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  • J. POVO- MARÍLIA

Motoristas da Grande Marília recebem "picado" e ameaçam greve. Empresas querem tarifas a R$ 6,24


O que já está péssimo, pode piorar! O transporte coletivo urbano em Marília, com o cartel das empresas Grande Marília e Sorriso de Marília. Agora, motoristas da Grande Marília ameaçam greve, conforme anúncio do sindicato da categoria. Alegam que receberam apenas 80% dos salários este mês, de forma "picada", com 40% no dia do pagamento e o resto em duas parcelas. A Sorriso, segundo o Sindicato, também pagou salários "picados" esse mês. Na manhã deste terça-feira (23), moradores do Núcleo Marina Moretti, na Zona Norte, relataram falta de ônibus da empresa e muitos deles tiveram que pegar Uber para ir ao trabalho.

PRESSÃO

A ameaça de greve ocorre em meio aumento de R$ 3,80 para absurdos R$ 6,24, ou seja, 64% de reajuste. O abusivo pedido de reajuste das tarifas, protocolado em dezembro na Emdurb pelas empresas Sorriso de Marília e Grande Marília, aguarda reunião do SAF (Sistema Auxiliar de Fiscalização do Transporte Coletivo Urbano de Marília).

As duas empresas, que prestam péssimos serviços com ônibus lotados e sob riscos em plena pandemia. No mais recente aumento as tarifas de ônibus em Marília (uma das mais caras do Estado) subiram de R$ 3 para R$ 3,80 em uma só paulada.

"Estamos analisando a forma mais segura de reunir os membros do SAF", disse o presidente da Emdurb, Valdeci Mendes de Oliveira, ao JP. O Sistema conta com 11 representantes de vários segmentos da sociedade.

O quórum necessário para a reunião, que poderá ser presencial e com sistema remoto, é de pelo menos seis membros. "Desejamos que todos compareçam", comentou Valdeci. A convocação deles será feita por ofício, telefonema ou e-mail. "Estamos analisando, assim como um ambiente de segurança", afirmou.

O SAF emite um parecer sobre o pedido das empresas, que em seguida é remetido à Procuradoria Jurídica da Prefeitura e depois vai para decisão final do prefeito Daniel Alonso (PSDB). Várias cidades já decretaram reajuste zero para tarifas de ônibus, em razão da crise econômica e social provocada pela pandemia do coronavírus.

RELAXO E RISCOS : Ônibus circulando lotados em Marília em plena pandemia

MONOPÓLIO DESCARADO

As duas empresas protocolaram pedidos de aumento de tarifas idênticos. Isso, apesar de fazerem itinerários e regiões diferentes da cidade. A Sorriso corre as Zonas Sul, Leste e parte da Zona Oeste (Campus Universitário), enquanto a Grande Marília faz as Zona Norte e parte da Zona Oeste (região do Jardim Bandeirantes, Shopping e o Distrito de Padre Nóbrega).

Ou seja, têm trajetos e número médio de passageiros transportados diferentes, mas cobram o mesmo preço de tarifa, caracterizando monopólio.

Sobre essa questão, o presidente da Emdurb disse que "não dá para fazer um pré-julgamento. O SAF pode analisar isso para se chegar à uma opinião".

A tal licitação para o transporte coletivo urbano em Marília, concluída em 2013, manteve o nocivo monopólio de seis décadas da Empresa Circular, mas a partir de então disfarçado com duas empresas.



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