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  • Foto do escritor J. POVO- MARÍLIA

"Queriam um milhão. Cavavam minha cova e diziam que eu ia morrer". Candidato relata tortura


"Eles cavavam a minha cova e diziam que eu ia morrer". Esse o relato do candidato a deputado estadual por Marília, Thiago Zani (Solidariedade), vítima de sequestro e extorsão, durante viagem a São Paulo.

Ele caiu em uma emboscada na noite da terça-feira (6), foi levado para favelas na Zona Norte da capital e mantido em cativeiros. Um deles como uma "casinha de cachorro", conforme relatou.

O candidato estava em São Paulo, gravando material de campanha, quando decidiu ir até a região de Guarulhos levar material de campanha para uma mulher que já vinha há alguns dias solicitando isso através de rede social. Zani havia postado mensagens em suas redes sociais colocando material de campanha à disposição de voluntários.

"Ao se aproximar do local indicado pela mulher que receberia o material, vi uma pessoa atravessando a rua e quando vi já era um dos indivíduos armado e vieram mais dois indivíduos armados do outro lado do carro. Já mandaram eu sair e ir para o banco de trás do carro", contou o candidato, em entrevista ao repórter Alcir Neto, da Rádio Clube.

Ele disse que então rodaram por uns vinte minutos com o veículo e ele foi levado para um pontilhão em cima da Rodovia dos Bandeirantes. "Me jogaram dentro de uma casinha, que parecia uma casinha de cachorro, onde começaram a me torturar com machado, cavando uma terra, falando que ia ser minha cova, me bateram com o cabo da enxada, essas coisas e queriam as contas de campanha, queriam porque queriam a senha da campanha, passei tudo", relatou.

"Falei que não tinha dinheiro, que o partido não mandava, que não era assim que funcionava, mas eles não acreditavam. Toda hora eles queriam um milhão da campanha. Passei as senhas da minhas contas particulares, da campanha. Eles viram que não tinha nada e diziam que iam me matar", contou.

O candidato disse que em seguida, colocaram ele de novo no carro e o levaram para outro local e o jogaram dentro de um barraco em uma favela, onde haviam outras pessoas.

"Fiquei mais umas quatro horas lá e eles vinham a cada vinte minutos querendo as senhas. Eu dizia que já tinha passado as senhas e falavam que eu estava enganando, que eu ia morrer. que sabiam da minha vida. Então eu disse que estava passando mal, que tinha marca-passos", relatou Zani.

Ele disse que por volta das 4h30 o dono do barraco deu ordem para um dos chefes que era para soltá-lo. Foi colocado novamente no carro, agachado atrás do banco e voltaram a rodar.

"Me levaram para um local afastado da cidade, pararam o carro e pediram pra mim correr, dizendo que iam me matar. Sai correndo para dentro do mato e cai. Pensei: foi nessa hora que falei, eles vão me matar. Mas fiquei abaixado. Os indivíduos saíram do carro e foram embora" relatou Zani.

Disse que momentos depois deixou o local e saiu caminhando. Encontrou um motorista de Uber que o levou para uma área mais habitada. A policia foi acionada.

"Marquei bem o local onde eu havia sido deixado. Fui com os policiais até lá e quando chegamos o cara que estava me ameaçando estava lá. Ele logo confessou, dizendo: é o carro do deputado?".

Zani disse que nesse momento passou outro motorista de aplicativo dizendo que nas proximidades havia um carro pegando fogo. "A gente foi até lá e era o meu carro", disse. "Foi um crime premeditado e acabei caindo nesse golpe", lamentou.

Na delegacia onde foi registrada a ocorrência, Zani disse que os policiais relataram que no mesmo local onde ele havia sido sequestrado foi executado uma empresário de 30 anos.







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