Andarilho que passou pela região carregando cruz de 60 kg morreu atropelado. Ele pretendia chegar aos Estados Unidos!

October 18, 2017

Um andarilho que passou pela região de Marília em sua peregrinação religiosa, morreu atropelado na Rodovia Fernão Dias. A peregrinação de Paulo Cícero de Lima, de 56 anos, que percorreu diversas rodovias brasileiras sob dias de sol intenso, chuvas e noites frias, chegou ao fim quando ele foi atropelado por um carro enquanto caminhava pela rodovia Fernão Dias, já próximo ao município de Cotia, no interior de São Paulo.

O sepultamento aconteceu nesta terça-feira (10). O acidente aconteceu durante a noite. Ele, que estava iniciando uma nova peregrinação, sofreu diversas lesões e foi encaminhado a um hospital da região em estado grave. No entanto, o andarilho não resistiu e morreu ao dar entrada na unidade médica. Conforme as informações, a família demorou a saber do fato e apenas nesta segunda-feira (9) deu entrada nos trâmites legais para retirar o corpo do Instituto Médico Legal (IML).

Paulo Cícero fazia peregrinações por todo o país carregando uma grande cruz de madeira de 60 kg como protesto por uma injustiça que sofreu.

Ele, que era pedreiro, foi acusado de ter matado uma jovem de 21 anos no interior de São Paulo a marretadas, em 1993. Por 16 anos, ele permaneceu preso e foi liberado apenas em 2009 após passar por mais de 14 presídios. Em todas as entrevistas concedidas, ele afirmava não ter sido o autor do crime.

Ao passar por Maracaí (90 km de Marília) em setembro do ano passado, ele concedeu uma entrevista dizendo que pretendia chegar ao Estados Unidos para provar que não foi ele o autor do homicídio. "Pedi para Deus ver o que eu poderia fazer para abrir o meu processo. Aí eu tive um sonho que eu pegava uma cruz e um monte de gente também pegava essa cruz e me acompanhava. Sete anos depois, eu tive outro sonho, de que eu pegava a cruz e saia com ela, e eu atravessava vários paredões, mas tinha um paredão que eu não conseguia atravessar, aí eu jogava as minhas coisas por cima e depois eu via uma porta que dava acesso ao paraíso", contou Lima.

No dia 15 de fevereiro de 2016, Paulo Cícero decidiu confeccionar a cruz para ir até Brasília, no Supremo Tribunal Federal. "Fiquei uma semana lá, depois fui para Goiana, onde deixei a cruz em Trindade e voltei para São Paulo", explicou.

Em Itapevi/SP, o ex-presidiário resolveu fazer outra cruz, mas agora é para ir até os Estados Unidos, ao encontro do Obama. "Durante a viagem eu decifrei o meu sonho. Aquele povo que pegava a cruz para andar comigo são as pessoas que me apoiam e vão me apoiar na estrada, e o paredão é a Justiça. Esse povo e eu vamos abrir esta porta e me livrar desta sujeira que colocaram no meu rosto", disse o pernambucano.

Ele contou que por ser condenado perdeu a sua esposa e o contato com os filhos. "Até o amor de um irmão eu perdi por causa disso", completou.

Sobre Maracaí, Paulo Cícero contou que quis entrar na cidade para conhecer o Menino da Tábua, mas que mesmo não conhecendo pessoalmente o local já havia visto em seu sonho. "Eu não conhecia aqui, mas esta estrada é a do meu sonho, foi ela que apareceu no meu sonho", disse.

 

 

 

As peregrinações começaram após um sonho que Paulo Cícero teve com Maria. Em entrevista ao Correio Braziliense, quando passou pela Capital Federal, ele se disse devoto de Nossa Senhora e afirmou que, no sonho, ela dizia que intercederia por ele caso ele carregasse uma cruz”.

O andarilho sonhava chegar com a peregrinação aos Estados Unidos. A jornada, no entanto, se encerrou em Rondônia, onde chegou no final de maio. Sobre uma ponte de Porto Velho, ele jogou sua cruz no Rio Madeira e, assim, terminou mais uma andança após caminhar mais de 2 mil quilômetros em cerca de um ano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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