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  • Da redação

Obras de ampliação do Aeroporto de Marília continuam no papel. Estrutura arcaica e problemas com vôo


O setor da aviação comercial em Marília segue uma lástima, com um aeroporto arcaico e apenas uma companhia aérea. A Azul Linhas Aéreas atende a cidade, com dois vôos diários nos dias úteis para Campinas (um às 5h55 e outro às 15h10). Aos domingos, só um vôo às 15h10. O trecho de 98 quilômetros entre Campinas e São Paulo é completado de ônibus.

Os vôos de Marília para São Paulo deixaram de existir em 2012, quando a empresa Trip Linhas Aéreas deixou de operar na cidade. A rota era Presidente Prudente-Marília-São Paulo (Guarulhos), com os ATR-42.

SERVIÇOS RUINS

Os constantes cancelamentos de vôos em rotas da Azul têm gerado transtornos e ações judiciais por parte passageiros lesados pela Companhia,que usa os ATR 72-212A (600).

A mais recente sentença desta natureza saiu nesta sexta-feira (9), como o juiz da 2ª Vara Cível, Ernani Desco Filho, condenando a Azul Linhas Aéreas a pagar R$ 2 mil por danos morais e materiais à uma passageira grávida que relatou sofrimento com cancelamento de vôo, atrasos de cinco horas e transporte obrigatório em vans durante seu trajeto. "Trata-se, na verdade, de fato previsível e evitável, sendo que tal fato configura falha na prestação do serviço, não se enquadrando como força maior. Percebe-se, assim, que não houve fator extraordinário que impedisse o cumprimento do ajustado, existindo, portanto, falha da ré no cumprimento de seu mister, razão pela qual restou configurada a indevida prestação de serviço", citou o magistrado, na sentença.

Marília, conhecida nacionalmente como o berço da TAM (nascida aqui em 1961) vêm ao longos dos anos sofrendo decadência no transporte aéreo de passageiros. E não é apenas no aspecto de companhias aéreas.

A estrutura obsoleta do Aeroporto "Frank Miloye Milenkowichi" (inaugurado em 1938 e que homenageia um dos pioneiros da aviação na cidade) é outro fator que reflete tal decadência.

OBRAS DE AMPLIAÇÃO DO AEROPORTO NÃO SAIRAM DO PAPEL

Uma esperança de mudar este cenário surgiu em 2013, quando o ministro-chefe da Aviação Civil, Moreira Franco, anunciou que as obras de ampliação do Aeroporto de Marília sairiam em até 60 dias. Tudo balela e politicagem! Nada saiu do papel.

O projeto reformas e ampliações do aeroporto local previam os seguintes investimentos:

- O Terminal de Embarque passará dos atuais 572 metros quadrados para 3.500 metros quadrados;

- O pátio para estacionamento das aeronaves, dos atuais 4.200 metros quadrados,será ampliado para a 23.100 metros quadrados;

- Pista de pouso e decolagens será recapeada;

- Terminal de Embarque terá espaço para estacionamento de 300 veículos

Nos últimos cinco anos, de vez em quando alguém lembra "daquele projeto de ampliação do aeroporto". Geralmente em ano eleitoral! E foi nesta mesma cadência que há cerca de um mês, uma comitiva de políticos e representantes de entidades empresariais esteve reunida em São Paulo, com o superintendente do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), Fábio Calloni.

No resumo da ópera, ele repetiu a milonga de sempre: "precisamos de parceria com o Governo Federal. O Aeroporto de Marília está entre as prioridades do Estado", disse.

"A CIDADE MERECE UM AEROPORTO MODERNO", DIZ INVESTIDOR

O empresário e agropecuarista, Antenor Barion Júnior

Quem mais cobra melhorias na estrutura do Aeroporto de Marília são empresários, investidores e usuários do transporte aéreo. "Nosso aeroporto está ultrapassado, com estrutura arcaica. O aeroporto deveria ser um cartão postal da cidade e criar uma boa impressão para quem chega aqui por via aérea. Mas, infelizmente, acontece o contrário", disse ao JP o empresário e produtor agrícola, Antenor Barion Júnior. Ele também é piloto e profundo conhecedor da história da avião comercial em Marília.

Ele lembrou que em suas viagens e contatos com investidores e usuários em outras regiões do Estado, ouve muitas críticas sobre o Aeroporto de Marília. "É uma pena, porque Marília tem um grande potencial industrial, agrícola e comercial, além de ser referência em estrutura de saúde e universidades. A cidade merece ter uma aeroporto funcional e moderno, para a segurança e o conforto do setor. Para que isto se torne realidade, depende da mobilização e união de forças políticas da cidade junto aos governos", afirma Barion.

Para o presidente da Acim (Associação Comercial e Industrial de Marília), Adriano Luiz Martins, também cobra investimentos e novas audiências para discutir o assunto.

“Precisamos discutir o perfil do nosso aeroporto. Ao descobrirmos nossa vocação, poderemos ser mais efetivos nos investimentos necessários. A necessidade de um melhor terminal de embarque e desembarque de passageiros, além do alargamento e cumprimento das pistas, são prioridades em qualquer vocação aeroviária da cidade", afirma.

O AEROPORTO

Inaugurado em 1938 pelo senhor Frank Miloye Milenkovich, pioneiro da aviação em Marília, o aeroporto fez grande história na aviação brasileira. Principalmente por se tratar do berço da companhia aérea TAM (original Táxi Aéreo Marília).

Possui pista de pousos e decolagens asfaltada, com comprimento de 1.700 m e 35 m de largura. A pista foi ampliada em meados 2002, na gestão do ex-prefeito Abelardo Camarinha, passando a receber Boeings 737 e Airbus A 320.

O Aeroporto de Marília opera com voos regulares diretos para Bauru e Campinas, além de outros municípios de todo o Brasil por meio de conexões em Campinas.

Administrado pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), registrou alta na movimentação de embarques e desembarques no ano passado.Até agosto, recebeu 41.538 passageiros, frente aos 40.053 registrados em 2016, o que representou uma elevação de 3,7%.

Pesquisas mostram que, entre os seis aeródromos que operam voos comerciais, Marília ocupa a 6ª posição no ranking do Daesp. Além de atender a demanda de aviação comercial e de toda a região do entorno, também recebe a aviação geral (executiva e táxi-aéreo).