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  • J. POVO- MARÍLIA

CPI da Covid questionou Cassinho sobre verbas, compras, fala do prefeito sobre UTIs e outros rolos


O secretário municipal da Saúde, Cássio Luiz Pinto Júnior, o Cassinho, prestou depoimento na CPI da Covid na manhã desta sexta-feira (3), na Câmara de Marília.

Durante quatro horas, ele respondeu a maioria das perguntas dos integrantes da Comissão (vereadores dr. Élio Ajeka, Vânia Ramos e Ivan Negão). Outra parte dos questionamentos deverá ser encaminhada nos próximos dias via ofício. O vereador Marcos Custódio (Podemos) também acompanhou a oitiva de hoje.

A primeira pergunta foi sobre valores recebidos pela Prefeitura de Marília para combate à pandemia, desde março de 2019. Cassinho apontou o valor de pouco mais de R$ 70 milhões, até o final do mês passado, sendo 19% de recursos próprios, 7,4% de verbas estaduais e 73,7% de recursos federais. Houve ainda doações em torno de R$ 9 milhões, entre elas devolução de parte das verbas do duodécimo pela Câmara Municipal.

Cassinho lembrou de polêmica envolvendo a atual gestão e opositores que revelaram esse mesmo valor tempos atrás. "Ocorre que quando falaram R$ 70 milhões, o valor real era em torno de R$ 30 milhões", justificou.

LEITOS DE UTIS

O secretário disse que o Município contratou cerca de 100 leitos (entre U.T.I e enfermaria) em hospitais da cidade para pacientes da Covid. Os custos foram de R$ 1.600 por dia para leitos reservados de U.T.Is (ocupados ou não) e R$ 1.500 de enfermaria.

Citou ainda a criação de leitos transitórios na UPA da Zona Norte e no P.A da Zona Sul, além de um Polo Covid junto à UBS do Nova Marília com 16 leitos de enfermaria e um de urgência e emergência. "Tudo para desafogar os hospitais em períodos mais críticos da pandemia".

"NÃO É GARANTIA DE VIDA PRA NINGUÉM..."

Indagado sobre o fato do prefeito Daniel Alonso (PSDB), ter dito na própria CPI em maio deste ano, que "leito da UTI não é garantia de vida pra ninguém" , Cassinho disse que se eximiria de responder a questão justificando que "a fala do prefeito foi retirada de um contexto".

PESSOAL

Falou sobre contratação de pessoal de reforço para o combate à pandemia , através do nebuloso convênio com a Maternidade Gota de Leite. Negou conhecer a contratação de pessoas ligadas ou indicadas por políticos. "Mas s eram capacitadas para a função...", ressaltou.

A Gota de Leite faz a gestão de cerca de 730 trabalhadores que atuam na área da Saúde municipal, principalmente no programa Estratégia da Família e na Atenção Primária. Cassinho reconheceu que o convênio com a entidade termina este mês e já foi anulado pela Justiça.

"Tivemos pequenas intercorrências, mas estamos finalizando o chamamento púbico este mês, estando em fase final de abertura de propostas. Estamos resolvendo essa questão histórica", explicou.

COMPRAS

O secretário falou sobre compras de insumos, materiais, remédios e equipamentos, bem como veículos, durante a pandemia. Ratificou a ausência de licitações "por normas legais", mas garantiu a realização de pesquisas junto à empresas para melhores preços.

Sobre medicamentos, confirmou ter buscado produtos em cidades da região por falta de oferta no mercado e havia uma cooperação regional nesse sentido.

Cassinho foi questionado ainda sobre compra de centenas de dúzias de ovos de galinha com verbas da Covid, repassadas para a secretaria de Assistência Social e Corpo de Bombeiros. O secretário disse não se lembrar disso. "Mas se foram adquiridos é porque faz parte de algum convênio", resumiu.

Sobre gastos de cerca de R$ 13 mil na reforma de um equipamento que seria avaliado em torno de R$ 9 mil, o secretário disse que houve um equívoco nesses comentários, pois o referido equipado é de outra marca da citada na "denúncia" e estaria avaliado entre R$ 30 e R$ 40 mil.

TESTES

Cassinho disse que no começo e decorrer da pandemia, o Instituto Adolpho Lutz (Estado) não estava dando conta da demanda de exames para detectar a Covid em pacientes, com atrasos nos resultados.

Diante disso, a secretaria fez aditivo em contrato para realização de testes rápidos da Covid pelo Laboratório São Francisco. Justificou que a estrutura do estabelecimento, com coleta do material em unidades de saúde e devolutiva de resultados, teve menos custos que eventuais compras de equipamentos para esses serviços. Foram realizados cerca de 110 mil testes de Covid em pacientes sintomáticos e assintomáticos, incluindo mutirões no Ginásio de Esportes da Avenida Santo Antonio.

ABANDONO UNIDADES DE SAÚDE

O vereador Ivan Negão (relator da CPI) questionou o secretário sobre "a situação degradante de algumas unidades de Saúde em Marília, mesmo com a secretaria recebendo tantas verbas?".

Cassinho rejeitou o termo "degradante", reconheceu problemas estruturais como na UBS do Bairro Castelo Branco, na Zona Norte, com goteiras e depredações na Unidade do Jardim Flamingo, na Zona Oeste.

Falou que no momento em que ele estava depondo na CPI, estava sendo entregue um posto de Saúde "novinho" no Bairro Novo Horizonte, na Zona Leste da cidade.

"Tempos um departamento de projetos trabalhando diuturnamente na secretaria, mas não dá conta de tudo", comentou. Apontou dificuldades no "sistema do setor público".

ÔMICRON

O último questionamento da CPI da Covid, que foi das 8H às 12h10, foi do presidente da Comissão, dr. Élio Ajeka, sobre a nova cepa Ômicron, já com alguns casos confirmados no Brasil.

"É preciso manter os protocolos de prevenção. Começamos a pandemia em um carnaval e estamos na véspera de outro. Marília fez muito bem em cancelar eventos de carnaval, precisamos esperar um pouco mais para voltar à normalidade. Marília fez um trabalho intenso de vacinação e isso influiu nas baixas taxas de ocupação de leitos nos hospitais. Novas variantes podem surgir e exigir que continuemos com esses cuidados de prevenção e medidas sanitárias".





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