Buscar
  • Por Adilson de Lucca

Aposentado foi vítima do "crime do saco". Duas irmãs participaram da ação macabra e estão presas


Duas mulheres apontadas como autoras do macabro assassinato do aposentado Donizete Rosa, de 60 anos, cujo corpo foi abandonado em saco no centro de Marília nesta quarta-feira (9), estão sendo ouvidas em depoimento na Delegacia e Investigações Gerais (DIG) de Marília.

O aposentado era bem debilitado e, segundo a polícia, deve ter contratado as mulheres como cuidadoras dele. Familiares dele são de Gália. Ontem, no encontro do corpo, foi anunciado que se tratava de um homem de origem oriental, mas isso em função do estado de decomposição do corpo.

Elas, que são irmãs e aparecem em imagens de câmeras de segurança de comércio arrastando o saco com o cadáver no inicio da madrugada de ontem pela Rua 4 de Abril, foram detida por equipes da Polícia Militar por volta das 8h30 de hoje na Rua Coronel Galdino esquina com a Rua Bonfim, no Bairro Alto Cafezal.

Os policiais receberam um chamado delas próprias, que informaram terem sido vítimas de roubo.

"Quando chegamos no local ela estavam bem nervosas e diziam que tinham sido perseguidas por dois homens e agredidas", disse o sargento PM Érick, ao JORNAL DO POVO.

"Elas falavam coisas meio confusas e as reconhecemos como as suspeitas do homicídio", relatou. As irmãs apresentavam algumas escoriações. Estavam sozinhas quando a polícia chegou. Participaram da ocorrência, além do cabo PM Júlio, o cabo PM Danilo, o sargento PM Érick e o sargento PM Victor.

MARCAS DE SANGUE NO APARTAMENTO

O delegado titular da DIG, dr. Luiz Marcelo Perpétuo Sampaio, concedeu entrevista na CPJ, na manhã de hoje, onde falou sobre o caso, desvendado em menos de 12h com trabalho eficiente da equipe comandada por ele.

"Logo após a confirmação do encontro do cadáver, iniciamos as investigações e chegamos a um apartamento no Condomínio Center Franco (Rua 4 de Abril esquina com a Rua 9 de Julho). No apartamento, no segundo andar do prédio (sem elevador) havia manchas de sangue, apesar das marcas de limpeza bem recentes", disse o delegado.

Imagens das câmeras de segurança mostram que as duas mulheres saindo do prédio e conversando com o motorista de um veículo Nissan, que poderia ser de aplicativo.

O porta-malas do carro chega a ser aberto, mas o motorista recusa fazer o transporte e deixa o local. "Não conseguimos ainda identificar esse motorista, para saber o que levou ele a recursar o transporte e se ele sabia que se tratava de um corpo", disse o dr. Luiz Marcelo.

Sem a opção do veículo, a dupla arrasta o corpo em um saco de pano envolto em sacos de lixo e fechado com fita crepe.

Delegado Luiz Marcelo, titular da DIG, observa ficha de identificação da vítima

INSCRIÇÃO "JACK"

Havia inscrição de "Jack" no saco e um nome em idioma oriental. A expressão "Jack", a princípio, levou a polícia a suspeitar de crime de natureza sexual. Mas isso foi descartado, uma vez que a dupla deve ter pego o saco de pano, uado para embalar mercadorias, em alguma loja do centro comercial.

Marcas no cadáver, que estava amarrado, indicavam tortura e a morte há pelo menos uma semana. Nesse período o corpo deve ter ficado no apartamento. Bem "embalado", não exalava mau cheiro, até ser aberto pelos peritos na rua, ontem.

EMPRÉSTIMO BANCÁRIO

No apartamento, de cerca de 5 por 10 metros de área, havia roupas novas das mulheres, pétalas de flores de primavera e uma espécie de simbologia religiosa. O local estava arrumado. Havia uma geladeira com alguns alimentos e não tinha guarda-roupas.

Em um hall do prédio havia um sofá velho onde o idoso costumava dormir. A policia apurou que ele e as mulheres residiam no local há cerca de um ano. Está sendo levantado o contrato de aluguel.

As irmãs atuavam como cuidadoras dele, ao que tudo indica. Os policiais encontraram no local um notebook que pertencia à vítima. Estrato de banco indicava que há alguns meses foi feito um empréstimo consignado de cerca de R$ 25 mil em uma instituição bancária, em nome do aposentada.

A policia investiga a possibilidade das acusadas terem ficado com o dinheiro. Está sendo apurado inclusive se elas fizeram saques do dinheiro.

"MUITO MENTIROSAS"

O delegado da DIG definiu as mulheres como "bastante frias e muito mentirosas". Elas são procedentes do Estado de Minas Gerais. "Ainda não conseguimos apurar a identidade delas. Já deram três nomes falsos", relatou.

As mulheres, na DIG, negaram envolvimento com o crime, mesmo com a policia tendo a certeza de que se trata delas nas imagens sobre o crime. Na bolsa de uma delas foram encontrados três pinos de cocaína. Ainda hoje deverá ser requisitada a prisão temporária das acusadas.

Sala da CPJ onde as acusadas prestaram depoimento, hoje








1.788 visualizações0 comentário