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  • Por G 1

Ex-detento se forma em engenharia. Mais de 2,4 mil estão fazendo provas em Marília e Bauru


A decisão de mudar de vida serviu como pontapé para que um ex-detento de um Centro de Ressocialização (CR) de Jaú, no interior de SP, prestasse a prova do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privas de Liberdade (Enem-PLL). O resultado é a celebração de um diploma em engenharia civil, conquistado após cinco anos de curso.

Ao g1, Jonatas Caique de Toledo Souza Martins, de 29 anos, contou que, depois de três anos preso, de 5 de março de 2015 a março de 2017, pôde entrar e concluir o ensino superior com ajuda do Prouni em uma faculdade particular de Limeira (SP). Segundo o engenheiro relatou, em março de 2015 ele foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru (SP) por tráfico de drogas. Antes de ser preso, ele chegou a frequentar aulas em uma outra faculdade, mas o curso foi interrompido com a prisão. Por considerar que teria uma chance melhor de ressocialização no CR, Jonatas enviou cartas para que fizessem uma entrevista com ele. E, assim, conseguiu a transferência. Já no CR, o ex-detento narra que, sempre que podia, solicitava para que um agente penitenciário o levasse para a biblioteca onde conseguiria estudar. Conforme Jonatas, por ter tido um ensino médio defasado, a oportunidade de estudar no CR foi essencial para rescrever a sua história. “Tudo no CR era por meio de permissão, então, eu pedia para estudar e eles deixavam. Quando precisei de provas anteriores, gabaritos anteriores e acesso à biblioteca, o pessoal da penitenciária autorizava. Tive muito incentivo para continuar os estudos”, relata. Enquanto esteve preso, ele ainda lembra que recusava pedidos para jogar bola com outros presos já que estava se dedicando aos estudos, principalmente, nos dias próximos à prova. Se em 2015 o resultado positivo para uma bolsa no Prouni que facilitou o ingresso na faculdade já foi motivo para comemorações, em 2016, quando o feito foi repetido com a nota do Enem, Jonatas lembra que não conseguiu conter a felicidade. Com a pena de 10 anos reduzida após o advogado recorrer, o Jonatas cumpriu dois anos e quatro meses de prisão por tráfico de drogas. Em julho de 2017, já em liberdade, conquistou a oportunidade de ter uma formação profissional com o tão esperado resultado da bolsa de estudos. “Saí da prisão no último dia para a inscrição do segundo semestre na faculdade e fui aprovado. É muito gratificante, primeiramente porque a gente pensa na família e eles sabem da minha história. Basta você querer, essa é a moral do fim da história”, celebra. Foto da época do estágio quando ex-detento de Jaú ainda cursava engenharia — Foto: Jonatas Caique de Toledo Souza Martins /Arquivo pessoal Durante o curso na faculdade, Jonatas conseguiu estágios que só confirmaram o seu desejo de ser engenheiro. Quando escutou seu nome sendo chamado pelo diretor da faculdade na colação de grau, Jonatas se deu conta de que era possível ter aquilo que garante a sua formação: um diploma do ensino superior. Sobre os planos para o futuro, ele reforça que desejaria cursar uma pós-graduação, até mesmo no exterior. Jonatas trabalha como gestor de obras e tem uma companheira e dois filhos. O engenheiro civil é exemplo de que é possível buscar a ressocialização mesmo em um presídio. Aos sentenciados que almejam evoluir, Jonatas reafirmar que é possível mudar de vida. “Foque nos estudos, para encontrar a mudança que queremos. O sistema nos fornece essa condição. Temos incentivos até mesmo governamentais, que podem facilitar a entrada na faculdade. Pode apostar: as portas vão se abrir”, finaliza. EXAMES Nesta terça (10) e quarta-feira (11), 5.235 presos que cumprem pena em unidades subordinadas à Coordenadoria da Região Noroeste (CRN) prestaram o Enem PPL. Nas regiões de Bauru e Marília, são 2.476 inscritos. Em todo o estado, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) conta com 19.597 homens e mulheres encarcerados inscritos para a realização das provas. O número representa um aumento de 12,75% de candidatos em comparação com a edição do Enem 2021, quando havia 17.380 reeducandos aptos a prestarem o exame.



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