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Cesta básica x celulares, bebidas, automóveis…O que dá para comprar com o valor de uma cesta básica?


Por Suzana Ferreira*

ESPECIAL PARA O JORNAL DO POVO


A atualização do preço da cesta básica impacta diretamente o bolso do consumidor. Saiba qual é o poder de compra com o novo valor do salário mínimo


De tempos em tempos, você já deve ter visto divulgações sobre os novos preços da cesta básica, o aumento no preço dos itens da cesta e como isso impacta no dia a dia do brasileiro.

Mas você sabe o que é a cesta básica e como ela influencia no bolso do trabalhador? Além disso, como comparar o preço da cesta básica com outros itens de consumo?

Neste artigo, reunimos as principais informações sobre a cesta básica, qual é a relação deste índice com o salário mínimo e também um breve comparativo do preço da cesta com outros produtos que estão presentes na sua rotina. Vamos lá?

Afinal… o que é a cesta básica?

Apesar de ser um termo muito comum em nosso dia a dia, o conceito de cesta básica é definido pela legislação brasileira.

A Cesta Básica Nacional foi estabelecida em 1938 pela Lei nº 399 pelo governo brasileiro. Nela, há a definição de alimentos ricos em ferro, cálcio, proteínas e fósforo e que são essenciais para garantir a subsistência de uma família com a saúde e o bem-estar necessários.

Os itens que compõem a cesta básica são praticamente os mesmos, mas pode haver pequenas alterações de acordo com a região do Brasil em avaliação.

Fazem parte da Cesta Básica Nacional produtos como arroz, feijão, leite, carne, farinha, café em pó, óleo ou banha, açúcar, sal, manteiga, legumes, verduras e frutas.

A partir desta seleção, três institutos de pesquisa (Procon, Dieese e Fipe) fazem um levantamento em supermercados de todo o País para acompanhar a variação nos preços desses produtos. Os dados são divulgados à população posteriormente.

A pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) é, atualmente, a mais abrangente sobre os valores da cesta básica. Realizada em todos os estados do Brasil, a pesquisa coleta os preços em supermercados e faz uma média nacional de cada um dos 13 itens que compõem a cesta básica.

Em seguida, o valor médio da cesta básica é dividido pelo valor do salário mínimo e, então, multiplicado pelo número de horas na jornada mensal de trabalho - limitada a 220 horas. Desta forma, é possível saber quantas horas uma pessoa tem de trabalhar para adquirir determinado produto da cesta.

Os valores divulgados são baseados em uma cesta básica individual, ou seja, referente às necessidades de uma pessoa.

Cesta básica e salário mínimo: qual é a relação?

O reajuste do salário mínimo é realizado anualmente e sempre entra em vigor a partir do primeiro dia do ano. Em 2022, o valor do salário mínimo é de R$ 1.212, o que representa um ajuste de 10,02% em comparação com a remuneração do ano passado.

Mas o que isso tem a ver com a cesta básica?

A definição do preço da cesta básica é fundamental para o governo federal. Afinal, esse é um dos principais índices utilizados para definir a política salarial do país; ou seja, realizar os ajustes do salário mínimo no Brasil ano após ano.

De acordo com o levantamento de novembro de 2021 feito pelo Dieese, Aracaju (SE) registra a cesta básica com preço mais baixo das capitais (R$ 473,26, ou 46,5% do salário mínimo), enquanto Florianópolis (SC) tem o valor mais alto (R$ 710,53, ou cerca de 70% do salário mínimo).

É importante lembrar que as compras de supermercado não são a única despesa de uma família. É preciso pagar, também, contas de aluguel ou financiamento, água, luz, gás, gasolina, impostos, educação, saúde, entre outros muitos encargos.

Em setembro de 2021, a consultoria IDados mostrou que 34,4% dos trabalhadores brasileiros recebem até um salário mínimo, maior patamar desde 2012. O número recorde equivale a 30 milhões de pessoas. Por isso, comprar itens básicos de alimentação já pode ser desafiador para muitos trabalhadores em 2022.

Ainda de acordo com o Dieese, o salário mínimo atual tem o menor poder de compra para a cesta básica nacional, a pior proporção dos últimos 15 anos. Em 2005, a cesta básica representava 62,5% do piso salarial - a cesta custava cerca de R$ 178 e o salário mínimo era de R$ 300.

Em 2017, o Brasil atingiu a menor proporção neste comparativo. Com um salário mínimo de R$ 937, o valor da cesta básica representava 46% deste total.

Impactos

Saber os valores da cesta básica é muito importante não apenas para o governo, que utiliza o dado como referencial para reajustar o valor do salário mínimo todos os anos. Acompanhar esta variação também pode ser importante para o seu bolso.

Muitas pessoas acompanham as flutuações nos preços de cada item que compõem a cesta básica para organizar as compras de casa e as finanças, evitando entrar no vermelho.

Outra função da cesta básica é ajudar a regular o mercado. Com uma base de comparação válida para todo o País, estabelecimentos comerciais que vendem aqueles produtos evitam trabalhar com preços abusivos, já que o consumidor conhece a média de preço de cada item.

Comparativo: cesta básica x outros itens

Agora que você já entendeu como funciona o cálculo dos preços da cesta básica e como isso impacta na sua vida e também no mercado, que tal comparar o preço da cesta com outros produtos?

Para esta comparação, utilizaremos como base o valor da cesta básica na cidade de São Paulo. Em novembro de 2021, o Dieese divulgou um levantamento que apontava que uma cesta básica individual na capital paulistana custava R$ 693,79 - a segunda mais cara do Brasil.


Vamos ao comparativo:

● Um iPhone 13 128 GB custa, em média, R$ 6.599,00. Com este valor, é possível comprar 9,5 cestas básicas.

● A picanha, um dos cortes bovinos mais apreciados pelos brasileiros, gira em torno de R$ 95,00 o quilo. Isso equivale a 13,7% do preço total de uma cesta básica.

● O uísque Jack Daniel’s, um dos mais prestigiados do mundo, custa, em média, R$ 139,89. O valor de uma garrafa equivale a 20,2% do preço da cesta básica.

● O tênis Converse All Star Cano Alto custa cerca de R$ 210,00. Com 30,3% da cesta básica, é possível adquirir um par deste clássico da moda.

● O litro da gasolina está com preço médio de R$ 6,608,00. Para encher o tanque de um carro popular como o Chevrolet Onix, é necessário desembolsar R$ 291,00. Isso equivale a 41,9% do preço da cesta básica.

Dicas para economizar nas compras

Quem quer economizar nas compras de produtos essenciais pode contar com boas dicas que começam na análise dos preços da cesta básica e passam por buscar os melhores estabelecimentos. Confira nossas dicas

Utilize a lista da Cesta Básica Nacional a seu favor

A base da sua lista de produtos essenciais pode ser a listagem oficial da Cesta Básica Nacional. Isso ajudará a nortear os produtos básicos do dia a dia, além de ser mais fácil acompanhar a variação dos preços nestes itens

Priorize produtos comuns na sua região e da estação

Apesar de muitos alimentos serem comuns em todo o país, como arroz e feijão, é comum que existam ingredientes em maior quantidade em um estado e em menor em outro.

Quem mora no Amazonas terá acesso a alimentos diferentes daqueles de quem mora em Santa Catarina. Por isso, para economizar nos itens essenciais, busque alimentos mais consumidos de acordo com a cultura do lugar onde você mora.

Você sabia que itens de hortifruti podem mudar de preço conforme a estação? Além de ser uma opção mais saudável, também pode ser mais econômica, pois são necessários menos esforços para manter a plantação de uma espécie típica de determinada estação do ano.

Confira esta lista dos vegetais da estação e veja como isso ajudará a fazer a diferença nas suas compras!

Experimente comprar em supermercados online

A pandemia de Covid-19 representou uma grande mudança no comportamento de consumo da sociedade. De acordo com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 61% dos consumidores fizeram compras online durante a pandemia, e o volume no aumento de compras cresceu mais de 50% em alguns casos.

Uma das vantagens dos supermercados online é a facilidade na pesquisa de preço e na hora de fazer o carrinho. Além disso, o tempo para fazer a compra é muito menor que em um mercado físico, sem precisar pegar filas. Por isso, pesquise esta opção para economizar nas compras!


* Suzana Ferreira representa a Hedgehog Digital

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