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  • Da redação

SEM OBRAS: Rezende derruba emenda que beneficiaria moradores da Zona Norte


Daniel Alonso recebe autorização da Câmara para fazer megamepréstimo de R$ 23 milhões e Rezende vota contra emenda que beneficiaria moradores da Zona Norte

Com um voto de minerva, o presidente da Câmara de Marília, vereador Marcos Rezende (PSD) derrubou uma emenda que tinha como objetivo beneficiar moradores da Zona Norte da cidade.

A emenda estava no projeto de lei que autorizou o prefeito Daniel Alonso (PSDB) a fazer um megaempréstimo de R$ 23 milhões na Caixa Econômica Federal.

De autoria do vereador Maurício Roberto (PP), a emenda determinava que parte desses recursos (caso seja aprovado o megaempréstimo pela Caixa) seriam aplicados prioritariamente em um sistema de lazer (praça) localizado entre as Ruas Mariápolis, Corifeu de Azevedo Marques, Brígido Hilário, Rafael Lopes Saes, Mariana Nora Adib e Avenida Francisco Chaves de Moraes, no Núcleo Jânio Quadros.

Essas obras beneficiariam também outros bairros daquela região, como o Aniz Badra e Figueirinha.

"A emenda não é minha, é dos moradores", justificou Maurício Roberto, ao defender a proposta de melhorias para os moradores da Zona Norte. Mesmo assim, após empate em plenário, Rezende decidiu pela derrubada da emenda, em flagrante descaso e prejuízo aos moradores daquela região da cidade.

A SESSÃO

Após mais de três horas de discussões, a Câmara de Marília aprovou na sessão desta segunda-feira (16), um projeto de lei onde o prefeito Daniel Alonso (PSDB) pede autorização dos vereadores para fazer um megamempréstimo de R$ 23 milhões na Caixa Econômica Federal.

Apenas cinco vereadores foram contra a proposta: Luiz Nardi (PR), Danilo da Saúde (PSB), Wilson Damasceno (PSDB) e Zé Luiz Queiróz (PSDB). Maurício Roberto (PP).

O projeto cita apenas como destino do dinheiro reformas de praças e parques e asfaltamento,mas não especifica quais praças, parques ou ruas seriam asfaltadas com essa fábula. Não indica também qual seria o impacto financeiro das contas do Município nem valores das taxas de juros a serem pagas.

Além disso, Daniel Alonso quer fazer esse megaempréstimo para o sucessor dele pagar, já que as primeiras parcelas, pelo projeto, começariam a ser pagas daqui a dois anos (2021), ou seja, quando ele já não estiver mais na Prefeitura, uma vez que deixará o cargo em dezembro do ano que vem.

Agora, caberá à direção da Caixa Econômica Federal analisar as documentações e riscos para conceder esse megaempréstimo para uma cidade já endividada e uam gestão reprovada pelo próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE).

OS DISCURSOS

"Esse Projeto de empréstimo é enganoso e eleitoreiro"

O vereador Wilson Damasceno (PSDB) pediu a retirada do projeto da pauta. O pedido dele foi rejeitado pela maioria dos vereadores. Em seguida, o vereador Danilo da Saúde (PSB), pediu vistas (adiamento por cinco dias) do projeto. Também foi rejeitado.

"Sinto que venha para estra Casa um projeto de tamanha irresponsabilidade, um engodo. Um cheque em branco para quem não tem crédito", disse o vereador Luiz Nardi (PR) na tribuna. "Esta é a velha política de se manter recurso sem, explicar pra que. É para período eleitoral. Já houve um passa-moleque aqui quando pediram os mesmos valores para as mesmas coisas, que não foram feitas", afirmou Nardi. "Voto contra a enganação", finalizou.

O vereador Wilson Damasceno (PSDB) também se manifestou contra o projeto. "Se a Prefeitura tivesse feito a lição de casa, com economia de alugueis, por exemplo, teria esse dinheiro em caixa", disse. Esse projeto não tem sequer o impacto financeiro. "Prejudicial aos servidores. Marília tem dificuldade com remédios na rede, médicos, 11.400 aguardando atendimento de ortopedia....O prefeito disse que esse empréstimo custará R$ 240 mil por mês (a partir de 2021 este valor subirá para R$ 280 mil) e isso daria para comprar remédio. Hoje a Prefeitura não tem verbas para atendimento ás políticas das mulheres, à Saúde...Vamos endividar a cidade para gastar com parques?...Não vamos votar esse projeto de olhos tapados. Não dá!".

O vereador Zé Luiz Queiroz (PSDB) também contestou o pedido de empréstimo, citando por exemplo a falta de transparência. "Pretendem gastar mais de R$ 4,5 milhões num parque sem projeto... Não tem dinheiro nem para trocar placas na cidade e vamos aprovar R$ 23 milhões?! Esse projeto em vésperas de eleições é uma prática nefasta,,, de pintar guias em ano eleitoral".

O vereador Mário Coraíni (PTB) defendeu o projeto; "Vamos esquecer que se tem que fazer economia. Isso a gente tem que fazer em casa...Tenha ou não tenha dinheiro deve fazer empréstimo. Esqueça essa história que a Prefeitura não te recursos. A Prefeitura tem que gastar, fazer empréstimos....Vamos parar com esse miserê, que a Prefeitura não tem dinheiro. Vá fazer empréstimo sim, gastar". E continuou: "Marília, com dinheiro ou sem dinheiro tem que emprestar, se endividar e gastar".

Na segunda discussão, o vereador Wilson Damasceno (PSDB) pediu vistas (adiamento) por um dia. O pedido foi novamente rejeitado pela maioria dos vereadores.

Maurício Roberto apresentou emenda para beneficiar moradores da Zona Norte, mas foi derrubada

Maurício Roberto (PP) disse que este não é o momento de se votar esse projeto, cobrou o impacto financeiro do mesmo e " a necessidade de responsabilidade". Questionou quais ruas seriam contempladas com asfaltamento nesse pretenso empréstimo. Citou várias vias da Zona Norte, onde ele tem base. "Governar é eleger prioridades. Será que fazendo empréstimos é o caminho?".

O vereador lembrou ainda da dívida do Ipremm. "Por ano, só de juros e multas, são mais de R$ 1 milhão. Se o dinheiro fosse bem administrado, hoje não haveria necessidade do pedido desse empréstimo", observou. "Se agirmos pela emoção, aprova-se esse projeto sem problema. Mas será que devemos agir pela emoção? Temos a responsabilidade e a razão", afirmou,

O vereador José Carlos Albuquerque (PRB). Defendeu a proposta citando geração de empregos. Falou sobre investimentos no Bosque Municipal. "Temos que buscar recursos novos. Quero um Bosque moderno. Pra melhorar tem que ter recursos", disse.

Ele também falou sobre as praças. "A Igreja São Bento está bonita, mas a Praça São Bento, a fonte, precisam ser melhoradas. A calçada está toda esburacada. Estou reivindicando melhorias na pista de cooper da Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes. Para isso precisamos de recursos", disse.

O vereador Cícero do Ceasa (PV, que também votou a favor do projeto. Fez apenas ataques políticos e não se ateve ao projeto. "Eu acredito no governo Daniel. Cobraremos os investimentos. Eu não estarei aqui em 2021", disse.

Vereador Danilo da Saúde citou calotes da atual gestão, como o rombo e atrasos no Ipremm