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  • J. POVO- MARÍLIA

Mídias e redes sociais detonam o ministro Toffoli, após ele mandar soltar o corrupto Geddel, o homem


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro mariliense Dias Toffoli, foi duramente criticado na mídia e redes sociais, após ter tirado da cadeia ontem o ex-deputado e ex-ministro da Secretaria de Governo do ex-presidente Michel Temer e ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula, corrupto Geddel Vieira Lima. Grande parte dos comentários ácidos a Toffoli são impublicáveis.

O argumento do ministro, para libertar o bandido, foi que havia um “risco real de morte reconhecido”, sendo necessária “a adoção de medida de urgência para preservar a sua integridade física e psíquica, frente à dignidade da pessoa humana”.

Na decisão o ministro utilizou-se de um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado que aponta falhas no sistema público de saúde da Bahia. Toffoli alegou que é “um dever inafastável do Estado zelar pela segurança pessoal, física e psíquica dos detentos”.

Geddel cumpria pena em regime fechado após ser condenado a 14 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Agora, ele passará a cumprir pena em casa e será monitorado por tornozeleira eletrônica.

Na semana passada, a defesa de Geddel ingressou com uma petição no STF solicitando a progressão de regime do ex-ministro sobretudo após ele ter sido diagnosticado, em testes rápidos, com o coronavírus. Contudo, quando se fez a contraprova, o exame apresentou resultado negativo para a covid-19.

Mesmo assim, Toffoli liberou Geddel para cumprir pena em casa alegando que ele faz parte do chamado “grupo de risco”, por ser hipertenso e por sofrer um quadro de hematoquezia (hemorragia retal).

Grupo de risco

Além disso, o presidente do Supremo se embasou em um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária. O documento apontava a necessidade de realização de exames com profissionais especializados em proctologia, gastroenterologia, psiquiatria, cardiologia e urologia — exames estes não disponíveis no sistema prisional baiano. “Tantos os exames quanto os ambulatórios com as especialidades dependem da disponibilidade de agendamento na rede SUS, ligada à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria de Saúde do Estado, podendo demorar um período que pode cursar com graves complicações na saúde do paciente, que podem cursar com aumento de morbidade e até mortalidade”, aponta o relatório em que se baseou a decisão de Toffoli.

Para o presidente do STF, “essas informações médicas, atestadas por profissional de saúde do Centro de Observação Penal (COP), não deixam dúvidas de que o requerente não só integra o grupo de risco como apresenta comorbidades preexistentes que evidenciam seu fragilizado estado de saúde, com risco real de morte”.

Geddel foi preso em 2017 e inicialmente cumpria pena na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal. No ano passado, no entanto, ele foi transferido para a Bahia. Segundo o Ministério Público Federal, Geddel é o proprietário de R$ 51 milhões encontrados em bunker montado em um apartamento em Salvador associado ao ex-ministro.