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Cabo PM Rubens Rogério fala sobre a luta em busca de justiça até a absolvição pelo Tribunal do Júri

  • Adilson de Lucca
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

"Um alívio. Graças a Deus, ao apoio da minha família, do jurídico e dos amigos mais próximos, foi feita justiça e houve a absolvição".

Com essa afirmação em tom emocionado, o policial militar em processo de reintegração, Rubens Rogério de Oliveira, de 55 anos, concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (28), na sede da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar em Marília e falou sobre sua absolvição em ação judicial movida após interceptações telefônicas com diálogos entre ele e investigados aqui na cidade.

Ele já havia sido absolvido pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM) em São Paulo, que correu logo no início do processo na justiça comum.

A absolvição de Rubens Rogério pelo TJM não evitou a demissão dele da corporação. Há alguns anos essa regra mudou e a absolvição pelo TJM impede o desligamento da corporação.

"Na época, eu estava em pleno curso de formação de sargento na Academia da Polícia Militar. Muito sofrimento, uma luta de 15 anos onde tentaram macular a minha honra", lembrou Rubens.

Herivelto Ragassi, tesoureiro da Associação de Cabos e Soldados da PM, Rubens Rogério de Oliveira, integrante da Associação, José Carlos Albuquerque e Fabiano Albuquerque, respectivamente presidente e secretário da entidade

AÇÃO JUDICIAL

A ação foi iniciada em 2011 e se arrastou por 15 anos na Justiça. O desfecho ocorreu em julgamento pelo Tribunal do Júri, realizado nessa quinta-feira (27).

Ao final dos procedimentos de mais de 15 horas, o juiz Alessandro Correa Leite leu a sentença de absolvição. "O Conselho de Sentença decidiu, nesta data, que os réus não praticaram os crimes pelos quais foram denunciados", mencionou a decisão.

Ficou comprovado pelos depoimentos no julgamento que parte das gravações obtidas com interceptações de ligações telefônicas (anexadas aos autos) estavam fora do contexto, ou seja, foram "recortadas" de diálogos onde o cabo Rubens, com pleno conhecimento de seus comandantes, buscava obter com informantes detalhes sobre atuação de criminosos aqui na cidade. Superiores comprovaram isso em depoimentos.

Rubens Rogério, o Rubão como é conhecido, lembrou que enfrentou extremas dificuldades para manter a família (esposa e quatro filhos). "Com esse processo, nem como motorista de Uber eu consegui atuar. Somente eu, minha família e amigos próximos sabem o quanto difícil foi e ainda tem sido até hoje essa luta", relatou.

Ele agradeceu de forma especial a diretoria da Associação dos Cabos e Soldados da PM. "O Albuquerque (presidente da entidade) não quis falar, mas, além de apoio jurídico, até ajuda com dinheiro e alimentos eu recebi. Aqui me estenderam a mão, me ajudaram e sou eternamente grato por isso".

Rubão não conteve as lágrimas ao lembrar das dificuldades que enfrentou nesse período com a luta de um de seus filhos contra um câncer que o levou à óbito e a morte de seu avô, que também foi policial militar. "Infelizmente, eles não estão mais aqui para ver essa vitória que eu prometi a eles".

Rubens Rogério ingressou na Polícia Militar em 1990 e até o início da referida ação judicial nunca havia respondido a nenhum procedimento disciplinar. "

APOIO DA ENTIDADE

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar (Regional Marília), José Carlos Albuquerque, disse que, quando a entidade tomou conhecimento do desligamento do então cabo Rubens Rogério da corporação, foi um choque. "Pela reputação e atuação positiva que ele sempre teve como policial, naturalmente foi um abalo para nós também", lembrou Albuquerque.

"Na época, abraçamos o Rubens e já disponibilizamos, além da solidariedade, todo apoio jurídico, acompanhando ele no Tribunal de Justiça Militar, onde ele foi absolvido por um juiz togado".

Albuquerque disse que nesta fase do julgamento pelo Tribunal do Júri, a entidade disponibilizou o advogado especialista na área, dr. Cláudio José Palma Sanchez (em parceria com a Regional de Assis).

"Ficamos muito felizes e contemplados com essa vitória do Rubens, porque conhecemos bem quem é ele, um profissional honrado e pai de família exemplar", disse Albuquerque. Ele explicou que após os trâmites legais (como publicação do acórdão da absolvição), deverá ser iniciada uma ação de reintegração do cabo Rubens Rogério à corporação, além de outras eventuais medidas judiciais cabíveis. "O Rubens merece voltar a vestir a farda que sempre honrou".


 
 
 

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