Um grupo de estudantes do curso de Psicologia da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, passou a ser investigado pela Polícia Civil após a criação e divulgação de uma “tier list” (lista e avaliação, em inglês) com fotos de alunas da instituição, acompanhadas de avaliações e comentários de teor sexual e depreciativo.
Um dos acusados de produzir o material escreveu em uma mensagem de aplicativo: "tirei as lésbicas e as gordas". Outro comenta: "tem umas aí que discordo".
As imagens das estudantes teriam sido retiradas de redes sociais sem autorização e compartilhadas em um grupo fechado de aplicativo de mensagens. O conteúdo classificava e avaliava as mulheres, gerando revolta entre estudantes e levando o caso à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente.
Segundo a Polícia Civil, seis vítimas já foram identificadas e cinco suspeitos estão sendo investigados. A apuração busca esclarecer quem produziu o material, quem participou das avaliações e como o conteúdo acabou sendo disseminado. Uma das universitárias contou que descobriu que havia sido incluída na lista após visualizar uma nota de repúdio publicada nas redes sociais.
Ao analisar o material, ela reconheceu amigas de sala e posteriormente encontrou a própria imagem entre as fotografias utilizadas. A estudante relatou ter sofrido uma crise de ansiedade após descobrir a exposição. Segundo ela, o episódio se tornou ainda mais perturbador porque um dos envolvidos seria um colega de turma com quem tinha convivência diária.
“É uma nojeira. O homem que fez a edição mesmo era meu amigo de turma, sentava do meu lado”, relatou a universitária. O conteúdo gerou mobilização entre os alunos. Estudantes e ativistas realizaram um ato em frente ao Campus II da Unoeste, às margens da Rodovia Raposo Tavares, em protesto contra a exposição das mulheres.
Além da investigação policial, a universidade abriu uma apuração interna para identificar os responsáveis e aplicar as medidas disciplinares previstas em seu regimento. Em nota, a Unoeste afirmou repudiar qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade das estudantes.
A instituição também informou que está oferecendo acolhimento às acadêmicas envolvidas e pediu que o conteúdo não seja compartilhado novamente, para evitar ampliar os danos causados às vítimas. A Polícia Civil informou que a investigação ainda está em fase inicial. Depoimentos estão sendo colhidos e as provas digitais relacionadas ao grupo de mensagens estão sendo preservadas.
Até o momento, ninguém foi indiciado. O caso provocou indignação dentro da comunidade acadêmica e levantou novamente o debate sobre a exposição de mulheres na internet, o uso não autorizado de fotografias e os limites de condutas apresentadas como “brincadeira” quando resultam em constrangimento e sexualização das vítimas.
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