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Mulheres lotam galerias da Câmara de Marília e pedem cassação do vereador Féfin. Abertura de Comissão Processante contra ele será votada hoje

Adilson de Lucca
há 3 horas
3 min de leitura

Mulheres lotam as galerias a Câmara de Marília na sessão camarária desta segunda-feira (26), portando cartazes com dizeres "me solta, estou sendo sufocada" e "assim começa o feminicídio", além de "cassação do vereador Féfin já".

O vereador não compareceu à sessão camarária, hoje.

As manifestações populares ocorrem no momento em que Câmara de Marília votará, hoje, o pedido de abertura de Comissão Processante contra o vereador Osvaldo Féfin Júnior (União), o agente Féfin (afastado da Polícia Federal). O pedido de CP pode levar à cassação do mandato do parlamentar por quebra de decoro.

Mulheres representantes do Comitê de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher de Marília (órgão de caráter intersetorial e permanente), protocolaram na Câmara o pedido de abertura de Comissão Processante contra Féfin em razão de vídeo gravado por ele mesmo e que circula nas redes sociais, mostrando uma briga dele com a companheira, onde ela é imobilizada pelas pernas do vereador sobre seu pescoço e reclama de sufocamento e dores nos braços.

É necessária maioria simples dos vereadores presentes (são 17 no total) para abertura da Comissão Processante. Ou seja, com 9 votos favoráveis o procedimento é instaurado.

Caso isso ocorra, na mesma sessão são sorteados o presidente, relator e membro da Comissão, que terá 90 dias para concluir os trabalhos e apresentar um relatório indicando ou não a cassação do mandato do vereador. O relatório, então, será votado em plenário, sendo necessários 2/3 dos presentes para sua aprovação.

Pelo regimento da Câmara, Féfin está impedido de votar em ambas ocasiões. Para a votação da próxima segunda-feira, será convocado o suplente dele, Fernandão do Guincho, que já declarou que votará a favor do pedido de abertura de Comissão Processante contra o titular da cadeira.

PRESSÃO

A pressão é grande pela aprovação da abertura da Comissão Processante, tanto pela gravidade dos fatos, quanto pela ampla repercussão nas mídias locais e grande mídia nacional, além do repúdio da opinião pública à violência contra mulheres.

Quatro vereadoras integram a chamada Procuradoria Especial da Mulher na Câmara de Marília, atualmente: delegada Rossana Camacho (ex-titular da Delegacia de Defesa da Mulher), assistente social Fabiana Camarinha, professora Daniela Alves e a obreira da Igreja Universal, Vânia Ramos.

SUPLENTE É A FAVOR DO PROCESSO

Fernando Libano Domingos, o Fernandão do Guincho, obteve 795 votos nas eleições para vereador em Marília, em 2024 e é suplente do vereador Osvaldo Féfin Júnior.

"MUITA TRISTEZA", DIZ O SUPLENTE

"Vejo esta situação com muita tristeza. Sou a favor das mulheres", disse Fernandão do Guincho, em entrevista ao programa "Fala Cidade", das Rádios Itaipu e Clube, nesta quarta-feira (21). "É uma coisa que a gente não pode julgar ninguém, ainda mais no momento em que a violência contra a mulher tem aumentado muito e é uma cena de muito comentário", afirmou. "Tenho a honra de ser suplente de vereador e também como vereador, se caso acontecer", completou.

Vídeo postado por Fernandão do Guincho em seu Instagram, nessa terça-feira (20)

Representante do Comitê assina o protocolo de pedido de CP, observada pela

diretora-geral da Câmara de Marília, Carla Farinazzi

O CASO

Não há detalhes sobre o episódio, mas a mulher é claramente imobilizada no chão pelas pernas do vereador e reclama de falta de ar e dor no braço. Até que ele a "libera, se afasta e entra em um banheiro, alegando que ela está "descontrolada".

O caso já é investigado pela Delegacia Seccional de Polícia de Marília.

ROLO NO PRONTO ATENDIMENTO

Na legislatura passada, houve um caso onde funcionárias do Pronto Atendimento da Zona Sul, que registraram queixa na polícia contra o vereador Féfin, acusando-o de agressões durante "visita" no local.

Também houve pedido de abertura de Comissão Processante contra o vereador, na Câmara, em junho de 2021, mas acabou rejeitado e arquivado pelo plenário.

Houve inquérito policial, o caso foi levado à Justiça e encerrado após Féfin pedir perdão às vítimas em audiência de conciliação no Fórum de Marília.

 
 
 

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