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  • J. POVO- MARÍLIA

Carcereiro acusado de estupros em delegacia é apontado como psicopata por detentas


Detentas relatam ter sofrido abusos, intimidações e xingamentos por parte do policial civil, suspeito de estuprar jovem de 18 anos

Após reportagens veiculadas pela Record TV sobre a acusação de estupro contra um carcereiro, outras duas mulheres denunciaram assédio e ameaça cometidos pelo mesmo policial civil enquanto estavam detidas na carceragem da delegacia de Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

Os relatos vieram à tona após Ketlyn Valenzuela dos Reis, 18 anos, relatar ter sido estuprada pelo homem. Ele teve prisão decretada pela Justiça, foi afastado de sua função e é investigado pelo crime. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), diligências são feitas para localizá-lo.

Em depoimento, o suspeito mudou a versão depois de ter negado a relação. Ele admitiu ter tido relações sexuais com Ketlyn, mas negou estupro e disse que a relação foi consensual.

Preocupado com outras possíveis vítimas, o advogado de Ketlyn, Amadeu de França, procurou colegas que trabalham em Barueri para alertar sobre o carcereiro. Esses advogados perguntaram a clientes se sofreram abusos parecidos quando ficaram presas na delegacia. Foi quando duas das vítimas decidiram denunciar. Elas não quiseram ser identificadas.

Novas denúncias Uma das vítimas, de 21 anos, relatou que viveu momentos de tensão durante os sete dias em que ficou presa temporariamente na carceragem da delegacia de Barueri, em janeiro deste ano. Ela conta que chegou ao distrito policial em uma quarta-feira, no início da tarde, e foi recebida pelo carcereiro. Sua primeira impressão foi de estranhamento diante do funcionário, que, tão logo a viu, perguntou se ela era uma mulher "bem limpa" e "de família".

Como nunca esteve presa antes, a vítima conta que se sentiu nervosa e respondeu que sim. O policial emendou dizendo que lhe daria a melhor cela da carceragem. Nas primeiras 24h, a mulher relata que recebeu diversas investidas verbais do carcereiro responsável por sua guarda.

Ela descreve que o banheiro com chuveiro ficava ao fundo da cela e, no lugar das portas, havia uma cortina de pano utilizada como divisória, para manter a privacidade das presas durante os momentos íntimos e de higiene.

Recorda-se de o homem pedir insistentemente que ela tomasse banho. Por vezes, em tom de chacota, o policial ameaçava remover a cortina do cômodo. Também pedia que ela não se preocupasse, garantindo que já tinha visto outras mulheres peladas ali.

Durante os sete dias em que ficou presa, a mulher contou que esteve na presença do carcereiro durante dois turnos de trabalho dele. Na segunda vez, assim que assumiu o posto e entrou na carceragem, o policial a abraçou, disse que estava com saudades e aproveitou para passar a mão na sua nádega.

Com medo, a vítima esperava o carcereiro dormir ou alguma visita chegar, para tomar banho em segurança. Além de intimidá-la, o policial afirmava que ela ficaria presa por 30 dias e que, por esse motivo, era melhor que cooperasse com ele.

A vítima não responde mais a nenhum processo e estuda a possibilidade de representar contra o carcereiro.

A outra denunciante, uma detenta de 36 anos, estava tomando banho no interior da cela, quando percebeu a cortina sendo puxada por uma mão masculina. Era o carcereiro Carlos, conta. Rapidamente, ela se enrolou nas roupas que tinha, o empurrou e gritou alto o suficiente para alertar outra policial civil.

O fato aconteceu dias após ter dado entrada na carceragem da delegacia de Barueri, presa temporariamente, em dezembro de 2021. A vítima descreve o carcereiro como agressivo e "psicopata".

Durante os 30 dias em que ficou presa até ter a prisão convertida em domiciliar, a vítima presenciou uma série de situações constrangedoras. Ela denuncia que foi xingada, humilhada e assediada. A mulher conta que, na frente de outros policiais, o carcereiro se comportava de maneira diferente, o que a impedia de denunciar, porque desconfiava que ninguém fosse acreditar na sua versão.

Ela relata que se sentia intimidada não só pelo comportamento agressivo mas também pela arma que o homem carregava no coldre.

Investigação A última denúncia foi apresentada por Ketlyn. Ela estava detida no local após ser presa em flagrante por tráfico de drogas. Na noite de sábado , segundo seu advogado, Amadeu de França, Ketlyn foi abordada pelo policial em uma sala dentro da carceragem. No cômodo, o policial civil a teria estuprado.

De acordo com Amadeu, a carceragem do distrito policial recebe mulheres presas temporariamente e também possui outras duas celas, em andar superior, para menores infratores. Ketlyn estava no local de maneira excepcional.

Segundo o boletim de ocorrência, a princípio o policial negou qualquer relação com Ketlyn. Ainda no domingo, o homem prestou um novo depoimento em que admitiu ter tido relação sexual com a jovem, mas que teria sido consensual.

O advogado da vítima só teve acesso ao novo relato na noite da terça-feira. No documento, Carlos diz que Ketlyn "se insinuou" para ele, querendo benefícios em troca de relações sexuais.

Ao ser entrevistada no plantão policial, a vítima contou que havia sido abusada sexualmente pelo carcereiro. Foi requisitada perícia no local onde a vítima denunciou ter acontecido a agressão, além de exame para constatação de conjunção carnal e toxicológico para Ketlyn, no Hospital Pérola Byington.

Foram requisitados exames para constatação de lesão corporal, exame toxicológico e coleta de material biológico de Carlos para possível teste de confronto, segundo o boletim de ocorrência. O perito coletou vestígios de material biológico no móvel, onde, segundo informações, houve o estupro.

Até um parecer do Judiciário, Ketlyn permanece no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franco da Rocha, para onde foi transferida.







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