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  • Informações do G1

Mãe de garoto que morreu picado por escorpião na região relata desespero


A mãe do menino Luiz Miguel, de apenas sete anos, que morreu na terça-feira (25) após ser picado por um escorpião, em Anhembi (SP), relatou o desespero dos últimos momentos ao lado do filho, que sofreu sete paradas cardíacas durante o período em que ficou internado.

Ainda procurando forças para lidar com o luto, Angelita Proença Furtado, de 44 anos, conta que, antes dos momentos de tensão, a expectativa era de um domingo (23) de alegria com o pequeno Luiz Miguel. "Estávamos nos preparando para ir ao camping, porque ele amava brincar na água. Ele, como sempre, muito ansioso. Parecia que queria viver tudo o que tinha para viver em um único dia. Hoje, percebo que é como se ele realmente tivesse pressa de viver", conta. Segundo Angelita, no momento em que Luiz Miguel calçava o tênis para o passeio, ele foi picado pelo animal. "Logo que calçou, ele gritou com dor. Como não encontramos o que o havia picado, ficamos procurando. Mas a perna dele começou a ficar vermelha e ele disse que estava subindo a dor. Foi quando imaginei que realmente fosse o escorpião e que precisava encontrar para saber qual era", conta. Cinco minutos após a picada, o escorpião, do tipo amarelo, foi encontrado. Em meio ao susto e às dores do filho, Angelita correu para o pronto-socorro da cidade, sendo que Luiz Miguel logo foi encaminhado para o Hospital das Clínicas de Botucatu, onde seria possível encontrar o soro antiescorpiônico. Angelita lembra que os dias em que Luiz Miguel permaneceu internado na UTI pediátrica do hospital foram os mais difíceis de sua vida. Porém, ela relata também que recebeu muito apoio de todos da unidade, incluindo de mães de outros pacientes. "Eu e o pai caímos de joelhos, foi o pior momento da minha vida. Mas tivemos muito apoio também. Vi que todas as mães que estavam com seus filhos na UTI também estavam de joelhos orando com a gente", disse. Depois de quatro paradas cardíacas e de um prognóstico, segundo os médicos, de irreversibilidade do quadro, Angelita chegou a aceitar o destino que se desenhava para o seu filho. "Quando entrei no quarto para vê-lo depois do ocorrido, coloquei a mão sobre sua cabeça e o entreguei de todo o meu coração para o seu verdadeiro dono. Eu disse exatamente assim: Senhor, é teu! Pegue para você e cuide dele. Que seja feita a sua vontade e não a minha", relata. No entanto, Miguelzinho, como é carinhosamente chamado pela mãe, apresentou uma melhora no segundo dia de internação, acendendo uma esperança em Angelita. "Chegaram até a retirar alguns medicamentos. Ele abriu os olhos, tentou falar comigo. Eu o beijei e ele teve que ser sedado novamente, porque estava muito agitado", relembra. No entanto, na última terça-feira, Luiz Miguel não resistiu a outras três paradas cardíacas e morreu no hospital. Psicóloga de formação, Angelita encara o momento consternada e tenta tirar de si o sentimento de culpa. "É claro que o sentimento de culpa bate à porta, querendo entrar, penso nas coisas que poderia ter feito e não fiz por falta de tempo. Mas sei que não posso viver com esse sentimento", desabafa. Comoção A morte de Luiz Miguel, a primeira registrada por picada de escorpião neste ano no município de Anhembi, gerou comoção na cidade. A prefeitura e a Câmara Municipal se pronunciaram sobre o caso. Enquanto a administração municipal publicou uma nota lamentando a morte e prestando solidariedade à família, decretando luto oficial de três dias no comunicado, a Câmara Municipal também publicou uma nota de pesar, expressando tristeza pelo falecimento do menino. Em nota, a Prefeitura de Anhembi informou que "os acidentes envolvendo escorpiões não são raros por conta do município ficar às margens do Rio Tietê e ter ampla área de mata". Neste ano, 54 incidentes foram registrados, sendo 53 deles sem gravidade. Inseparáveis Angelita volta suas forças agora para a criação do pequeno João Felipe, de cinco anos, irmão de Luiz Miguel. Segundo ela, inseparáveis, os dois eram base importante de sua vida. "Decidi que farei valer a pena o ensinamento que Miguelzinho deixou quando me ensinou a ser mãe. E serei para o João o que posso ter deixado de ser para o Luiz. Temos que ter essa consciência ao invés de ter culpa. Não para voltar no tempo e fazer diferente, mas posso ser diferente para o João", conta. Resignada, Angelita conta que os médicos a disseram que, devido às sete paradas, seria grande a chance de Miguelzinho ficar com sequelas. No momento, ela se agarra a Deus para superar a perda e continuar a vida. "Deus cuida! Não temos que ser egoístas. Mas, sim, entender que foi o melhor para ele naquele momento. Agradeço por ter tido a oportunidade de viver esses sete anos ao lado dele", diz.

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