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Monte Azul inicia operação tartaruga e atrasa saída de caminhões para coleta de lixo em Marília

  • Da região
  • 20 de jul. de 2018
  • 3 min de leitura

Funcionários e caminhões na Monte Azul, na manhã desta sexta-feira: empresa já atrasa início dos trabalhos e ameaça paralisação total

A empresa Monte Azul iniciou nesta sexta-feira (20) uma operação tartaruga. Caminhões e funcionários da coleta de lixo que deveriam sair da garagem as 7h, só começaram a deixar o local as 10h da manhã.

Hoje será um dia decisivo para o impasse entre a empresa Monte Azul, contratada pela para fazer a coleta de cerca de 50% do lixo em Marília e a Prefeitura. No final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa da empresa enviou nota ao JP, informando que "se ocorrer a suspensão dos serviços da Monte Azul Ambiental será após o dia 20. Se a prefeitura pagar não ocorrerá a suspensão".

O diretor da Monte Azul na sede da empresa em Araçatuba, Gabriel Lopes, disse ao JP que os débitos da Prefeitura são de cerca de R$ 10 milhões, envolvendo dívidas da atual gestão e da gestão passada.

A assessoria de imprensa da Prefeitura, por sua vez, divulgou nota afirmando que a empresa "não vai parar". O entrave gerou suspeitas que a Monte Azul estaria fazendo chantagem com a Prefeitura. A empresa concedeu avisos prévios para todos os seus cerca de 40 funcionários em Marília, mas espalhou entre eles que "se a Prefeitura pagar", os documentos poderão ser rasgados.

Em março deste ano, a Monte Azul protocolou uma ação judicial contra a Prefeitura, cobrando cerca de R$ 8,5 milhões. O juiz da Vara da Fazenda Pública deu um prazo de 30 dias para a Prefeitura se manifestar, mas não houve acordo.

"Chegamos à uma situação insustentável e vamos parar as atividades a partir desta sexta-feira", disse Gabriel Lopes, diretor da Monte Azul. A empresa também emitiu aviso-prévio para parte de seus cerca de 40 funcionários aqui na cidade.

PREFEITO DIZ QUE ESTÁ "TUDO REGULAR"

Contactado pelo JP no final da noite desta quarta-feira (18), o prefeito Daniel Alonso disse desconhecer o assunto. "De onde tirou isso", questionou. Sobre eventuais atrasos de pagamentos, afirmou: "Pelo que eu saiba a situação está regular. As maiores dívidas são do governo anterior".

Perguntado se teria alguma alternativa, caso a empresa realmente paralise as atividades, o prefeito respondeu: "Quando eu assumi, a empresa já estava parada. A alternativa vocês já sabem".

Sobre o fato do TCE (Tribunal de Contas do Estado) ter considerado irregular o contrato da Prefeitura com a Monte Azul (efetivado pela gestão passada, em 2013 - veja abaixo), Daniel Alonso foi sucinto: "Não fui eu que assinei. Eu só cumpro".

Quando assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2017, o atual prefeito lixo acumulado por toda a cidade, já que o ex-prefeito Vinícius deixou de fazer as coletas no final de seu governo. Entre os protestos pela sujeira na cidade, houve até despejo de lixo em frente o prédio da Prefeitura.

Daniel Alonso alugou caminhões e promoveu um mutirão de limpeza na cidade. Em março de 2017, o prefeito alugou quatro caminhões de coleta de lixo da Empresa Monte Azul, pagando R$ 20 mil por mês pelo aluguel de cada caminhão. O Ministério Público Estadual decidiu pela abertura de um Inquérito Civil para apurar as denúncias de superfaturamento e improbidade administrativa do prefeito. O caso foi apurado e arquivado.

Em maio do mesmo ano, a Prefeitura de Marília adquiriu três caminhões novos de coleta de lixo, pagando R$ 735 mil por eles, ou seja, R$ 245 mil cada um.

Avisos prévios já foram emitidos para funcionários da empresa


 
 
 

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