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  • Por Adilson de Lucca

Justiça condena quatro por roubo violento a empresário. Levaram joias, relógios e R$ 52,5 mil


Quatro pessoas integrantes de um bando e envolvidas em roubo violento à residência de um empresário, foram condenadas pela Justiça e devem cumprir penas de quase 17 anos de reclusão, cada uma. A decisão é do juiz Felipe Guinsani, do Fórum de Gália, onde ocorreu o roubo.

O CASO

Conforme os autos, Flávio Júnior de Brito, Felipe do Nascimento, o Filipinho, Maykon de Oliveira, o "Gordinho" invadiram uma residência naquela cidade, por volta das 23h30 do dia 4 de abril de 2021. O bando, com cerca de seis integrantes de São Paulo, segundo apurado pelas investigações, teria se hospedado na casa de Sueli Aparecida Ramos, em Gália.

Os três elementos invadiram a casa com outros indivíduos não identificados, ficaram escondidos na garagem e aguardaram a chegada do empresário, que foi rendido logo que desceu do carro, mediante agressões com coronhadas e ameaça com revólveres.

Na ação aterrorizante, o empresário L.R.F, a esposa dele, C.V e uma filha do casal, de 10 anos, foram rendidos. A mulher e e acriança tiveram revólveres apontados várias vezes para o rosto e foram amordaçadas e amarradas em cadeiras.

Os ladrões roubaram R$ 2.500 em dinheiro, um aparelho celular, relógios, bijuterias, joias, garrafas de uisque, um notebook e outros objetos da casa.

Após se apoderarem do dinheiro e objetos , os ladrões aumentaram o terror e exigiam mais dinheiro. O empresário que estava desacordado por golpes de coronhadas, recobrou a consciência e, então, disse que tinha mais dinheiro na empresa (um posto de gasolina às margens da SP-294, próximo à Gália.

Um dos ladrões obrigou o empresário a ir com seu veículo até o estabelecimento, por volta da 1h. Outro carro usado pelo bando e conduzido por uma mulher seguiu atrás. Do posto foram roubados cerca de R$ 50 mil.

Um funcionário do posto desconfiou da ação e acionou a Polícia Militar, após a saída do patrão e ladrões do local.

Conforme a denúncia, Sueli abrigou o bando em sua casa, onde planejaram o roubo, recebendo R$ 571 e um relógio marca Hilfiger, roubado do empresário.

PRISÕES

Uma viatura da Polícia Militar avistou os carros do empresário e dos bandidos quando pararam em outro posto, pois o indivíduo que estava no veículo da vítima iria falar com integrantes do outro carro.

Ao notar a aproximação da Polícia, o ladrão obrigou o empresário (que estava em seu veículo) a fugir com ele.

O meliante apontou um revólver para a cabeça do empresário e disse que não seria preso e se não conseguissem fugir, morreriam. Houve perseguição e a vítima atravessou a cidade em alta velocidade e parou o carro próximo à uma área rural, onde o bandido desembarcou e correu a pé. Ele fugiu com o dinheiro e deixou cair um celular roubado da esposa do empresário.

Na sequência dos patrulhamentos por equipes da Polícia Militar de Marília e Gália, com apoio do Baep, os quatro acusados acabaram presos. Outros integrantes do bando conseguiram fugir.

Vários objetos roubados e R$ 571 foram recuperados com os indivíduos, além de drogas e armas.

AGRESSÕES, AMEAÇAS, REVÓLVER NO ROSTO E TERRORISMO

A vítima C. relatou que no dia dos fatos estava em sua residência juntamente com sua filha de 10 anos. Por volta das 23:30 horas seu marido L. chegou em sua residência. Ouviu um barulho na porta e após um grito dele. Chegou a pensar que o marido estaria passando mal e abriu a porta as pressas, quando foi surpreendida por um indivíduo portando uma arma que a colocou encostada em seu rosto. Outros dois indivíduos estavam com L., já inconsciente e o arrastaram para dentro da casa.

Após, apagaram a luz. Um deles acompanhou a declarante até o quarto, enquanto os outros dois continuaram a agredir L. Os três estavam armados. Um deles acordou a sua filha apontando a arma para ela no quarto e trouxe junto a declarante. L. estava inconsciente e ficou na companhia do indivíduo mais velho. Um dos mais jovens ficou vigiando sua filha enquanto o segundo mais jovem revirou toda a residência.

Este indivíduo que ficou com a declarante era bastante agressivo e violento. Sempre sob a ameaça de sua arma pedia dinheiro e joias a declarante. Este individuo separou relógios e bijuterias. A declarante entregou aproximadamente R$ 2.500,00 em dinheiro e um notebook.

Também foram levadas duas garrafas de uísque e o celular de L. Por volta de quarenta minutos enquanto Luciano ficou desacordado os indivíduos reviraram toda a residência e separam objetos para levarem consigo.

Quando L. acordou o indivíduo mais velho que parecia comandar os outros dois, disse que queria mais dinheiro e então ele disse que tinha dinheiro em outro local. Assim foi combinado que ele acompanharia o tal individuo mais velho até o escritório do posto de combustíveis enquanto os outros dois mais jovens ficariam em sua residência.

O indivíduo mais velho fez ameaças dizendo que se algo acontecesse errado ou L. fizesse alguma “gracinha” telefonaria para os outros dois para matarem a declarante e sua filha. Até então a declarante e sua filha estavam sentadas em uma poltrona e o marido saiu com os bandidos até o Posto.

A mulher e sua filha foram levadas até um quarto que é utilizado como escritório e foi amarada junto a sua filha em uma cadeira. Nesse momento um dos indivíduos estava com uma garrafa de uísque e um energético e retirou a máscara que utilizava para ingerir as bebidas além de comer pão e outro salgadinho.

Neste momento pode ver o rosto do indivíduo. Passado mais algum tempo ouviu o barulho de um telefone celular tocando. O indivíduo voltou e fechou a porta do quarto onde estavam. Tempo depois ouviu os policiais chegando e auxiliando a declarante e sua filha.

Não viu o exato momento em que eles os bandidos que ficaram na casa foram embora. Muitos objetos como TV e microondas foram desconectados, porém não foram levados. Foi chamada a ir à delegacia, pois os policiais militares localizaram um tal de Felipe e juntamente com seu marido L. reconheceu sem sombras de dúvidas como sendo um dos autores, ou seja, um dos indivíduos jovens que na maior parte do tempo permaneceu em companhia de sua filha.

Também lhe foi mostrado uma fotografia de R.G. na qual reconheceu sem sombras de dúvidas como sendo o indivíduo que na maior parte do tempo permaneceu em sua companhia. Este indivíduo se chama Maikom. L. ficou ferido na cabeça, porém não quis passar por atendimento médico.

Na delegacia, enquanto reconhecia o Felipe também lhe foram mostradas várias roupas que foram apreendidas e entre elas reconheceu uma blusa tipo moleton de cores vinho e cinza e tem certeza de que era aquela utilizada por Maikom durante o delito.

Também foi apresentada um molho de chaves e reconheceu como sendo as de sua residência. Seu marido também reconheceu um relógio de pulso que fora apreendido e foi subtraído naquela ocasião.

Acrescentou que durante os fatos o indivíduo que reconheceu como sendo Maikom estava bastante agressivo e violento. Faziam várias ameaças por vezes apontava a arma em seu rosto. Em determinado momento pegou uma faca de cozinha e pediu a declarante para abrir uma gaveta que estava fechada.

A vítima alegou ainda que quando foi amarrada pelo individuo teve um pequeno ferimento em um dos dedos da mão esquerda, porém não passou por atendimento médico.

Na mochila de Felipe, estavam a chaves da sua casa, aliança e moletom que foi usado por Maykon. Reconheceu também os objetos encontrados na casa da Sueli, em especial o relógio. A aliança foi encontrada com Maykon, que estava gravada com seu nome. A filha ainda não sai de casa e dorme com os pais. E a própria depoente também não conseguiu retornar as suas atividades laborais.

O empresário relatou que chegou a sua residência por volta das 23:30 horas guardou o carro e foi abordado por três indivíduos que estavam já dentro de sua residência, escondidos em um canto escuro da área.

Os três estavam armados, estavam de máscara e com boné e capuz das blusas cobrindo o rosto. De imediato a esposa do declarante abriu a porta e os três adentraram o imóvel agredindo o declarante. Dos três indivíduos dois aparentavam ser jovens e o terceiro mais alto e com aparência mais velha, por volta de 40 a 50 anos.

Depois de agredido, ele ficou desacordado por volta de 40 minutos. Quando recobrou a consciência viu que sua filha e sua esposa estavam rendidas pelos meliantes. Os assaltantes exigiram dinheiro da vítima ameaçando matar sua esposa e sua filha.

Sua esposa falou que já havia dado a quantia de R$ 2.500,00, mas os indivíduos exigiam mais dinheiro. Ele, então disse que tinha dinheiro em outro lugar e que entregaria a eles. Desta forma, saiu com um dos meliantes, aquele com aparência de mais velho e se dirigiu ao posto de combustíveis de sua propriedade.

Os outros dois ficaram na companhia de sua esposa e filha. Do lado de fora havia um veículo preto, da marca Ford Fiesta, e ao que parece haviam mais de dois ocupantes. O veículo tinha placa de São Paulo. O empresário foi dirigindo o próprio veículo até o posto de combustíveis, sempre acompanhados do carro dos bandidos.

No posto, ele entregou ao indivíduo cerca de R$ 50 mil em dinheiro e deixaram o posto. Na volta, ele dirigia seu próprio veículo quando pararam próximo a entrada da cidade, próximo ao portal e a outro posto de combustíveis.

O indivíduo desceu, conversou com os outros comparsas no outro veículo e neste momento chegou a guarnição militar. O indivíduo entrou no veículo colocou a arma na cabeça do declarante e pediu para que corresse, e que se a polícia o pegasse, lhe daria um tiro.

L, sob ameaça de uma arma, atravessou a cidade com seu veículo, perseguido pela viatura da Polícia Militar e pegou uma saída de terra, quando chegou próximo a uma cerca viva o indivíduo pediu para o declarante parar e evadiu-se correndo a pé. Levou o dinheiro e deixou cair o celular da esposa do declarante que estava na sua posse.

O declarante então falou aos policiais o que estava acontecendo e então foram às pressas a sua residência. Lá, os policiais encontraram a filha e esposa amarradas e amordaçadas em um escritório, porém os meliantes já não estavam no local.

Quando o declarante saiu de casa em direção ao posto o indivíduo disse que os outros dois estavam avisados que se acontecesse alguma coisa ou o declarante fizesse alguma “gracinha” dariam um tiro na sua esposa e sua filha.

Quando chegou no posto, o seu funcionário achou estranho e chamou a polícia. Quando estava retornando, o roubador disse para parar e saiu para conversar com os integrantes do outro carro, que estava escoltando. Nesse momento, a polícia apareceu e ligou o giroflex e o criminoso disse que ele não iria preso, que iriam sair dali mortos, se fosse o caso.

O indivíduo de São Paulo disse que tinham vindo à Gália para “uma missão” e ficou na casa de uma mulher, por mais de 20 dias hospedado. O criminoso deixou escapar o nome de Sueli. Os criminosos no começo estavam de máscaras, mas depois tiraram. Conseguiu ver o rosto de Flávio quando desceram do carro.

DEFESAS

O réu Maycon alegou que o único depoimento que lhe incriminou é de um policial militar e que os objetos das vítimas apreendidos com ele foram entregues por um usuário de droga, em pagamento de entorpecentes.

A ré Sueli declarou que não há nenhuma prova capaz de imputar-lhe a prática do crime descrito na denúncia. Sustentou que nenhuma das pessoas que pernoitaram em sua residência mencionaram sobre o crime e sequer viu qualquer arma de fogo com eles.

O réu Felipe afirmou que não haveria capacidade dele ser reconhecido com precisão pelas vítimas. Menciona que o reconhecimento dos pertences apreendidos com alguns denunciados são insuficientes para a condenação e que os obteve por meio da venda de drogas. Disse, por fim, que não se aproximaria da casa de Sueli, visto que é inimigo do acusado Flávio.

O réu Flávio declarou que os depoimentos das testemunhas em nada contribuíram para a elucidação dos fatos, tampouco foram capazes de inseri-lo na cena do crime como autor ou mentor dele.

PENAS

Flávio Júnior foi condenado a 16 anos, 2 meses e 13 dias de reclusão. Mesma pena aplicada Maycon de Oliveira e Felipe Nascimento. Sueli Aparecida deve cumprir 16 anos e 8 meses de reclusão. Todos devem cumprir as penas em regime fechado. Apenas Sueli terá direito de recorrer em liberdade. Os demais réus seguem presos.




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