"Distritão" acaba com "puxadores de votos". Entenda como funciona isso

August 10, 2017

 Pelo novo modelo de eleições para parlamentares, principalmente, nas eleições para deputado estadual e federal seriam eleitos os mais votados do Estado para as respectivas quantidades de vagas, ou seja, 70 deputados federais e 94 estaduais. 

O sistema acaba com os chamados "puxadores de votos", como o deputado federal Celso Russomano, eleito em 2014 com 1,5 milhão de votos e "puxou" entre outros, o cantor sertanejo Sérgio Reis, que obteve 45 mil votos. O mesmo fenômeno acontece com Tiririca (PR), que colocou na Câmara o Capitão Augusto (de Ourinhos, que obteve 46 mil votos) e Miguel Lombardi.
A Comissão da Câmara que analisa a reforma política aprovou nesta quinta-feira (10) uma emenda que estabelece o chamado "distritão" para a escolha de deputados federais, deputados estaduais e vereadores.

A comissão ainda não concluiu a análise dessa proposta, que passará também pelo plenário da Câmara (votação em dois turnos) e pelo Senado. Mas vale entender como funciona o sistema atual e quais são as mudanças discutidas.

COMO FUNCIONA HOJE

- O eleitor vota no partido ou no candidato.

- Os partidos podem se juntar em coligações.

- O sistema permite o voto no partido e não somente no candidato.

- É calculado o quociente eleitoral, que leva em conta os votos válidos no candidato e no partido.

- Pelo cálculo do quociente, é definido o número de vagas que cada coligação ou partido terá direito.

- São eleitos os mais votados das coligações ou partidos.

PUXANDO OUTROS

- "Puxadores de votos", candidatos com votação expressiva, garantem vagas para outros integrantes da coligação.

- Exemplo de "puxador de voto": em 2010, o humorista Tiririca (PR-SP) recebeu 1.353.820 votos, o que beneficiou candidatos de sua coligação. O último eleito da coligação, Vanderlei Siraque (PT), e o penúltimo, Delegado Protógenes (PC do B), obtiveram cerca de 90 mil votos cada um. Candidatos de outras coligações que obtiveram votações superiores ficaram de fora.

- O sistema permite que as coligações e partidos levem para as casas legislativas candidatos com votações expressivas e também outros não tão conhecidos.

- A renovação do Legislativo tende a ser maior, porque os votos na legenda e nos "puxadores de voto" ajudam a eleger candidatos menos conhecidos.

- O foco de muitas campanhas fica nas propostas dos partidos, e não de candidatos individuais. Isso significa menos gastos.

ENTENDA O DISTRITÃO

Como funciona o sistema:

- Cada estado ou município vira um distrito eleitoral

- São eleitos os candidatos mais votados.Não são levados em conta os votos para o partido ou a coligação.

NA PRÁTICA

- Torna-se uma eleição majoritária, como já acontece na escolha de presidente da República, governador, prefeito e senador.

O modelo acaba com os "puxadores de votos", candidatos com votação expressiva que garantem vagas para outros integrantes da coligação.

O foco das campanhas tende a passar para os candidatos, fazendo com que os programas dos partidos e das coligações percam espaço.

Com o favorecimento das campanhas individuais, candidatos com mais recursos podem ser beneficiados.Pode acontecer de apenas os candidatos mais conhecidos, como celebridades ou parlamentares que tentam a reeleição, conseguirem se eleger.

Com a eleição dos mais famosos, tende a ser mais difícil a renovação nas casas legislativas.Pode ser mais difícil o surgimento de novos nomes na política também porque coligações e partidos deixariam de levar para as casas legislativas candidatos com votações menos expressivas.

 

 

 

 

 

 

 

 

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