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Casos de violência doméstica cresceram 75% este ano, em Marília. Operação policial prendeu seis agressores, ontem

  • Adilson de Lucca
  • 8 de ago.
  • 3 min de leitura
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Cresceu mais de 75% este ano em Marília, o número de agressões registradas contra mulheres. Só no primeiro trimestre deste ano, foram 187 medidas protetivas emitidas, uma média de duas por dia, segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Nos seis primeiros meses do ano, dado mais recente divulgado pelo TJ, o número saltou para 763 medidas, quase 10% a mais que o mesmo período em 2024, quando foram emitidas 699 medidas protetivas (no ano todo foram 749, número também abaixo dos seis primeiros meses de 2025).

OPERAÇÃO SHAMAR

Operação especial alusiva aos 19 anos da Lei Maria da Penha, em Marília, resultou na prisão de 6 homens denunciados por violência doméstica, em Marília, nesta quinta-feira (7). Os trabalhos desenvolvidos pela Polícia Civil e Polícia Militar começou nas primeiras horas da manhã. A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), dra. Darlena Costa da Rocha Tosin, coordenou os trabalhos das equipes.

Também foram realizadas visitas à mulheres com medidas protetivas, verificando a situação delas.

DENÚNCIA QUE MUDA REALIDADES

A possibilidade de mudar a realidade por meio da denúncia foi o que salvou a vida da Maria (nome fictício para preservar a identidade da entrevistada), que viveu em situação de violência por mais de cinco anos.

Em entrevista, ela contou que no relacionamento, o que ela queria não tinha importância, só valia o que o companheiro queria. E tinha que ser do jeito dele. “Eu não tinha voz. Estava presa emocionalmente, não conseguia sair, mesmo sofrendo,” diz ela.

A agressão que Maria sofreu não foi só física. Teve a violência que a gente não vê, a psicológica. É quando o parceiro humilha, ameaça, controla e limita a liberdade. “Eu me sentia pequena, culpada. Achava que merecia aquilo, que não conseguiria sair da relação,” lembra.

E não é só com a Maria que isso acontece. Os casos de violência doméstica, na verdade, são sintomas de um problema maior, o machismo estrutural. Cada número tem uma história por trás, uma mulher que foi agredida dentro da própria casa, muitas vezes por quem dizia a amar. A violência pode ser física, mas também psicológica, sexual, patrimonial ou moral, e todas deixam marcas profundas.

Maria lembra da primeira agressão: “Ele me bateu ainda quando a gente estava se conhecendo, começando a namorar. Eu achava que era coisa do começo, que ele ia mudar. Mas depois de cinco anos, indo e voltando, eu parei e olhei pra mim. Vi que merecia ser feliz e que aquilo que eu achava que era felicidade, me fazia mal, me adoecia.”

Foi o apoio da família que ajudou Maria a sair daquela prisão invisível.

“Muita gente achava que eu gostava daquilo, que eu queria estar ali, mas não é assim. A gente fica presa, sem força pra sair.”

Mas o tempo para pedir ajuda muitas vezes curto, já que muitas mulheres acabam sendo assassinadas dentro de casa, onde deveriam estar seguras.

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No último sábado (2), uma mulher de 55 anos foi morta pelo ex-companheiro a facadas, em Vera Cruz. O homem foi encontrado em Pompeia, ainda no sábado, após fugir de uma abordagem na cidade do crime. Ele foi encontrado na casa de um conhecido. Detido pela Polícia Militar, confessou o crime e disse que agiu por ciúmes.

APOIO EMOCIONAL

Hoje, graças à Lei Maria da Penha, que criou serviços como delegacias especializadas, a mulher não precisa sair de casa para buscar ajuda. Ela pode ligar para o 180 e denunciar a situação que está vivendo de forma segura a qualquer hora. A ligação é gratuita e pode ser anônima.

Um gesto simples também pode ajudar: o “sinal da mão”. A vítima fecha a mão, levanta o polegar e depois o fecha dentro do punho, pedindo socorro de forma discreta. Ao perceber esse sinal, qualquer um devem buscar ajuda imediatamente, acionando a polícia ou os serviços de proteção.

Em Marília, o Centro de Apoio, na Rua Quatro de Abril, 763, também acolhe essas mulheres. Lá, elas recebem encaminhamentos para atendimentos psicológico, médico e jurídico.

Maria, que conseguiu sair dessa situação, deixa um alerta:

“Para mulheres que estão nesse tipo de relacionamento, eu peço que fiquem atentas aos detalhes. São neles que vemos o caráter de cada homem... um empurrão, um tapa, tudo é agressão… E só piora com o passar do tempo.”

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