Antes do caso envolvendo o delegado da Polícia Federal em Marília, José Navas Júnior, outros dois delegados que atuaram como chefes na Delegacia de Polícia Federal em Marília foram presos e demitidos pela corporação por corrupção e outros crimes.
O primeiro deles foi o então delegado Washington da Cunha Menezes.
Ele foi preso em 2007 no âmbito da Operação Oeste (iniciada em 2005) por integrar uma quadrilha de policiais federais e civis que tinham advogados como comparsas e praticavam extorsões contra investigados. Em 2009, foi demitido da PF "a bem do serviço público".
Menezes recebeu R$ 20 mil para "adiar" a audiência de um empresário de Pompeia, investigado por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Também embolsava valores através de notas frias de abastecimentos de viaturas e até cartuchos de impressoras usadas na delegacia.
Em dezembro de 2006, o então gerente de um posto de combustíveis de Marília emitiu uma nota fiscal no valor de R$ 7.622,75 sem que houvesse entrega do combustível faturado à Delegacia da Polícia Federal em Marília. Washington Menezes, por sua vez, na condição de delegado-chefe em Marília, atestou o recebimento do produto, confirmando a "falsa compra" para que o pagamento pudesse ser efetuado.
O gerente do posto na época também respondeu judicialmente pelos crimes. Na ação, ele foi defendido pelo advogado Divino Donizete de Castro e absolvido. Em uma das audiências, ele declarou: "como negar um pedido de um delegado que era bajulado por todos em Marilia e que chegava no posto com a viatura da PF?".
Em 2013 ele foi condenado a 2 anos e 8 meses de cadeia por recebimento de propina. Um advogado que intermediava as propinas também foi condenado no mesmo processo.
A pena de cadeia foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa de R$ 10 mil.
Washington foi condenado ainda em múltiplos processos conduzidos pela Justiça Federal por crimes como corrupção passiva, concussão, peculato (incluindo o desvio de verbas e sumiço de itens apreendidos) e improbidade administrativa.
DELEGADO PRESO POR RECEBER PROPINA DE R$ 35 MIL
Outro delegado da Polícia Federal que atuou no comando da Delegacia foi preso por corrupção. Sandro Roberto Viana, que substituiu Washington Menezes e atuou aqui na cidade até 2014, foi preso em flagrante em 2017 e condenado pela Justiça Federal, em 2019, em Londrina (PR), para onde foi transferido após deixar a delegacia em Marília.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, manou soltar Viana em abril de 2017 e substituiu a prisão preventiva dele por medidas cautelares.
Viana foi condenado por corrupção passiva e concussão com abuso de poder e violação de dever para com a Administração Pública.
O delegado foi preso na Operação Corrumpere da PF, no dia 25 de fevereiro de 2017, quando dividia uma propina de R$ 35 mil com um intermediador, Clodoaldo Pereira dos Santos – diretor de uma empresa de segurança conhecido como Tigrinho – que o auxiliou a extorquir o dinheiro de um empresário da cidade, segundo as investigações. Os dois estavam tomando cerveja em um mercadinho da cidade no momento da prisão.
De acordo com a polícia, Tigrinho teria recebido o dinheiro de um empresário a pedido do delegado.
Segundo a sentença do juiz Robson Carlos de Oliveira, da 5ª Vara Federal de Londrina, Sandro Vianna solicitou propina sob o pretexto de livrar o empresário do indiciamento de um inquérito policial, bem como deixar de propor medidas coercitivas contra ele.
Conforme a denúncia, o empresário foi absolvido na Operação Publicano – que apura um suposto esquema de fraude milionária na Receita Estadual do Paraná – porque colaborou com a investigação.
Apesar da absolvição, ele passou a responder pelos mesmos crimes em outro inquérito policial sob responsabilidade do delegado Sandro Viana.
A equipe de inteligência da PF passou a monitorar as negociações e gravou conversas telefônicas com autorização da Justiça.
Em uma delas, Tigrinho diz ao empresário que o delegado não iria “atrapalhar a vida de um cara bom”.
Para o juiz federal, o comportamento de Sandro Viana foi incompatível com a função que exerce.
“Dele se esperava o irrestrito cumprimento de suas funções de investigar e combater delitos de atribuição da Polícia Federal. Todavia, assim não agiu. Utilizou de sua função para solicitar e exigir vantagem econômica indevida”, citou um trecho da sentença.
Além da perda da função pública, Sandro Viana foi condenado a 4 anos e 8 meses em regime semiaberto com monitoramento eletrônico. Ele já era monitorado desde abril de 2017.
O CASO DE JOSÉ NAVAS JÚNIOR
Relatório da Polícia Federal em Marília, pediu a prisão preventiva do delegado José Navas Júnior, acusado em inquérito de crime contra a administração pública por vazar informações a investigados pela corporação em troca de dinheiro. O caso veio à tona na manhã desta terça-feira (19), com a deflagração da Operação Sinon.
O inquérito aponta que ele acessava, sem autorização, sistema com dados sensíveis de diversas investigações conduzidas pela PF, frustrando os resultados de diligências.
O Ministério Público Federal se manifestou contra o pedido de prisão, que foi rejeitado pela Justiça Federal. "Não demonstrada a necessidade da prisão para assegurar a garantia da ordem pública ou a conveniência da instrução criminal", despachou o juiz Alexandre Sormani, da 1ª Vara Federal da Justiça Federal em Marília.
O juiz ressaltou que, caso Navas descumpra medidas cautelares determinadas, a prisão poderá ser decretada.
Foram mantidas as determinações de proibição de Navas de adentrar a delegacia local da PF, suspensão das funções por quatro meses (sem prejuízo da remuneração). A suspensão da remuneração poderá ser determinada por medidas internas da própria Polícia Federal.
A justiça determinou ainda a proibição de se ausentar da cidade e país (entrega de passaportes) e bloqueio do valor de R$ 248 mil em suas contas bancárias, bem como de bens em seu nome. Também foi determinada a quebra do sigilo de celulares, e-mails e dados digitais do delegado e outros investigados no esquema, entre eles o advogado Luiz Gustavo Tenuta Araújo.
A esposa do delegado Navas também é alvo de investigações por movimentações financeiras suspeitas, no montante de cerca de R$ 1milhão, segundo o relatório da PF.
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