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  • Da redação

TRIBUNA LIVRE: Monteiro narra na Câmara ações da "máfia dos fiscais", dificuldade de exone


"Saúdo a banda saudável da SPU (Secretaria de Planejamento Urbano). Comigo não tem ti-ti-ti nem blá-blá-blá". Assim o ex-vereador e ex-secretário da Pasta, engenheiro Roberto Monteiro, iniciou seu discurso na Tribuna Livre da Câmara Municipal, na tarde desta quinta-feira (12).

O tema dele foi "Secretaria de Planejamento Urbano/Máfia dos Fiscais". Monteiro disse que não será candidato a vereador e defende causas. "E a causa aqui é profissional".

Citando várias frases de celebridades e pensadores durante sua fala de 15 minutos (tempo regimental da Tribuna Livre), o engenheiro lembrou do comentário do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, sobre os servidores públicos parasitas.

"Apenas uma minoria é parasita e corrupta, como a banda podre de fiscais da SPU", completou. Citou que eles criaram um kit com preços infames (até 10% do valor de mercado). "Aprovavam os projetos e regulamentações de profissionais da área na velocidade do Rubens Barrichello e os projetos deles como Ayrton Senna. Ficaram ricos, eles e seus familiares. Criaram um balcão e transformaram a SPU no maior escritório de arquitetura e engenharia de Marília".

Citou o caso de um fiscal de obras que aprovou 263 projetos em um ano, ganhando "por baixo", cerca de R$ 15 mil por mês com esse "bico". Lembrou também de um ex-secretário que "deu muito trabalho".

Monteiro disse que ao descobrir o caso inusitado de um fiscal de obras (engenheiro) que "comandou" dois projetos ao mesmo tempo, de casas vizinhas, recebeu reclamação de uma delas e orientou o morador a denunciar a irregularidade na Corregedoria Geral do Município, sem saber que o responsável pela obra era ele mesmo.

"Ou seja, o famoso fiscal nunca esteve na obra! Isso foi a gota d'água para eu protocolar as denúncias da máfia dos fiscais na Corregedoria", lembrou Monteiro. Disse que solicitou o afastamento dos envolvidos no esquema, mas o pedido foi indeferido.

Afirmou que os fiscais da "banda podre" da SPU "estavam com o garfo e a faca nas mãos e se lambuzaram, macularam a secretaria, abocanhando 70% dos projetos e regularizações de obras, aprovando cerca de 2 mil projetos em apenas dois anos. Viraram uma nuvem de gafanhotos no mercado e transformaram engenheiros em motoristas de Uber e arquitetos em pasteleiros".

O ex-vereador disse que "em tempos de Lava Jato, o povo não aguenta mais isso. Pior que é mais fácil o Papa vir a Marília do que exonerar uma laranja podre dessas", observou.

Monteiro destacou o trabalho da ONG Matra, do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), do Ministério Público e da Polícia Civil no combate à máfia dos fiscais.

Encerrou seu discurso citando o conto do Moleiro de Sans-Souci, imortalizado por François Andrieux, o qual narra um acontecimento ocorrido no século XVIII, na Prússia do rei Frederico II, conhecimento como “o Grande” (Friedrich der Grosse), quando este decidiu edificar um palácio de verão na cidade de Potsdam, nas proximidades de Berlim, junto a uma colina onde existia, já há tempo, um moinho de vento, conhecido como o moinho de Sans-Souci, designação dada também ao novo palácio real.Conta-se, ainda, que quando Frederico II resolveu ampliar o palácio, em virtude de o moinho estar impedido os trabalhos, o rei decidiu adquiri-lo, esbarrando, contudo, na inabalável recusa do moleiro, que invocou o fato de que tanto ele, quanto seu pai ali falecido, mas também os seus filhos, lá tiveram, tinham e teriam sua morada. À vista de tal obstinação, Frederico seguiu insistindo tendo chegado a sugerir ao moleiro, em tom de ameaça, que se assim quisesse poderia confiscar o moinho e as respectivas terras inclusive sem indenização, ao que o corajoso moleiro retrucou que isso não o demoveria e que ainda existiriam juízes em Berlim. Diante disso e da tenacidade do moleiro, Frederico II recuou e, mesmo tendo ampliado o palácio, respeitou os limites do moinho que até hoje se encontra no local.

"Confio que ainda há procuradores, promotores e juízes em Marília", arrematou Monteiro, seguido de aplausos do público que acompanhou o ato no plenário da Câmara Municipal.

Dos treze legisladores, apenas o vereador Cícero do Ceasa acompanhou a Tribuna Livre de hoje


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