Buscar
  • J. POVO- MARÍLIA

"CP DA CARTEIRADA": Comandante da PM pode depor na manhã desta segunda-feira. Cassação ou


Vereadora professora Daniela Alves (com o carro do rolo na foto) ligou para a comandante da PM, Cristal, durante a ocorrência de autuação e apreensão do veículo, na madrugada do dia 16 de agosto

A tenente coronel PM, Márcia Cristina Cristal, comandante afastada do 9° BPM/I, em Marília, é aguardada para depor na manhã desta segunda-feira (26), na Comissão Processante aberta pela Câmara de Marília para apurar o escândalo da "carteirada" da vereadora professora Daniela Alves (PL). Ela deveria ter comparecido para depor na CP na quarta-feira passada, mas não apareceu.

A defesa da comandante pretende contestar uma das principais provas materiais das denúncias: a gravação da ligação dela para o policial que autuou e apreendeu o veículo da parlamentar, no momento da ocorrência. Advogado da oficial alega que a ligação foi "editada" e depois vazada.

"ELA É VEREADORA...O QUE VOCÊ ESTÁ ACHANDO QUE VOCÊ É?"

Durante abordagem e apreensão de um veículo da vereadora (um Ford Fuzion ano 2008, dirigido pela filha dela) na madrugada do dia 16 de agosto (domingo) na Zona Leste de Marília, Daniela ligou o celular da comandante, por volta da 1h da madrugada, relatando a ocorrência.

Em seguida, a tenente coronel ligou para o sargento PM Alan Fabrício Ferreira, que elaborava o auto de infração e apreensão do carro (por licenciamento vencido e pneus "carecas"), questionou e repreendeu a atitude dele.

A comandante disse em ligação gravada que o sargento estava "tumultuando" e deveria apenas orientar e não apreender o carro da vereadora.

“Porque isso daí é falta de bom senso, tá? Ela é vereadora. É, é, a condição, você pode muito bem estar fazendo e orientando, tá? E aí segunda-feira, ela pegaria o documento e não precisa apreender o veículo”, diz a comandante.

Ela também ameaçou retirar o policial do setor de trânsito, o que de fato aconteceu. “Se for desse jeito é o que eu to falando, você não vai estar mais segunda-feira no trânsito (...) porque essa aqui é uma ordem minha, você vai responder também”.

“Comandante, a senhora está falando isso, não estou descumprindo a ordem da senhora. A hora que a senhora me ligou eu estava no telefone com ela e o veículo já estava em cima do guincho. O veículo foi removido, mas segunda-feira eu converso com a senhora ”, responde o policial, na ligação.

“Porque você pura e simplesmente está fazendo algo que era desnecessário, infelizmente a gente tem esse tipo de contato dessa forma, você não ouviu as orientações que foram dadas, tá? Quem trabalha no trânsito tem que ter jogo de cintura e bom senso. Olha o que você tá causando, porque politicamente ela é vereadora. Não teve nem uma conversa, o que você está achando que você é?”, repreende a comandante.

DEPOIMENTO DO SARGENTO

O sargento Alan já foi ouvido pela Comissão, na Câmara Municipal. Disse que cumpriu a lei "que é igual para todos" e as normativas do Código de Trânsito Brasileiro.

"O veículo da vereadora, no caso, estava com o licenciamento em atraso. Mesmo que tivesse havido pagamento, teria que ser recolhido por más condições de uso".

Afirmou que em 23 anos de atuação no trânsito, nunca havia sido abordado por nenhum comandante com pedido de liberação de liberação de veículo ou "para não fazer nada".

O policial contestou ainda laudo apresentado pela defesa da vereadora, apontando que os pneus do carro estavam em condições de uso. "O aferimento foi feito com equipamentos diferentes. Resolução do Código de Trânsito diz que a verificação é visual. Mantenho a minha avaliação".

RELATÓRIO FINAL PODERÁ SER VOTADO NO DIA 9

O presidente da Comissão Processante ("CP da Carteirada"), vereador José Carlos Albuquerque (PSDB), disse ao JP neste domingo (25), que foi enviado ofício à comandante PM Cristal, na quarta-feira passada (21), convidando ela para prestar depoimento na Comissão as 10h da manhã desta segunda-feira (25).

"Como ela figura na condição de testemunha da vereadora Daniela, a Comissão não teve como fazer uma intimação, com presença obrigatória. Aguardamos a presença dela (comandante) nesta segunda-feira", explicou Albuquerque.

Após o depoimento, ou não, da comandante da PM, a Comissão vai abrir prazo de cinco dias corridos para as alegações finais da defesa da vereadora. Depois, haverá prazo de mais três dias para apresentação do relatório pelo vereador Mário Coraíni (PTB).

O relatório passará por votação entre os membros da CP (Albuquerque, Coraíni e o vereador João do Bar). Independente do resultado desta votação, será submetido à votação pelo plenário da Câmara Municipal, que poderá decidir pela cassação ou não do mandato da vereadora Daniela Alves. Há necessidade de sete votos favoráveis para eventual cassação.

Albuquerque acredita que o relatório final da CP será votado na sessão do próximo dia 9 de novembro (a seis dias das eleições). Nesta sessão, cada vereador terá 15 minutos para explanações na tribuna e a defesa da vereadora 1 hora para justificativas.

44 visualizações0 comentário