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  • Por G 1

Músico que tentou fugir de carro a caminho de clínica de recuperação foi morto com golpe mata-leão


O promotor Rogério Rocco Magalhães, do Ministério Público de Jaú, apontou na denúncia contra os quatro envolvidos na morte do músico jauense Roberto Padrenosso Filho, conhecido como Betinho, que eles aplicaram um golpe de imobilização no pescoço da vítima conhecido como “mata-leão”.

O músico era levado pelos homens para uma clínica de recuperação em Valinhos, que fica cerca de 220 km de distância de Jaú, no dia 8 de novembro, quando chegou morto a uma Unidade de Pronto-Atendimento da cidade.

Na denúncia, além do golpe de imobilização, também conhecido como “gravata”, Rocco descreve que o músico sofreu uma série de agressões que podem tê-lo levado à morte. “No trajeto, o paciente reagiu e tentou abandonar o carro, clamando por socorro. Diante disso, os denunciados passaram a agredi-lo, desferindo nele socos e chutes e imobilizando-o com uma ‘gravata’, provocando uma série de lesões corporais que levaram à morte”, diz o promotor na denúncia. Segundo o delegado responsável pela investigação, Aldo Eduardo Lorenzin, o inquérito sobre a morte e que apurava o envolvimento dos quatro homens que fizeram o transporte de Betinho foi concluído, porém uma nova investigação foi aberta para apurar a participação de uma quinta pessoa. "Esse teria se apresentado, inicialmente, para a irmã da vítima como o responsável pela remoção do Betinho, mas desapareceu ao saber do óbito dele. Já identificamos essa pessoa e abrimos o inquérito para apurar o evolvimento dela no caso", afirma o delegado. Os outros quatro envolvidos foram denunciados por homicídio, sequestro e cárcere privado. Na denúncia, o promotor Rogério Rocco Magalhães narra que a irmã da vítima havia contratado os serviços da clínica para o tratamento dele. Ainda de acordo com a denúncia, os trâmites foram acordados com um dos denunciados, que se apresentou como responsável pela área médica da clínica. No dia do ocorrido, os denunciados foram até a casa do homem e o obrigaram a entrar em um veículo. Ainda segundo o promotor, a intenção do grupo era levá-lo até a clínica, onde o paciente seria mantido em cárcere privado em troca de remuneração a ser paga pela irmã. Na denúncia, o MP pediu a decretação da prisão preventiva de dois denunciados, que foram liberados em audiência de custódia, e a manutenção da custódia dos outros dois, que permanecem presos em Campinas. O caso segue em segredo de Justiça. As investigações apontaram que o músico Betinho foi agredido ainda em Jaú. Segundo o delegado responsável pelas investigações foram ouvidas testemunhas que perceberam a movimentação no carro em que Betinho estava próximo a um shopping. Ainda segundo o delegado, todas as pessoas ouvidas deram as mesmas versões. "Elas contaram que Betinho pedia por socorro de dentro do veículo. Eles pararam o automóvel, retiraram ele, o agrediram e o imobilizaram até que o amarraram com um cadarço. Depois o colocaram novamente no carro e foram embora", afirma o delegado. O delegado informou também que ainda não teve acesso ao laudo com a causa da morte do músico, mas, em entrevista ao g1, no dia 12 de novembro, o delegado de Valinhos (SP), João Netto, que colabora com as investigações, havia reforçado os fortes indícios de que a vítima tinha sido agredida. A irmã de Betinho também prestou depoimento.

Ela confirmou que foi responsável pela contratação da clínica de reabilitação e disse que não pôde acompanhar o transporte do irmão, portanto não presenciou nenhum tipo de agressão. "Ela quem contratou a clínica e apenas disse que não pôde acompanhar a remoção de perto, mas que viu de longe, sendo que de início o Betinho teria relutado a ir, porém acabou aceitando a remoção", explica delegado Aldo Eduardo Lorenzini. O músico morreu ao ser transportado em um veículo para uma clínica de recuperação em Valinhos no dia 8 de novembro. As quatro pessoas que faziam o transporte de Betinho para a clínica foram presas em flagrante no mesmo dia.

Entretanto, duas delas foram soltas em audiência de custódia e outras duas tiveram a prisão preventiva decretada em Campinas. Segundo informações da polícia, os quatro homens disseram que Betinho se jogou do veículo, porém, o caso foi registrado como homicídio e os suspeitos ainda serão investigados por sequestro e cárcere privado.

Ainda segundo a polícia, as pessoas que buscaram Betinho em Jaú não têm habilitação e nem credenciamento para realizar esse trabalho. Além disso, o transporte foi feito em um veículo inadequado. A TV Tem entrou contato com a clínica CT Live, de Valinhos, que informou que as pessoas envolvidas no caso não são funcionárias do local e que a família do músico nunca entrou em contato com eles para tratar sobre pedido de internação.




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