Um ex-pai de santo, que prefere nãos se identificar, encaminhou um relato e solicitou publicação no JORNAL DO POVO.
RELATO
"Fisicamente esgotado, sem ter ânimo nem força pra fazer o básico, como tomar banho ou escovar os dentes. Limpar a casa, piorou!
Em meados de 2018 tive minha primeira crise de ansiedade e depressão. Busquei tratamento, fiz acompanhamentos e obtive uma "MELHORA". Mas, com o passar dos anos as crises começaram a voltar. Fui em busca de tratamento, tive 7 internações e até o momento atual, foram 17 tentativas de suicídio.
Tive um breve momento aonde eu estava bem, até conseguir um emprego. Até os 4 a 5 meses tudo ocorria bem. Porém, aconteciam piadinhas homofóbicas que eu guardava pra mim, pois precisava do emprego.
Fui guardando isso e muitas outras coisas, até que a bomba estourou! Com isso, voltaram as crises de ansiedade e depressão. Só que não para por aí! Comecei a ter surtos psicóticos onde eu fazia as coisas sem saber o que estava fazendo. Procurei por ajuda e passei cerca de 1 ano e 7 meses sendo acompanhado pelo CAPS, além de P.A, HC e internações.
Mas, com o passar do tempo, passei por alguns psiquiatras que ressaltaram que outros transtornos haviam começado aparecer, como o Transtorno de Personalidade Boderlaine (TPB), crise de pânico, TDHA, hiperatividade e ansiedade.
O quadro de depressão se agravou e o que era apenas uma depressão se tornou uma Depressão Anedonia, que é a fase mais grave dela.
Nesse último mês de dezembro, tive 3 crises de ansiedade que se tornaram um surto psicótico, no qual você faz as coisas sem pensar.
Todas elas foram tão intensas que eu não me aguentava e entrava nesse surto, queria ceifar minha vida.
Antes disso, passei três semanas pensando em como me suicidar sem sentir dor. Estou procurando como voltar a vela no colorido, hoje tudo se tornou um obscuro, tudo preto e branco. Nada pra mim faz sentido e venho tendo crises diárias todas as manhãs. Passo o dia todo com a crise de ansiedade, sem vontade de viver.
Hoje, faço acompanhamentos na qual o Cid é o F60.3, que significa o Boderlaine.
Enquanto eu frequentava o CAPS, o psiquiatra do Hospital das Clínicas me pediu pra averiguar a situação pra fechar esse diagnóstico, pois sempre que vou na UPA ou na UBS, eles sempre ressaltam o Boderlaine e crise de pânico.
Não consigo entrar na empresa onde eu sou vinculado, pois me causa pânico, o coração acelera como se fosse ter um infarto e a vista começa a escurecer.
Voltando sobre o Boderlaine... Foi pedido para averiguar enquanto eu estava fazendo tratamento. Mas não fizeram questão de analisar e fechar o diagnóstico. Nem os laudos onde já foram apontadas várias vezes sobre esse transtorno.
Hoje, busco incansavelmente onde me tratar, saber lidar com isso e com os surtos psicóticos. E realmente estou no meu limite de tudo isso, pois não sei pra onde correr. O medo constante de surtar, fazer bobeira e eu não conseguir me conter.
Mas não desisti, ainda! A vida não me faz mais sentido, mas luto todos os dias pra sobreviver mesmo com essa dor dentro de mim, pois como meus transtornos são de tentativas de suicídio, vai chegar um momento que vai acontecer e estou buscando em todos os cantos pra fecharem esse diagnóstico e ter os laudos, aprender a conviver com isso e saber o que fazer nesses momentos.
Dia 29/12, eu tentei suicídio, mas acredito que Deus tem um propósito em minha vida pois contando até o momento, já são 20 tentativas e todas falharam.
Então o que eu mais quero é aprender lidar com tudo isso que acontece todos os dias e principalmente fechar e concluir os laudos que eu tenho o TPB (Transtorno de Personalidade Boderlaine) e o TCP (Transtorno de Crise de Pânico).
Eu luto todos os dias pra sobreviver e correndo atrás disso. Porém, ao ir em busca de ajuda, eles nos tratam com desdém. Ainda não conclui esses diagnósticos que necessito com urgência. Não tenho mais forças nem de levantar da cama e fazer o básico, nem disposição pra retornar ao trabalho.
Enquanto eu fazia acompanhamento no lugar que deveria me ajudar, eu em crise, a psiquiatra que não fechou meu diagnóstico fez pouco caso. Ela viu que eu estava em uma situação totalmente vulnerável, me olhou e disse": "NÃO VOU FECHAR SEU DIAGNÓSTICO. VAI SER APENAS A DEPRESSÃO E ANSIEDADE E A PARTIR DE HOJE VOU TE DAR UM RELATÓRIO PRA QUE VOCÊ VOLTE A TRABALHAR".
Com isso, A crise básica que eu estava alavancou para crise de pânico, pois não consigo nem entrar na porta de onde sou registrado e mal passar na frente, pois já me dá pânico, surtos, sendo que os transtornos me fazem piorar cada dia mais.
Hoje, dia 5 de janeiro, fui à UBS. A enfermeira me perguntou da situação, como eu estava e também analisou meu laudos. Ela disse: "VOCÊ ESTÁ EM UM ESTÁGIO TÃO AVANÇADO, QUE QUALQUER SURTO ONDE, SE NÃO TIVER NINGUÉM POR PERTO, VOCÊ VAI COMETER E FAZER ALGO QUE NÃO TERÁ MAIS VOLTA" (no caso o suicídio).
Mas, estou aqui lutando e relutando pra sobreviver, porque de verdade, eu me esgotei e não tenho mais de onde tirar forças pra continuar vivendo.
Mas, estou deixando minha vida nas mãos de Deus até eu conseguir aprender lidar com tudo isso. Porém, não sei se ainda terei esse tempo pra poder tentar prosseguir.
E talvez em breve eu possa ser uma próxima estatística na nossa tão querida cidade de Marília".
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