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Visitante passa mal em penitenciária, amiga faz os primeiros socorros e denuncia falta de atendimento na unidade. Polícia Penal apura o caso

  • Foto do escritor:  J. POVO- MARÍLIA
    J. POVO- MARÍLIA
  • há 51 minutos
  • 3 min de leitura

Bombeiros que estavam a caminho da penitenciária socorreram Aline, que era transportada e veículo particular

A dona de casa Aline Mayara, de 41 anos, passou mal, apresentou desmaios, vômitos e sintomas de infarto enquanto aguardava no setor de visitas do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Penitenciária de Álvaro de Carvalho, por volta das 7h da manhã do sábado (25). Amigas que a acompanhavam apontam falta de socorro por parte de funcionários da Unidade.

A estudante de biomedicina, Grazieli da Silva, era uma das amigas que acompanhavam Aline e condutora do veículo em que elas viajaram para o CDP.

Grazieli relatou ao JORNAL DO POVO momentos de muita tensão após Aline desmaiar. "Nós chegamos no CDP e estava tudo bem. Foi quando a Aline foi ao banheiro e momentos depois retornou e caiu na porta do banheiro. Ela pediu para uma pessoa me chamar. Quando cheguei no local, ela estava desmaiada e convulsionando", disse Grazieli.

Como profissional da área de saúde, ela iniciou alguns procedimentos, como massagem cardíaca (Reanimação Cardiopulmonar - RCP) por quinze minutos.

Enquanto eram feitos os procedimentos, uma outra visitante acionou funcionários do CPD para pedido de socorro pelo Corpo de Bombeiros ou outras medidas adequadas para a situação.

"Os funcionários não manifestaram nenhum interesse em ajudar e ficamos indignadas com essa falta de atendimento e respeito à uma pessoa que estava passando mal", disse Graziela.

Ela afirmou que a maior dificuldade foi ligar para os Bombeiros, já que há bloqueadores de sinais de celulares nos perímetros das penitenciárias no Estado de São Paulo.

"Uma visitante se afastou e conseguiu ligar do celular para os Bombeiros. A ligação caiu em Bauru e eles pediram para fazer um contato com alguma unidade mais próxima de Álvaro de Carvalho, no caso Garça", explicou Grazieli.

Ela disse que foi feito esse contato. "Enquanto isso, segui com as massagens com ajuda de um rapaz que disse que era enfermeiro. A Aline vomitava coágulos de sangue, desmaiava e retomava os sentidos. Conseguimos estabilizar ela por uns 20 minutos, mas desmaiou, de novo. Como o quadro era debilitado e grave, decidi colocar ela no meu carro e seguir para Garça".

Grazieli disse que há cerca de um quilômetro de Garça, avistou uma viatura do Corpo de Bombeiros que seguia para o CDP. "Paramos e eles assumiram a paciente, com aparatos de socorro da viatura. Os Bombeiros, assim como a equipe de atendimento da UPA de Garça foram super eficientes e atenciosos e agradecemos muito a eles".

Aline foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de Garça e sem seguida, em uma ambulância com médico e dois enfermeiros para a Santa Casa de Marília, onde permaneceu internada, com quadro de hemorragias no estômago e intestino. Grazieli disse que a paciente deve passar por cirurgia cardíaca.

A assessoria de imprensa da Santa Casa informou que o hospital só repassa informações sobre o estado de pacientes aos familiares.

REGISTRO DE BOLETIM DE OCORRÊNCIA

O JORNAL DO POVO apurou que familiares de Aline registraram um Boletim de Ocorrência online sobre o ocorrido e devem acionar advogados para acompanhar o caso.

Um dos objetivos é conseguir acesso à imagens de câmeras de monitoramento do CDP, durante o período de visitação dos detentos, no sábado pela manhã.

MANIFESTAÇÃO DA SAP

O JP também encaminhou demanda sobre o caso à assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária (SP), órgão ligado à secretaria de Segurança Pública do Estado.

A resposta foi a seguinte:

"Prezado,

A Polícia Penal do Estado de São Paulo apura a denúncia de falta de atendimento a uma visitante que teria passado mal no estacionamento do Complexo Penal de Álvaro de Carvalho, no sábado (25).

Atenciosamente".

O JP questionou a existência de eventual protocolo de atendimento a visitantes, como no caso de Aline, mas não houve retorno nesse sentido.


 
 
 

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