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  • J. POVO- MARÍLIA

Polícia suspeita que padrasto matou esposa e enteada de 9 anos enquanto elas dormiam


Cristiane, a filha Karoline e Fabrício, com a enteada de 16 anos: crime bárbaro em Pompéia (Foto: arquivo pessoal)

Após laudos da Perícia da Polícia Civil apontarem que Cristiane Pedroso dos Santos Arena, de 34 anos, foi morta com duas facadas pelas costas (as quais atingiram os pulmões) e a filha dela de 9 anos assassinada com pancada na cabeça pelo psicólogo Fabrício Buim, de 36 anos, investigações apuram se ambas foram mortas enquanto dormiam. A menina estava de píjama.

"A gente suspeita que essas mortes ocorreram quando essas vítimas estavam dormindo porque são duas facadas profundas nas costas. Quando uma pessoa leva um golpe de faca, no primeiro golpe ela se defende, ela vira e tal, então a gente entende que essas pessoas estariam dormindo quando foram assassinadas. Existem as qualificadoras que podem agravar a pena dele”, afirmou o delegado Cláudio Anunciato Filho, que comanda as investigações.

O resultado comprova que o autor confesso dos bárbaros crimes, o psicólogo Fabrício Buim, de 36 anos, mentiu em depoimentos.

Ele alegou ao delegado Cláudio Anunciato Filho, após ser preso em Campo Grande (MS), que havia matado a menina de 9 anos por asfixia e desferido uma única facada na mãe dela e então companheira dele, Cristiane.

Os laudos apontaram que a menina sofreu agressão, com traumatismo craniano e Cristiane foi atingida com dois golpes de faca.

O CRIME

Cristiane Arena foi morta junto com a filha Karoline Vitória, de 9 anos (ambas enterradas no quintal da própria casa, em Pompéia (30 quilômetros de Marília). Ela ainda foi obrigada a cavar as próprias covas.

É o que comprovaram relatos de vizinhos que disseram ter visto Cristiane carregando terra de dentro da residência para a calçada e batendo massa, por volta da meia-noite e madrugada adentro daquela que pode ter sido a véspera do bárbaro crime. No dia seguinte, os vizinhos viram apenas o então companheiro dela, ó psicólogo Fabrício Buim Arena Belinato, de 36 anos, carregando material usado na concretagem da cova.

Para os vizinhos, a casa passava apenas por uma reforma, com novo contra piso e um telheiro.

Covas abertas no quintal da casa e cobertas com cimento (Foto: Portal NC Pompéia)

ADOLESCENTE INDICOU LOCAL DA COVA

A filha mais velha de Cristiane, uma adolescente de 16 anos, foi detida na terça-feira (2) acusada de envolvimento no crime macabro. Foi ela quem indicou o local exato onde havia sido enterrado o corpo da irmã, já que os policiais estavam com dificuldades de localizar a cova no quintal, com apoio de uma máquina retroescavadeira. Como a menina estava de pijama, há suspeita que ela tenha sido enterrada de noite ou durante a madrugada, junto com a mãe.

ENVOLVIMENTO AMOROSO COM A ENTEADA

Familiares de Cristiane também relataram que Fabrício já havia sido flagrado em situações de envolvimento amoroso com a adolescente, inclusive beijando ela na boca e tomando banho juntos. Ele ficava na casa com as duas meninas,. enquanto a mãe delas trabalhava em Santa Mercedes (distante 28 quilômetros de Pompéia).

Familiares da vítima relataram que Fabrício mantinha a esposa e as enteadas em cárcere privado, não deixando elas terem contato com eles. O caso do padrasto com a adolescente chegou a ser denunciado ao Conselho Tutelar de Pompéia.

Há suspeitas que Cristiane teria ameaçado denunciar o caso à polícia, também e por isso teria sido morta junto com a filha menor.

Desde o "sumiço" das vítimas, no final de novembro, a adolescente sustentava que a mãe havia saído de casa com a irmã dela por ter arrumado um novo namorado. Mesma versão de Fabrício. A adolescente negou ter envolvimento amoroso com o padrasto, tratado pelo delegado como "psicopata que fala bem".

"Mas essas alegações não nos convenceram”, disse o delegado Cláudio Anunciato Filho, que comandou as investigações do caso.

ACERTOS TRABALHISTAS

Diligências na cidade de Santa Mercedes, revelaram que Cristiane havia sido demitida de uma empresa de bebidas e recebido R$ 6 de acertos trabalhistas, no final de outubro.

Em dezembro, foram registradas movimentações financeiras em uma agência da Caixa, em Pompéia. Policias tiveram acesso as imagens de circuito interno da agência e constataram que quem fazia os saques era Fabrício, usando cartão de Cristiane.

PRISÃO EM CAMPO GRANDE


Fabrício Buim foi preso na noite de segunda-feira (8), em Campo Grande (MS) Ele foi ouvido pelo delegado Cláudio Anunciato Filho, de Pompeia, ainda na Delegacia em Campo Grande (497 quilômetros de Pompéia). Fabrício disse que a menina foi morta pela irmã, de 16 anos, com quem ele confirmou que mantinha relações sexuais na ausência da mãe dela. A menor está apreendida em uma unidade da Fundação casa na região. O casal viveu junto com as meninas desde 2016.

Fabrício foi preso quando estava em uma obra na periferia de Campo Grande. Segundo a versão do assassino confesso, a mulher foi morta após um desentendimento. Ele alegou ter agido em legítima defesa após a esposa ter pego um canivete e o ameaçado. Ele teria matado Cristiane com duas facadas no abdômem e depois a enterrou, em novembro de 2020, em frente à residência onde moravam, em Pompeia.

No depoimento, Fabrício ainda relatou que Karoline Vitória foi morta após sentir falta da mãe e questionar o "sumiço" da mãe. Karoline foi morta 25 dias depois da mãe, e teve o corpo enterrado em um canto do quintal da residência.

O delegado disse que em Bataguaçu (divisa dos Estados de São Paulo e Mato Grosso) Fabrício fez saques bancários. "Ele chegou em Bataguaçu no sábado, fez saque no dia 3 (quarta-feira) e depois seguiu para Campo Grande".

Fabrício estava sendo procurado desde quando os corpos foram encontrados, em 2 de fevereiro. No dia 30 de janeiro, ele já se adiantou e veio para Mato Grosso do Sul. Ficou em Bataguassu até o dia 5, foi quando resolveu ir para Campo Grande, onde foi encontrado. Ele viajou com o próprio veículo e nele dormia.

Na capital, ele tentou abrigo em uma instituição de moradores de rua, mas desistiu após receber recomendação para providenciar documentos em uma unidade policial. Também tentou se internar em uma clínica de tratamento de usuários de drogas, dizendo que tomava medicamentos tarja preta e não sabia de onde havia saído. A história não colou e ele desistiu da ideia.

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