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  • J. POVO- MARÍLIA

TRANSAÇÃO DO NOCIVO MONOPÓLIO: Expresso de Prata está sendo vendida para o grupo Gol Linhas Aéreas


O nocivo monopólio de mais de sessenta anos do Expresso de Prata que assola a população de Marília e região na linha Marília/São Paulo/Marília, está mudando de donos. Fundada pelo empresário Alcides Franciscato, está sendo negociada com a família Constantino.

O negócio, em estágio bem adiantado, está sendo realizado através da Comporte Participações S/A, holding que atua no transporte de passageiros (Gol Linhas Aéreas) e de cargas e no setor imobiliário, liderada pelos 4 irmãos Constantino.

As conversações entre os grupos avançou substancialmente, sobretudo nos últimos dias do final do ano passado.

A Expresso de Prata está prestes a completar 93 anos de atividades em abril de 2022 e opera várias das principais linhas de trajetos regionais no Estado de São Paulo, sobretudo para a Capital e partindo e chegando de cidades médias.

A JARDINEIRA

Nascida em 1927, através de Angelo Franciscato, filho de imigrantes italianos, a história registra que Angelo chegou ainda criança em Piracicaba, acompanhado da mãe e de cinco irmãos menores. Conseguiu emprego numa fábrica de tecidos, depois em uma unidade de parafusos. Aprendeu mecânica neste local, o que o ajudou a conseguir emprego na oficina da Ford de Piracicaba.

Com economias, comprou uma jardineira usada e abriu uma linha de transporte de passageiros entre Piracicaba e Torrinha, em 1927. Nessa época, aos 19 anos, atuava como motorista, cobrador, mecânico e contava com um funcionário para revezamento. Montou, depois, uma oficina, onde passou a gerar suas próprias jardineiras.

A HOLDING

A holding Comporte Participações é controlada pelo Conselho de Administração da Gol Linhas Aéreas. As empresas do grupo, com presença nos setores aéreo e de transporte rodoviário (e de cargas) estão espalhadas por diferentes estados, cuja atividade e expansão tem os olhos do fundador, Nenê Constantino.

O interesse pelas operações da Expresso de Prata pelo Grupo Constantino (através dos 4 irmãos Ricardo, Joaquim, Henrique e Constantino de Oliveira Júnior) coincide com as acomodações no ciclo de negócios dos patriarcas da família Franciscato, com Alcides (92 anos) e o irmão Alceu (90 anos).

“TEMPO” NEGOCIAL

As conversações finais entre os executivos das empresas chegam no momento de pós-pandemia, mas “nasceram antes”. As sondagens preliminares tiveram início ainda antes de 2020, quando a Covid causou estragos profundos em vários setores da economia, incluindo transportes de passageiros. As perdas de faturamento no setor foram substanciais. Várias empresas pelo País estiveram, ou estão, à venda.

Até 2018, o grupo Franciscato ainda desenhava recomposição de estratégias no setor, cujas movimentações são demarcadas pela abertura de consultas públicas e realização de 14 audiências públicas em todo o Interior, pelo governo do Estado de São Paulo, visando a concorrência pelas concessões. Mas o processo foi arquivado pelo governo paulista, sem conclusão.

Veio a pandemia e o transporte de passageiros foi atingido em cheio. A redefinição de custos e ajustes nos negócios, para passar pela “tempestade sanitária econômica”, perduraram mais do que o esperado no País. Entre outros fatores, empresas do transporte discutiram fusões, outras deixaram o mercado.

As retomada das conversações vieram com avanço “expressivo” no final de 2021, há poucos dias.

Os negócios da família Constantino também sofreram mutação. Entre as sociedades, por exemplo, os irmãos Nenê e Paulo repactuaram participações como sócios, em julho de 2021, conforme os registros. Nichos regionais específicos, como as operações rodoviárias da empresa Andorinha, por exemplo, foram separados, entre os irmãos.

Os negócios da família estão presentes em diversas marcas, como o controle da concessionária Via Rondon e, claro, a Gol Linhas Aéreas.




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