Marília é escolhida entre seis cidades no país em estudo que usa o próprio Aedes no controle de larvas

November 23, 2017

                     Trabalhos de pesquisas sobre larvas do mosquito da Dengue (Fotos: Júlio César de Carlis) 

 

Marília foi selecionada pelo Ministério da Saúde, junto com outras cinco cidades, para uma pesquisa que pretende apurar, ao longo de dois anos, a eficácia de uma nova estratégia de controle do Aedes Aegypti. Com essa técnica, o próprio mosquito é usado para o controle da população de vetores, transportando larvicida nas patas e contaminando os criadouros.

O projeto inovador é resultado do trabalho de pesquisadores do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e do Instituto Rene Rachou (IRR/Fiocruz Minas), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

 

Nesta etapa da pesquisa, que irá durar dois anos, Marília é o único município do interior incluído na lista. Os demais, são capitais de três regiões: Fortaleza, Recife e Natal (Nordeste); Goiânia (Centro-Oeste) e Belo Horizonte (Sudeste). O trabalho acontece de forma simultânea nas seis localidades.

Nesta quinta-feira (23), o diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Bessa Luz, esteve em Marília e participou de uma reunião com supervisores de saúde da Secretaria Municipal da Saúde, pesquisadores locais e técnicos da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), órgão da secretaria de Estado da Saúde.

 

NA PRÁTICA

 

 

O cientista detalhou o projeto, tirou dúvidas e visitou bairros de Marília. Cerca de duas mil armadilhas disseminadoras do larvicida pyriproxyfen serão instaladas na cidade a partir da próxima semana. O produto químico já é usado para matar larvas do mosquito em todo o país, porém a forma de utilização é que está sendo inovada.

Armadilha disseminadora desenvolvida pela Fiocruz 

“Um dos problemas mais importantes e difíceis de resolver no controle dos mosquitos vetores da dengue e outras doenças (como a febre Chikungunya e Zica) é que muitos dos criadouros não são tratados durante as ações de controle, por conta do difícil acesso ou porque não são identificados”, afirma o pesquisador.

No sistema tradicional (eliminação manual dos criadouros) os melhores resultados são obtidos nos chamados macrocriadouros, enquanto os microcriadouros, quase imperceptíveis ou inacessíveis, podem continuar a produzir Aedes.

“O nosso trabalho mostra que os próprios mosquitos podem tratar de forma eficaz desses criadouros. É o mesmo princípio da polinização, mas em vez de pólen, o material transportado é um larvicida, que interrompe o ciclo”, explica.

 

TÉCNICA TESTADA

 

O teste em campo foi feito no município de Manacapuru (84 quilômetros de Manaus) por uma equipe composta por técnicos, uma pesquisadora e agentes de saúde locais. O grupo visitou as casas e instalou nos imóveis um dispositivo bastante simples, formado por um pequeno balde com água, revestido na parte interna por um tecido próprio aveludado, com aplicação do produto químico.

No tecido é aplicado o larvicida pyriproxyfen triturado até a consistência de um pó. A armadilha permite que as fêmeas sejam atraídas até o recipiente. Dessa forma, ao pousarem na armadilha, os mosquitos ficam impregnados com o produto que acaba sendo levado por eles próprios para outros criadouros, aumentando o combate às larvas.

O uso do pyriproxyfen não é novidade no protocolo de controle do Aedes Aegypti. A inovação é a estratégia de usar o próprio mosquito, para combater a transmissão da dengue e de outras doenças. Os pesquisadores explicam que, além do vetor da dengue, as armadilhas também podem reduzir a presença do culex, o popular pernilongo.

 

RESULTADOS

 

Antes do projeto, que começou sua fase inicial de estudo básico em novembro de 2013, os criadouros positivos de larvas nas casas de Manacapuru (AM) eram presentes em 98% das residências. Até outubro de 2015, a equipe registrou apenas 2% de casas positivas.

Os resultados são animadores, tanto que já há inúmeros municípios interessados em adotar a técnica de forma ampla. A conclusão do estudo, com os dados colhidos em cidades de regiões e clima tão diversos, como o que engloba Marília, será um grande passo para a inclusão do método entre os protocolos do Ministério da Saúde para todo o país.

 

 

 

 

 

 

 

 

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