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  • J. POVO- MARÍLIA

A CASA DESABOU! Rombo com ladroeira na Cohab/Bauru passa de R$ 57 milhões. Funcionários faziam saque


Os primeiros depoimentos de funcionários da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) na Operação 'João de Barro' afirmariam que houve saques mensais de cerca de R$ 400 mil, em dinheiro, sem apresentação de notas. Conforme o JC mostrou, as oitivas começaram na última quinta-feira (16), com dois funcionários da companhia prestando esclarecimentos ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A informação de que os saques mensais ocorriam em um banco foi divulgada ontem pelo jornalista Nelson Gonçalves, em sua página no Facebook, e confirmada ao JC por uma fonte da Cohab. A reportagem apurou ainda que um documento da Cohab foi encaminhado ao MP-SP com esses dados, que se somam aos depoimentos dos funcionários. O Gaeco ainda fará novas oitivas.

Nos depoimentos da semana passada, os funcionários teriam afirmado aos promotores que durante um período de 12 anos - entre 2007 e 2019 - eram feitos saques em um banco no valor de aproximadamente R$ 400 mil, direto no caixa, e em dinheiro. A soma passaria, portanto, de R$ 57 milhões. O montante deveria ser usado para pagar dívida da Cohab com a Caixa referente ao seguro habitacional das unidades construídas pela companhia.

Entre 1998 e 2010, a Cohab deixou de pagar este seguro. De acordo com os funcionários, a companhia emitia um cheque para pagar as mensalidades. Após o saque em espécie, o dinheiro seria entregue em malotes à direção da Cohab, que na época tinha como presidente Edison Bastos Gasparini Jr. - ele saiu do cargo em dezembro passado, após a deflagração da operação do Gaeco na empresa.

Apesar da Cohab contabilizar as despesas com seguro, não teriam sido encontrados comprovantes mensais de pagamento, o que gera questionamento sobre o destino do dinheiro. Com isso, o MP deve avançar na apuração nos próximos depoimentos, buscando chegar ao uso do dinheiro - se parte ou todo o valor foi mesmo repassado à Caixa ou se não houve efetivo pagamento. O encontro de informações com o material físico e digital apreendido também acontecerá e será apurado se havia participação de outros agentes públicos alheios à companhia neste caso. O Conselho Fiscal da Cohab e auditorias externas não teriam identificado os pagamentos feitos pela companhia com esses valores.

PERGUNTAS

A reportagem entrou em contato com a Caixa, através da assessoria do banco, na capital federal, questionando se houve o pagamento das parcelas pela Cohab, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O ex-presidente Edison Bastos Gasparini Jr. não foi localizado. Seu telefone parecia estar desligado e não havia opção de recado em caixa postal.

Já o Ministério Público Federal (MPF) informou que, por enquanto, ainda não foi chamado a entrar neste caso - se houver envolvimento direto de órgãos da União, o MPF poderá participar das investigações. O atual presidente da Cohab, Arildo Lima Jr., afirma que a companhia está prestando todas as informações solicitadas pelo Gaeco, com o envio de dados e documentos.

Operação 'derrubou' diretoria anterior

A operação do Gaeco começou no ano passado e, no final de 2019, houve busca e apreensão na Cohab e em outros locais em Bauru e fora do município. O MP-SP apura se houve irregularidade em contratos da companhia com algumas construtoras, com o pagamento de valores antes mesmo da confirmação de acordo na Justiça. Ainda no final do ano, o Gaeco apreendeu 1,6 milhão em notas de real, 30 mil em notas de dólar norte-americano e ainda valores menores em euro e libras esterlinas na casa do então presidente Edison Bastos Gasparini Jr. O dinheiro estava em malas. Na ocasião, Gasparini disse que o valor era proveniente de negócios no setor agropecuário.

Também saíram da Cohab o então diretor financeiro Paulo Sérgio Gobbi e o gerente jurídico Milton Gimael. Em seus lugares foram nomeados Arildo Lima Jr. como presidente, Marcos Garcia como diretor financeiro, enquanto Andrea Salcedo assumiu nesta semana como a nova gerente jurídica. O prefeito Clodoaldo Gazzetta determinou o encerramento da companhia, em um prazo de até um ano e meio, porém, a forma como isso ocorrerá ainda está sendo discutida pela nova diretoria da companhia; Durante as investigações, o Gaeco fez buscas na construtora Sancarlo Engenharia, em Marília.




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