo de Coordenador de Topografia

1 Cargo de Coordenador Técnico de Planejamento

Secretaria Municipal da Administração

1 Cargo de Coordenador de Serviços Gráficos

Secretaria Municipal da Educação

1 Cargo de Coordenador de Transportes

1 Cargo de Coordenador de Serviços Diversos

1 Cargo de Coordenador de Gestão Escolar

Secretaria Municipal da Cultura

1 Cargo de Coordenador da Cultura

1 Cargo de Encarregado de Centro Cultural e de Lazer

Secretaria Municipal da Saúde

1 Cargo de Coordenador de Área de Enfermagem

1 Cargo de Coordenador de Farmácia de Manipulação