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Briga de prefeito com coletora de recicláveis vira caso de polícia, na região


A Polícia Civil irá investigar denúncia de suposto abuso e constrangimento ilegal feita por coletora de recicláveis contra o prefeito de Pirajuí (83 quilômetros de Marília), Cesar Fiala. Ela alega que, após uma briga pessoal, ele teria condicionado a cessão de um caminhão para o grupo de coleta seletiva no qual ela trabalhava à saída dela. O chefe do Executivo diz que o pedido de desligamento ocorreu porque a coletora "desagregava" o grupo. Por envolver agente político, o caso será remetido à Delegacia Seccional de Bauru.

A coletora Clara Regina Coelho de Souza explica que trabalhava na usina de reciclagem, junto com outras quatro pessoas, há cinco anos e três meses e recebia, em média, R$ 800,00 por mês. De segunda a quinta-feira, o grupo recolhe recicláveis nas ruas de Pirajuí e, de sexta-feira, recicla os materiais para vender a um ferro velho. O barracão da usina é cedido pela prefeitura, que também disponibiliza caminhão e motorista.

Ela conta que, desde o último dia 15, não está podendo trabalhar. A razão seria uma ameaça do prefeito, que disse que não cederia mais o caminhão ao grupo se ela continuasse no local. Recentemente, áudio do diretor municipal do Meio Ambiente, Lucas Volpato, reforçando o "recado" a uma das coletoras viralizou nos grupos de WhatsApp da cidade. Mídia com o áudio também foi remetida à Polícia Civil para investigação.

De acordo com Souza, cobranças feitas por ela ao prefeito, no último dia 8, para o conserto de sua casa - imóvel social doado em 2012 -, que está com sérios problemas estruturais, teriam resultado em uma briga entre os dois, com troca de ofensas. "No sábado anterior, caiu pedaço da laje do banheiro e quase atingiu minha filha de 1 ano", revela. Logo depois, ela recebeu ligação de Volpato comunicando seu "desligamento".

"A usina de reciclagem não tem vínculo com a prefeitura. A prefeitura só cede o caminhão. O salário não é a prefeitura que dá. Nosso salário é o que a gente faz. Se a gente não vender, a gente não tem nada", afirma. Diante de novas ligações, a coletora alega que decidiu parar de trabalhar para não prejudicar as outras famílias que dependem da reciclagem. Porém, procurou a polícia para que o caso possa ser apurado.

PETIÇÃO

O advogado de Souza, Roberto Viscainho Carretero, protocolou representação nesta segunda-feira (28), na Delegacia de Pirajuí, pedindo que a conduta de Fiala seja investigada. "Pode ter ocorrido, em tese, três figuras criminais - o constrangimento ilegal; crime previsto na nova lei de abuso de autoridade; e coação ilegal irresistível, que é quando a pessoa tem a sua vontade submetida à vontade do autor no sentido de praticar algo em relação a outras pessoas", declara. A situação de risco do imóvel também é relatada no documento.

O OUTRO LADO

Em nota, o prefeito de Pirajuí conta que a coletora chegou a entrar com ação na Justiça para reparação dos danos estruturais em sua casa, mas o pedido não foi acolhido. "Atualmente, passando o asfalto na porta, ela entrou com pedido administrativo para a 'antiga reclamação', como se fosse atual", diz. Ele confirma que foi cobrado pessoalmente na rua, no último dia 8, e respondeu que estava analisando o que poderia ser feito.

"O cuidado, além de todas as questões legais, passa pelo fato de ser ano eleitoral, o que agrava o volume de questões a serem verificadas. Ela, em alto e bom tom, respondeu que invadiria o imóvel do Cras do Jardim Eldorado se não houvesse providências. Não contente, seguiu com palavras de baixo calão e gestos obscenos, desacatando a mim e desrespeitando às pessoas presentes", alega.

Fiala declara que a parceria da prefeitura para a coleta seletiva inclui cessão de combustível, motorista, caminhão, barracão e doação de uma cesta básica para os trabalhadores. "O grupo, escolhido pela assistência social há anos, já passou por diversas rupturas por conta da presença desrespeitosa dessa moça", afirma.

"Assim, meu Diretor de Meio Ambiente foi orientado por mim a moralizar o grupo, garantindo uma postura correta nas ruas de respeito aos cidadãos. Dessa forma agiu e, infelizmente, foi pego numa armação, quando, ligaram para o celular dele, de forma planejada, gravando as orientações dele para a continuidade do trabalho".

Segundo ele, um boletim de ocorrência está sendo registrado contra Souza por desacato e preservação de direitos. "A orientação é desligar qualquer membro que desagregue o grupo, uma vez que é um trabalho necessário e importante, tanto para quem presta, quanto para quem recebe os serviços", diz. Procurado pela reportagem, o diretor do Meio Ambiente informou que não gostaria de comentar nada sobre o caso.







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