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Diocese de Marília dispensa padre que foi acusado de assédio sexual


A Diocese de Marília dispensou o padre Manoel Carlos Ney de Souza do celibato e de obrigações sacerdotais., como celebrar missas, receber confissões ou utilizar a túnica para qualquer outra atividade presbiterial. Ele foi acusado de assédio sexual

A assessoria de imprensa da Diocese informou ao JORNAL DO POVO que tão logo surgiram as denúncias, o sacerdote foi afastado. Agora, foi definida a sanção.

Conforme divulgado pelo Blog do Rodrigo, Circular sobre decisão papal foi distribuída sem divulgação no site da Diocese de Marília. Situação de padre, segundo o blog, se arrasta há mais de dois anos sem julgamento.

Souza foi beneficiado por uma decisão da Congregação para o Clero, que atendeu seu pedido de dispensa, segundo anunciou a Diocese de Marília, em circular publicada no último dia 30 de setembro, assinada pelo bispo diocesano, dom Luiz Antonio Cipolini.

Com a dispensa, o padre “perde automaticamente os direitos próprios do estado clerical e tudo quanto é inerente a esse, inclusive as relativas obrigações”. Ou seja: passa à condição semelhante a de qualquer fiel.


ACUSAÇÃO DE ASSÉDIO

Souza poderia ter solicitado sua dispensa diretamente ao bispo. Mas, a resposta precisou vir do Vaticano por conta das acusações de suposto assédio sexual que provocaram seu afastamento do clero, em 2017.

À época pároco da Paróquia Santa’Ana, de Herculândia (SP), Souza teria assediado um menor de idade. Ao mesmo tempo em que teria iniciado as investigações, a Diocese de Marília abafou o caso. A família preferiu não se pronunciar ao blog.

Afastado, o padre teria sido enviado para tratamento em clínica curitibana especializada no cuidado de presbíteros e religiosos, inclusive em problemas relacionados à sexualidade e, depois, a Barretos (SP), sede da congregação Jesus Sacerdote. Procurado pelo blog, o padre não se manifestou.

LIMBO SACERDOTAL

Sem paróquia, o padre não demorou a ser excluído da lista oficial do presbitério, divulgada anualmente pela Diocese de Marília – como que se quisesse escondê-lo, ou mesmo protege-lo diante das circunstâncias de seu afastamento.

Fora do ofício (ao menos, oficialmente), o padre manteve sua vida social ativa, a exemplo de outros sacerdotes. Em suas redes sociais, na qual assina apenas como Manoel Carlos, suas últimas imagens como padre datam de 2018.

Rumores de seu ‘retorno’ ao clero, em 2019, chegaram a provocar a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Presbíteros na capa episcopal. Na ocasião, fiéis de Herculândia teriam ameaçado manifestar-se contra. Não houve protesto.

DISCRIÇÃO DIOCESANA

Datada do último dia 30 de setembro, a Circular 8/20221, pela qual o bispo comunicou a dispensa do celibato e das obrigações sacerdotais de Manoel Carlos Ney de Souza ainda não havia sido divulgada no site da diocese até a publicação deste post.

Posição diferente do tratamento dispensado pela Diocese de Marília à comunicação da demissão do padre Clécio Ribeiro, em julho de 2020. A circular 12/2020 segue disponível no site na coluna de ‘artigos’.

Afora as acusações e os trâmites encaminhados ao Vaticano, os dois padres tiveram, a rigor, as mesmas dispensas sacerdotais. A diferença é que um acabou demitido e o outro pediu dispensa. O primeiro mereceu publicidade pela diocese. O segundo, não.

BREVE SACERDÓCIO

A dispensa proporcionada a Manoel de Souza pela Congregação para o Clero – classificada como um “aceno à impunidade” por alguns padres consultados na condição de anonimato pelo blog – abreviou uma curta carreira religiosa.

Ordenado em fevereiro de 2002, ele atuou em paróquias de Tupã (SP), Pompeia (SP), Flórida Paulista (SP), além de Herculândia (SP). Em 2013, fez seu mestrado em Teologia Catequética, na Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma, na Itália.

Na ocasião, o padre entregou pessoalmente ao papa uma carta escrita por um fiel de Flórida Paulista (SP), que havia ficado tetraplégico em um acidente automobilístico. Francisco respondeu um ano depois. Enviou ainda uma foto e um rosário.

CASO DENIS

Alvo do último escândalo sexual na Diocese de Marília, o padre Denismar Rodrigo André segue afastado de suas atividades sacerdotais desde julho de 2019 quando foi preso sob a acusação de acesso a material de pornografia infantil.

Padre Denis, como é conhecido, foi solto mediante pagamento de fiança e responde à Justiça em liberdade. A Igreja conduz apuração própria. Em ambos os casos, a tramitação é em segredo.

Diferentemente de Manoel de Souza, padre Denis não teve seu nome e imagem retirados da relação atual do clero da Diocese de Marília. Em virtude de seu afastamento, a menção à sua última paróquia – Nossa Senhora de Fátima, do Jóquei – foi suprimida.




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