Queda de avião bimotor sobre casas no Bairro Nova Marília, há 30 anos, deixou 5 mortos. Um ano depois, mais uma queda em área residencial e morte de piloto
- Adilson de Lucca
- há 15 horas
- 3 min de leitura

Há dois dias, Marília foi extremamente abalada com a queda e explosão de um avião bimotor que deixou dois pilotos mortos e um ferido, ao lado do Aeroporto.
Há 30 anos, uma tragédia semelhante e com cinco vítimas fatais também comoveu a cidade. Lembrando que na época a internet não estava popularizada e não havia redes sociais. O acidente foi sendo "divulgado" boca a boca pela cidade e nos telejornais da noite.
Ao contrário do acidente registrado na manhã da última quinta-feira (10), quando instantes depois da queda do avião, fotos e vídeos dominavam as redes sociais.
Era um fim de tarde nublado, um sábado, dia 10 de agosto (véspera do Dia dos pais), quando às 17h45 um avião bimotor Sêneca, prefixo PT-RGU, caiu sobre três casas do núcleo habitacional Nova Marília, na zona sul da cidade.
Os cinco ocupantes do avião, entre eles uma criança, morreram no local. Quatro moradores de três casas vizinhas na Rua Yukio Fuziy ficaram feridos.
Uma das casas foi atingida em cheio pelo avião e teve toda a estrutura comprometida. As outras duas casas foram atingidas parcialmente.
O avião iria pousar em Bauru (a 100 km de Marília) para reabastecer, mas o aeroporto de lá estava fechado devido à neblina. Por isso, o piloto decidiu pelo pouso em Marília.
A suspeita, na época, é que a aeronave tenha sofrido uma pane seca (falta de combustível). Outra hipótese, em virtude da forte neblina, é que o piloto tenha confundido as luzes da Avenida João Ramalho com a pista do aeroporto.

Bombeiros atuando no local do acidente, no Bairro Nova Marília, em 1996
QUEDA DE AVIÃO E MORTE DO PILOTO NO BAIRRO MARIA IZABEL
No ano seguinte, outra queda de avião com vítima fatal ocorreu em Marília. No final da manhã do dia 15 de dezembro de 1997, um monomotor de fabricação argentina (modelo Aero Buero) caiu de bico no pequeno espaço da varanda entre o muro e a garagem de uma residência localizada na Rua Gabriel Lopes Gonçalves, no Bairro Maria Izabel, zona leste da cidade.
O piloto, Rogério Moreno da Silva, de 23 anos, foi socorrido, mas faleceu no hospital, enquanto o passageiro, o fotógrafo Alexandre de Souza (que fazia fotos panorâmicas da cidade) também foi socorrido com ferimentos leves e sobreviveu.
O monomotor pertencia ao Aeroclube de Marília e sofreu uma pane logo após a decolagem.

Avião monomotor caiu em 1997 na varanda de uma casa no Bairro Maria Izabel.
O piloto morreu e o fotógrafo Alexandre de Souza sobreviveu
O ACIDENTE NA ÚLTIMA QUARTA-FEIRA
O avião bi-motor que caiu na quarta-feira (10) ao lado do Aeroporto de Marília, veio para Marília para passar por manutenção e fazia alguns testes no momento da queda. Gabriel Maloni, de 24 anos, pilotava a aeronave.
Técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), de São Paulo, chegaram em Marília no final da tarde de ontem para fazer levantamentos técnicos sobre o sinistro.
Representantes da oficina de manutenção de aeronaves que funciona no Aeroporto de Marília devem prestar depoimento sobre o ocorrido na Central de Polícia Judiciária (CPJ). Um deles já foi ouvido ontem.
O acidente deixou duas vítimas fatais e uma foi retirada do avião por trabalhadores da construção civil que estavam na sede da AABB no momento da queda. Eles conseguiram cortar com faca o cinto de segurança e retirar o passageiro que estava no banco de trás da aeronave.
O fogo se propagou e não foi possível fazer o mesmo com os dois pilotos que estavam nos bancos da frente e eles foram carbonizados.

VÍTIMAS
Henrique Guariente Filho, de 47 anos, um dos dois pilotos que morreram na queda de um avião bi-motor no final da manhã desta quarta-feira (10), em Marília, será velado na Sala Master do Velório da Saudade, a partir das 10h desta quinta-feira e o sepultamento está marcado para as 12h do da sexta-feira (12), no Parque das Orquídeas. Já Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, será sepultado em Estrela D'Oeste (SP). Ambos atuavam na aviação comercial e morreram carbonizados.
Um terceiro ocupante do avião, o mecânico Pablo Portela Ilowski, de 28 anos, foi socorrido com vida e encaminhado ao Hospital das Clínicas de Marília. Ele estava no banco de trás da aeronave e foi salvo por dois trabalhadores da construção civil que estavam na sede social e esportiva da AABB no momento do acidente.
Foi resgatado com vida, consciente e encaminhado ao Hospital das Clínicas de Marília.
A aeronave pertencia ao empresário Carlos Eduardo Alves, da empresa Ponzan Alimentos, em Estrela D'Oeste (277 quilômetros de Marília), no interior de São Paulo.
O avião, com prefixo PT-MDB, é um modelo Beech Aircraft 58, fabricado em 1985, em situação normal de aeronavegabilidade, caiu na sede da AABB, próximo ao Aeroporto de Marília, após decolar e sobrevoar a cidade por cerca de 40 minutos.





