Técnicos do Ceripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) vão fazer perícia nos motores do avião bimotor que caiu em Marília e deixou dois mortos, em junho passado.
Os trabalhos de perícia, marcada pelo Ministério da Defesa, serão realizadas a partir das 13h na Oficina Marília de Aviação (OMA), localizada no Aeroporto de Marília.
O objetivo central desta análise técnica é confirmar se houve falha mecânica no grupo motopropulsor da aeronave durante os momentos que antecederam o acidente. Relatos de um sobrevivente do acidente apontou que os pilotos realizavam teste de voar com apenas um motor no momento do sinistro.
RELATO DO SOBREVIVENTE
Voar com apenas um dos dois motores em funcionamento. Este teria sido o motivo da queda e um avião bimotor que caiu na área da AABB, nas proximidades do Aeroporto de Marília, no final da manhã do dia 10 de junho. Esta ação, simulando situação de emergência, não seguiu os protocolos de segurança.
O relato, em depoimento à Polícia Civil, foi do piloto Pablo Portela Ilowski, de 28 anos, único sobrevivente do acidente. Ele disse que a aeronave era pilotada por Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, que faleceu carbonizado no local do acidente. Outra vítima fatal foi o piloto Henrique Guariente Filho, de 47 anos.
Pablo foi retirado da aeronave, antes dela ser consumida pelo fogo, por trabalhadores da construção civil que estavam no local da queda, um campo de futebol e área esportiva.
Os operários usaram uma faca da cozinha da instituição para cortar o cinto e retirar o piloto dos destroços da aeronave. Durante o resgate, atordoado, ele ainda falou que havia outras duas pessoas no avião. Foi conduzido pelos Bombeiros ao H.C.
Não foi possível a retirada dos outros dois pilotos porque o fogo se propagou rapidamente e tomou conta do avião, apesar dos uso de 16 extintores usados no combate às chamas, logo após a queda. As duas vítimas fatais foram carbonizadas.
Pablo, que estava como passageiro no banco de trás do avião, disse que os testes foram combinados pelos pilotos em jantar na noite anterior e assim foi feito no momento do voo, com um dos motores sendo desligado e depois o outro, simultaneamente.
Afirmou que após sobrevoos pela cidade, houve o procedimento para o pouso e nesse momento o piloto decidiu arremeter, quando houve a queda. Segundo Gabriel, não houve falha mecânica e que a aeronave havia passado por manutenção.
A aeronave pertencia ao empresário Carlos Eduardo Alves, da empresa Ponzan Alimentos, em Estrela D'Oeste (277 quilômetros de Marília), no interior de São Paulo.
O avião, com prefixo PT-MDB, é um modelo Beech Aircraft 58, fabricado em 1985, em situação normal de aeronavegabi.
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