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  • J. POVO- MARÍLIA

CPI DA COVID: depoimento da diretora da Gota de Leite na Câmara de Marília vira Torre de Babel


"Misturada de coisas...não estamos falando a mesma língua". Assim a diretora da Maternidade Gota de Leite de Marília, Virgínia Balloni, definiu a oitiva dela na CPI da Covid na Câmara Municipal, na manhã desta sexta-feira (17).

Em mais de duas horas, a oitiva se tornou uma verdadeira Torre de Babel entre os vereadores integrantes da Comissão (Élio Ajeka, Ivan Negão e Vânia Ramos) e a depoente. "É uma salada!", disse ela em uma das indagações de Ajeka.

Em outros questionamentos, Virgínia afirmou: "não sei onde vocês querem chegar! Não estamos falando a mesma língua". E acrescentou: "Não sei qual o impacto disso... estão correndo atrás de dinheiro, esquecem dos resultados, do trabalho todo desenvolvido, que está dando resultad. Acho meio complicado, atrás de dinheiro...se contratei dez, paguei dez, se contratei quinze, paguei quinze...Não entendo onde vocês querem chegar!". Em outro ponto da oitiva mencionou: "vocês estão atrás do dinheir, na minha conta não está, na conta da Gota não está!".

"NÃO SEI DE TUDO"

Os embates mais acirrados foram entre o relator da CPI, Ivan Negão e a diretora da Gota de Leite. Ao questioná-la mostrando documentos, recebeu como resposta: "não sei de tudo, teria que ficar 24h lá. Pego as documentações, dou uma olhada por cima e encaminho...tem equipe, tenho que confiar na equipe... não sou contadora".

"A senhora não sabe o que se passa na casa de trabalho da senhora? Fica complicado!", comentou Negão. "Eu teria que pedir demissão", disse Virgínia. "Se for o caso...", emendou o vereador.

O vereador citou prestação de contas à população porque houve mortes.

A diretora da Gota de Leite disse que presta trabalho voluntário, sem receber salário. "Não recebo nada, pago para ir trabalhar".

Houve ainda questionamentos sobre imbróglios judiciais que resultaram na anulação de convênio entre a Gota e Prefeitura para gestão do Programa Saúde da Família. "Foi anulado pela Justiça Federal, mas continua funcionando, porque não pode parar", disse Virgínia. Explicou que a entidade fez um acordo com a Justiça Federal "porque o juiz não sabia o que fazer" e houve liminar para continuar os trabalhos.

Questionou o fato dos integrantes da CPI estarem "mexendo no passado" e sugeriu que "olhem para o futuro". Ainda ironizou: "vocês deveriam mandar anular o convênio (risos)".

Ivan Negão insistiu: "mais de três milhões em um convênio anulado e a senhora não tem ciência disso?". Virgínia justificou: "preciso ver". A vereadora Vânia manteve o questionamento: "Onde foi investigado, o convênio foi anulado e continua recebendo recursos!". A diretora da Gota arrematou: "não tenho o que responder. Para mim não está anulado, continuamos trabalhado tranquilamente".

CHAMAMENTOS

Ela mencionou os chamamentos públicos abertos pela Prefeitura para gestão dos convênios. Foi feito um chamamento e o TCE cancelou. Foi feito outro e também cancelou. "Agora tem um terceiro chamamento. Na pior das hipóteses nosso convênio com a Prefeitura termina no final do ano e não sei o que vai acontecer", comentou a diretora da Gota de Leite.

Ela tratou os vereadores Ivan Negão e Vânia Ramos como "meu amor" e "bonitinha", respectivamente. Disse que recebeu cerca de R$ 200 mil para compra de insumos para combate à Covid, como álcool em gel, sabão e outros. "Fiquei rica com esse dinheiro (risos)".

Questionada sobre vários milhões recebidos pela Gota de Leite da Prefeitura, para a Covid, conforme consta no Portal da Transparência, a diretora da Maternidade disse desconhecer. "A Gota não recebeu nenhum dinheiro específico para combate a Covid. Os únicos dois valores que a Gota recebeu (cerca de R$ 200 mil) é dinheiro de consumo para a Maternidade".

Sobre as compras de insumos, Ajeka alfinetou: "inclusive bastante papel higiênico!".

A declaração de Virgínia, sobre não ter recebido verbas específicas para a Covid, causou espanto nos integrantes da CPI. "Estou surpresa!", disse Vânia Ramos. "Mas os termos e valores estão no Portal da Transparência", ressaltou Ivan Negão. "É a Prefeitura quem coloca", emendou Virgínia.

"Consta valores destinados ao enfrentamento emergencial da Covid destinados à Gota", acrescentou Ajeka. "Tem alguma coisa errada aí. Não recebi nada", reafirmou a diretora da entidade. "A Gota nunca fopi porta de entrada para a Covid. Se chegava alguma paciente lá com sintomas, encaminhávamos para o H.M.I".

Em meio ao debate que se seguiu, Virgínia completou: "Pode ter sido, deduzo, pagamento dos contratados para a Covid, mas esses valores não vieram direto para a Gota".

"ENTÃO VAMOS DESCOBRIR"

Entre perguntas "jogadas ao ar", como mencionou Virgínia e respostas, ou a lalta delas, a oitiva descambou mesmo para a "misturada de coisas" citada pela depoente.

"Misturam tudo! Faço a folha de pagamento e prestamos contas", resumiu. "Não sei de onde vêm os recursos, de estadual ou federal. Questão financeira é obrigação da secretaria da Saúde. Não faço gestão do dinheiro. Existem obrigações e deveres da Prefeitura e obrigações e deveres da Gota, dentro do convênio".

Ivan Negão insistiu: "mais de três milhões e não sabe onde foi usado para Covid? Muitos milhões, onde foi, nossa população, temos que saber". Virgínia emendou: "então vamos descobrir".

Caminhando para o fim, a diretora da Gota de Leite disse que imaginou que seria uma oitiva "simples. Falou que se soubesse que iam perguntar tantas coisas teria levado advogado e uma equipe para ajudá-la no depoimento. "Com tudo isso na cabeça fico mais maluca do que já estou. Isso parece um inquérito policial".

Disse que poderá voltar à CPI quantas vezes os vereadores quiserem, porque zela pelo nome da entidade que é responsável. "Não quero que haja dúvidas". Sugeriu a Ajeka que a CPI encaminhe a ela uma relação de perguntas sobre o que a CPI deseja saber. O presidente da Comissão acatou a sugestão.

Ivan Negão disse que quer saber quantos funcionáris foram contratados pelo convênio da Gota de Leite especificamente para atuar na Covid. "Impossível isso", adiantou Virgínia.

Sobre a prestação de contas da Maternidade, a diretora disse que "que vai direto do escritório para a secretaria da Saúde. Dou uma oha por cima e assino".

"A senhora não tem conhecimento da prestação de contas?!", questionou Ajeka. "De novo!!", murmurou Virgínia. "Vocês fazem perguntas sobre valores. Não sei. Teria que trazer o contador".

A diretora disse ter assinado um termo encaminhado ao TCE garantindo que entre os cerca de 800 funcionários contratados pelos convênios com a Prefeitura não tem parentes até segundo grau ou pessoas ligadas a politicos ou à pessoas do Poder Público.

GAECO E TCE

Afirmou que também prestou contas ao Gaeco, sobre verbas da Covid. "Gaeco, crime organizado?", cutucou Ajeka. Ivan Negão ainda perguntrou sobre eventuais contratações emergenciais de funcionáriso durante a pandemia a Covid. "Não vou responder. Isso aqui não tá parecendo CPI. Tá parecendo investigação tentando colocar culpa em coisa que não existe... Da próxima vez tragoi mais pessoas junto, quem sabe morre menos gente. Não tenho mais o que responder. Vocês não foram específicos naquilo que vocês queriam. Coisas que eu não tenho que ouvir, que não precisava estar ouvindo". Ajeka respondeu. "Essa é a função da CPI, questionar e esclarecer".

No resumo da ópera, ou a diretora da Gota de Leite será convocada novamente pela CPI, encaminha questionamentos por escrito, como se comprometeu ou a "misturada de coisas" que ela citou será "desmisturada" no relatório de Ivan Negão.





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