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  • J. POVO- MARÍLIA

Vereadores "defensores" dos servidores seguem calados sobre denúncias de agressões no P.A Sul


MATÉRIA ATUALIZADA AS 18H22


Será votado na sessão da Câmara de Marília na próxima segunda-feira (12), o pedido de instauração de Comissão Processante com pedido de cassação do mandato do vereador e agente Júnior Féfin (PSL).

Ele é acusado de agressões físicas de verbais durante "invasão" ao Pronto Atendimento (P.A) da Zona Sul. A ação definida como "agressiva e intimidadora" por funcionários do local, ocorreu na manhã do dia 1°.

Após a conduta "extremamente reprovável" do vereador, a enfermeira-chefe do P.A Sul, Maria Ângela Rodrigues de Souza, principal alvo do vereador, registrou Boletim de Ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ). PEDIDO DE CASSAÇÃO DO MANDATO DE FÉFIN

Na terça-feira (6), foi protocolado na Câmara um documento assinado por mais de trinta profissionais do P.A Sul com pedido de abertura do processo contra Féfin por quebra de decoro parlamentar.

O que mais revoltou os servidores públicos municipais, principalmente os que atuam no setor de saúde, foram, além das agressões físicas de verbais como descritas nas denúncias, o fato do vereador ter acusado os profissionais do P.A "que estariam matando dez pessoas por dia", que o local estava "uma bagunça" e "havia medicamentos vencidos". O P.A Sul possui farmacêutico responsável pelo controle do estoque e validade dos medicamentos.

Os profissionais se revoltaram ainda com o fato do vereador ter tentado entrar à força em área restrita a pacientes da Covid, "colocando em risco, inclusive, a vida de pacientes intubados".

VEREADORES "DEFENSORES" DOS SERVIDORES SEGUEM CALADOS

Os vereadores e servidores públicos municipais efetivos, Danilo da Saúde (que atua na respectiva secretaria municipal) e a vereadora professora Daniela Alves (que atua na Rede Municipal de Educação), eleitos com a bandeira de "defensores dos servidores públicos", ainda não se manifestaram sobre o caso do P.A Sul e o pedido de Comissão Processante contra o vereador Júnior Féfin.

O JP ligou para Danilo da Saúde, nesta sexta-feira (9). Ele não atendeu e nem retornou as chamadas. A vereadora professora Daniela atendeu, fingiu que não estava ouvindo nada e desligou. Em seguida, não atendeu mais as ligações.

Ela, aliás, foi alvo de uma Comissão Processante também por quebra de decoro parlamentar, no ano passado, no polêmico caso da carteirada, durante autuação e apreensão de um veículo dela com licenciamento vencido e, segundo a fiscalização, pneus "lisos". Após o processo, a vereadora foi absolvida pelo plenário, em dezembro passado.

RETORNO DA LIGAÇÃO

Após a publicação da matéria, a vereadora professora Daniela retornou contato com o JP e informou que o número que recebeu a ligação do Jornal (pela operadora TIM) não consta no celular de sua agenda e sim o número da operadora Vivo.

"Sempre atendi o Jornal com todo o respeito e não aceito esse termo de "fingiu que estava ouvindo, porque esta não é a minha conduta", afirmou. Sobre o caso do veículo apreendido, disse que, como bem divulgado na época dos fatos, possui laudos periciais comprovando que os pneus do carro não estavam "lisos".

Em relação ao pedido de Comissão Processante, a vereadora disse que vai se manifestar somente na sessão da próxima segunda-feira, assim que o pedido estiver formalizado em plenário.

COREN REPUDIA AGRESSÕES E ATITUDE DO VEREADOR FÉFIN

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren/SP) divulgou manifesto de repúdio à atitude do vereador Júnior Féfin no P.A Sul. Com "profunda indignação" o órgão, que representa milhares de servidores da saúde pública e privada, mencionou que "egundo relatos dos profissionais de saúde, ele intimidou e agrediu verbalmente e fisicamente profissionais que exerciam as suas funções no PA Sul. É inadmissível, em qualquer circunstância, que uma autoridade adentre uma instituição de saúde para ofender e ameaçar equipes. Tal situação se torna ainda mais intolerável em um momento de pandemia, no qual, mais do que nunca, os trabalhadores da saúde têm arriscado suas vidas e enfrentando a sobrecarga de trabalho, para garantir o acesso da população à saúde".

Em outro trecho do Comunicado Público, o Coren/SP menciona que "não se pode admitir que a enfermagem ou qualquer outra categoria da saúde sejam agredidas em seu ambiente profissional, em um momento em que deveriam ser amparados pelas autoridades".

NOTA DO COREN/SP

Coren-SP exige retratação do vereador Junior Féfin, de Marília Comunicação / Coren-SP Com profunda indignação o Coren-SP se manifesta em relação às atitudes do vereador Junior Féfin, de Marília. Segundo relatos dos profissionais de saúde, ele intimidou e agrediu verbalmente e fisicamente profissionais que exerciam as suas funções no PA Sul. É inadmissível, em qualquer circunstância, que uma autoridade adentre uma instituição de saúde para ofender e ameaçar equipes. Tal situação se torna ainda mais intolerável em um momento de pandemia, no qual, mais do que nunca, os trabalhadores da saúde têm arriscado suas vidas e enfrentando a sobrecarga de trabalho, para garantir o acesso da população à saúde. Ainda segundo relatos, o vereador teria dito que os profissionais “estavam matando as pessoas, dando medicamentos vencidos e que havia falta de insumos”. Caso o sr. Junior considere que há realmente falta de insumos, o Coren-SP orienta que tal tipo de cobrança e fiscalização seja direcionada à Prefeitura, órgão responsável por garantir as condições adequadas para a oferta de uma assistência digna e segura à população. Além disso, cabe ressaltar É inadmissível, em qualquer circunstância, que uma autoridade adentre uma instituição de saúde para ofender e ameaçar equipes. Tal situação se torna ainda mais intolerável em um momento de pandemia, no qual, mais do que nunca, os trabalhadores da saúde têm arriscado suas vidas e enfrentando a sobrecarga de trabalho, para garantir o acesso da população à saúde. Não se pode admitir que a enfermagem ou qualquer outra categoria da saúde sejam agredidas em seu ambiente profissional, em um momento em que deveriam ser amparados pelas autoridades.

O Coren-SP exige um pedido de desculpas por parte do vereador e prosseguirá com a realização de um Desagravo Público, para que o sr. Junior se retrate oficialmente.

OMISSÃO DO SINDICATO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Marília encaminhou Nota ao JP nesta sexta-feira (9). Pelo texto, a entidade fica omissa em relação aos servidores que atuam no P.A Sul. "O sindicato não vai se posicionar", menciona.

NOTA

"Sindicato colocou o departamento jurídico à disposição dos servidores, caso eles queiram adotar alguma medida, por terem se sentido agredidos. Até agora ninguém procurou o sindicato. Sobre a CP é uma questão exclusiva do Legislativo e o sindicato não vai se posicionar"

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