Vinícius Camarinha com Márcio França
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), indicou o deputado Vinícius Camarinha (PSB) como líder do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A escolha provocou incômodo dentro do PSB, e Camarinha pode acabar sendo expulso da legenda.
A insatisfação vem do fato de o PSB estadual ter como presidente Márcio França, rival de João Doria. Ambos disputaram o segundo turno da eleição estadual de 2018, vencida pelo tucano. Desde então, o grupo de França no PSB tem se colocado como principal adversário de Doria em São Paulo, apesar de o partido votar com o governo na Assembleia.
Após ter disputado a prefeitura de São Paulo e terminado em terceiro lugar com 13,64% dos votos, França tem planos para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes novamente em 2022. Caso Doria não entre na disputa presidencial e tente a reeleição, os dois podem se reencontrar num segundo turno, o que pode tornar a situação de Camarinha no PSB insustentável. Mesmo que Doria não concorra ao cargo, o PSDB deve ter um candidato ou apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM).
Ao GLOBO, França afirmou que Camarinha pode ser suspenso ou até expulso caso assuma a articulação de Doria.
— Assim que assumir oficialmente, serão suspensos seus direitos partidários. Liderar o governo mais decepcionante do estado de São Paulo deve ser um sacrifício tão grande, com um governador tão impopular, que nenhum deputado do próprio PSDB aceitou o encargo — declarou França.
Camarinha confirmou a escolha de seu nome, mas não quis comentar se terá problemas dentro do PSB caso assuma a função. Segundo ele, a oportunidade é de "unir forças".
— Vivemos em um momento de enormes desafios no Brasil e em São Paulo. O momento é de somar, unir forças. Penso que tenha sido esse o espírito da indicação. E é nesse sentido que vou desenvolver o trabalho na liderança do governo — afirmou.
A escolha não foi bem digerida dentro da bancada do PSDB e entre deputados da base aliada, que esperavam ser agraciados com a indicação. Tucanos reclamam de não terem maior espaço na Mesa Diretora. O PSDB fez o atual presidente da Casa, Carlão Pignatari. Até o ano passado, tinha a presidência e a liderança do governo.
Abertamente, no entanto, parlamentares do PSDB demonstram boa vontade com Camarinha. A líder do PSDB na Alesp, Analice Fernandes, elogiou o colega e disse ver na indicação um interesse de "nível federal".
— É uma escolha única e exclusivamente do governador. Mas acredito que seja uma sinalização de coalizão, de composição. Precisamos de ter uma grande união de forças tanto no estado de São Paulo quanto no nível federal. Essa formação de quadro de centro é muito necessária. Você não pode deixar a política polarizada da forma como está — afirmou ela.
Presidente da Alesp até março, o atual secretário da Casa Civil do governo do estado, Cauê Macris diz que Camarinha tem sido "parceiro do governo":
— Foi uma boa escolha do governador. O Camarinha tem sido parceiro do governo. Ele tem experiência e todas as condições pra fazer um grande trabalho — disse Macris.
Apesar de ter na bancada o filho de Márcio França, o deputado Caio França, o PSB costuma votar com o governo Doria com frequência. Por isso, ainda que seja considerado um partido de esquerda a nível nacional, a sigla tem uma relação estreita com os tucanos em São Paulo. O próprio Márcio França foi vice de Geraldo Alckmin (PSDB) entre 2014 e 2018, quando assumiu o governo para que o tucano disputasse a Presidência da República.
Os deputados Barros Munhoz, ex-presidente da Alesp e agora em seu sexto mandato, e Roberto Engler, por exemplo, são dois ex-tucanos que hoje integram a bancada do PSB.
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