"Todo mundo tem direito ao desabafo". Com essa frase inicial, o ex-prefeito e ex-deputado, Abelardo Camarinha (Podemos), voltou aos microfones da Rádio 950 e detonou o filho e prefeito, Vinicius Camarinha (PSDB), o vice-prefeito, Rogerinho e até a primeira-dama, Tássia Camarinha, que estreou na função este ano.
"Uma das dores mais profundas, é a ingratidão... Honrai pai e mãe para que tenha os seus dias prolongados na terra. Então, a gente se sente no direito de vir aqui e fazer um desabafo", afirmou Camarinha.
"Não aguentamos mais! E olha que o Camarinha é osso duro de roer! Não aguentamos a perseguição, as injustiças que estão fazendo com a minha pré-candidatura", acrescentou o ex-deputado.
Em seguida, disparou críticas ao atual prefeito. "A cidade toda esburacada, fila na saúde pública, reclamações de toda ordem. Nós estamos aí com uma fila enorme, principalmente na saúde mental das mulheres e não diminui essa fila. E eu vejo aí o prefeito anunciando praça de R$ 220 milhões. Eu acho que tem que ser o contrário. Tem que ser a saúde, tem que ser a infraestrutura, o asfalto".
Camarinha elogiou o trato às crianças nas escolas. "A crítica quando tem que ser construtiva. Eu estou aqui para ajudar", justificou.
O ex-deputado alegou que está sendo "barbaramente traído" por pessoas que devem tudo a ele.
Citou o nome do vice-prefeito Rogerinho, "que não tem expressão política, não tem voto, não tem nada, não é conhecido e não está preparado para representar o nosso povo".
Os ataques de Camarinha ao vice-prefeito são direcionados à pré-candidatura dele (Rogerinho) a deputado estadual.
Camarinha esticou o chiclete e atingiu também a primeira-dama, Tássia Camarinha, especulada como pré-candidata a deputada. "Agora, arrumam também uma candidata de Bauru, que nem sabe onde é Marília, nem sabe onde é os bairros, tem que andar de Uber na cidade".
O ex-deputado acrescentou: "tenha santa paciência, vamos dar a César o que é de César. Quem é o merecedor de resgatar o protagonismo de Marília em São Paulo é o Camarinha". Lembrou de seus mandatos como prefeito por três vezes e deputado em cinco legislaturas (três como deputado estadual e duas como deputado federal). "Camarinha tá com a cabeça boa, tá com a saúde boa, tá no auge da sua vida para dar experiência para Marília", observou.
JULGAMENTO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Está na pauta da 9ª Câmara do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (30), recurso do Ministério Público (MPSP), sobre decisão da juíza da 5ª Vara Cível do Fórum de Marília, Ângela Martinez Heinrich, que considerou cumprida a pena de suspensão dos direitos políticos de Abelardo Camarinha. Ele havia sido condenado a perda dos direitos políticos por cinco anos em ação por improbidade administrativa iniciada em 2002.
Segundo a magistrada, na decisão em janeiro deste ano, embora o trânsito em julgado definitivo só tenha sido certificado em 27 de maio de 2022, o réu já vinha sofrendo os efeitos da suspensão desde 29 de outubro de 2020, data em que o processo havia sido inicialmente dado como encerrado. Por isso, aplicando por analogia regras do processo penal, a juíza determinou que esse período seja computado no cumprimento da sanção .
O MP entende que o início do cumprimento da pena deveria ser considerado após o trânsito em julgado de todos os recursos da ação, o que, segundo o órgão, teria ocorrido em outubro de 2022 e, portando, a suspensão ocorreria até 2027.
O advogado Cristiano Mazeto, defensor de Camarinha não, disse estar confiante em uma decisão favorável no julgamento do TJ. "A juíza, em primeira instância, extinguiu a pena. O Camarinha cumpriu mais do que o determinado. Cumpriu seis anos de suspensão dos direitos políticos. Vamos aguardar o julgamento e confiamos na justiça", resumiu.
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