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  • J. POVO- MARÍLIA

Psicólogo que matou esposa e enteada de 9 anos e enterrou corpos no quintal vai a júri popular


O psicólogo Fabrício Buim Arena, 36 anos, que matou a esposa Cristiane Pedroso Arena, de 34 anos, e a filha dela, Karoline Vitória, 9 anos, e enterrou so corpos no quintal da casa onde moravam, em Pompeia (30 quilômetros de Marília) foi pronunciado a júri popular. A decisão é da Justiça Estadual (Fórum de Pompeia). O crime ocorreu em setembro de 2019.

A Justiça já havia acatado denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que indiciado o psicólogo pelos crimes de duplo homicídio com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além duplo feminicídio, dupla ocultação de cadáver e corrupção de menor.

O acusado permanece preso preventivamente na Penitenciária de Tremembé e pode recorrer da decisão.

Ainda deve ser esclarecida a divergência entre o depoimento de Fabrício e a perícia do Instituto Médico Legal (IML). O homem afirmou que matou Karoline asfixiada, mas laudo mostra que a menina morreu devido a um traumatismo craniano, causado por uma violenta pancada na cabeça.

A adolescente de 16 anos, acusada de participação nas mortes da própria mãe e da irmã, já foi sentenciada pela Justiça a cumprir no máximo três anos de internação.

O psicólogo Fabrício Buim Arena Belinato, 36 anos, foi submetido na tarde desta quinta-feira (29) à primeira audiência do procedimento judicial que o acusa de matar a esposa Cristiane Pedroso dos Santos Arena, de 34 anos, e sua filha Karoline Vitória dos Santos Guimarães, de apenas 9 anos, cujos corpos foram achados enterrados no quintal da casa onde todos moravam, em Pompeia (29,5 quilômetros de Marília), no dia 2 de fevereiro deste ano.

A audiência foi feita por videoconferência com o réu deve participando de forma virtual do presídio de Tremembé, onde está preso.

O ato processual incluiu audiência de instrução, debates e julgamento da primeira fase do procedimento, para após ser proferida pelo juiz a sentença de pronúncia ou impronúncia.

Se o réu for pronunciado, ele será julgado pelo Tribunal do Júri. Se houver a impronúncia, que não significa absolvição, o réu não vai a júri popular e o processo pode ser extinto caso não surja nova denúncia.

Na fase policial, o acusado foi indiciado por duplo feminicídio e ocultação de cadáver. O crime de feminicídio tem pena que varia de 12 a 30 anos de prisão e a ocultação de cadáver, de um a três anos.

O CASO

Fabrício matou a mulher, Cristiane e a enteada, de 9 anos


O CRIME

Fabrício Buim foi indiciado pela Polícia Civil por duplo feminicídio e ocultação de cadáver, com várias qualificadoras, em inquérito que investigou as mortes de Cristiane e Karoline. Os trabalhos foram realizados sob o comando do delegado Cláudio Anunciato Filho, de Pompeia.

Cristiane foi morta junto com a filha e ambas enterradas no quintal da própria casa, em Pompeia. Ela ainda foi obrigada a cavar as próprias covas.

É o que comprovaram relatos de vizinhos que disseram ter visto Cristiane carregando terra de dentro da residência para a calçada e batendo massa, por volta da meia-noite e madrugada adentro daquela que pode ter sido a véspera do bárbaro crime. No dia seguinte, os vizinhos viram apenas o então companheiro dela, ó psicólogo Fabrício Buim Arena Belinato, de 36 anos, carregando material usado na concretagem da cova. Para os vizinhos, a casa passava apenas por uma reforma, com novo contra piso e um telheiro.

Covas abertas no quintal da casa e cobertas com cimento (Foto: Portal NC Pompéia)

ADOLESCENTE INDICOU LOCAL DA COVA

A filha mais velha de Cristiane, uma adolescente de 16 anos, foi detida na terça-feira (2) acusada de envolvimento no crime macabro. Foi ela quem indicou o local exato onde havia sido enterrado o corpo da irmã, já que os policiais estavam com dificuldades de localizar a cova no quintal, com apoio de uma máquina retroescavadeira. Como a menina estava de pijama, há suspeita que ela tenha sido enterrada de noite ou durante a madrugada, junto com a mãe.

ENVOLVIMENTO AMOROSO COM A ENTEADA

Familiares de Cristiane também relataram que Fabrício já havia sido flagrado em situações de envolvimento amoroso com a adolescente, inclusive beijando ela na boca e tomando banho juntos. Ele ficava na casa com as duas meninas,. enquanto a mãe delas trabalhava em Santa Mercedes (distante 28 quilômetros de Pompéia).

Familiares da vítima relataram que Fabrício mantinha a esposa e as enteadas em cárcere privado, não deixando elas terem contato com eles. O caso do padrasto com a adolescente chegou a ser denunciado ao Conselho Tutelar de Pompéia.

Há suspeitas que Cristiane teria ameaçado denunciar o caso à polícia, também e por isso teria sido morta junto com a filha menor.

Desde o "sumiço" das vítimas, no final de novembro, a adolescente sustentava que a mãe havia saído de casa com a irmã dela por ter arrumado um novo namorado. Mesma versão de Fabrício. A adolescente negou ter envolvimento amoroso com o padrasto, tratado pelo delegado como "psicopata que fala bem".

"Mas essas alegações não nos convenceram”, disse o delegado Cláudio Anunciato Filho, que comandou as investigações do caso.

ACERTOS TRABALHISTAS

Diligências na cidade de Santa Mercedes, revelaram que Cristiane havia sido demitida de uma empresa de bebidas e recebido R$ 6 de acertos trabalhistas, no final de outubro.

Em dezembro, foram registradas movimentações financeiras em uma agência da Caixa, em Pompéia. Policias tiveram acesso as imagens de circuito interno da agência e constataram que quem fazia os saques era Fabrício, usando cartão de Cristiane.

PRISÃO EM CAMPO GRANDE

Fabrício Buim foi preso na noite de 8 de fevereiro, em Campo Grande (MS) Ele foi ouvido pelo delegado Cláudio Anunciato Filho ainda na Delegacia em Campo Grande (497 quilômetros de Pompéia). Fabrício disse que a menina foi morta pela irmã, de 16 anos, com quem ele confirmou que mantinha relações sexuais na ausência da mãe dela. A menor está apreendida em uma unidade da Fundação casa na região. O casal viveu junto com as meninas desde 2016.

Fabrício foi preso quando estava em uma obra na periferia de Campo Grande. Segundo a versão do assassino confesso, a mulher foi morta após um desentendimento. Ele alegou ter agido em legítima defesa após a esposa ter pego um canivete e o ameaçado. Ele teria matado Cristiane com duas facadas no abdômem e depois a enterrou, em novembro de 2020, em frente à residência onde moravam, em Pompeia.

No depoimento, Fabrício ainda relatou que Karoline Vitória foi morta após sentir falta da mãe e questionar o "sumiço" da mãe. Karoline foi morta 25 dias depois da mãe, e teve o corpo enterrado em um canto do quintal d