Jadel Gregório diz que foi demitido por tentar levar denúncias a Alckmin. "Andei com muita cautela em Marília", revelou o ex-atleta

December 19, 2017

O ex-atleta Jadel Gregório, que passou a infância e iniciou sua carreira em Marília (treinando no Estádio Varzeano Pedro Sola), faz revelações bombásticas sobre sua curta passagem pelo Governo do Estado e a sujeira no setor administrativo de esportes.

 

Mais de um ano depois de deixar pelas portas dos fundos o cargo de secretário-adjunto de Esporte Lazer e Juventude (SELJ) do Governo do Estado de São Paulo, em setembro do ano passado, Jadel Gregório enfim revelou os motivos pelos quais sua passagem no cargo foi tão curta, de apenas quatro meses. Depois de informar diversas vezes o secretário Gustavo Maiurino, delegado da Polícia Federal, sobre problemas na gestão de recursos por parte da Federação Paulista de Atletismo (FPA) e concluir que nada estava sendo feito, ele disse que mandou um e-mail ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) com o mesmo teor e solicitando uma audiência. Maiurino ficou sabendo e exigiu sua saída. O campeão mundial de salto triplo disse que ainda foi impedido de usar o carro oficial para ir até o Palácio dos Bandeirantes levar sua denúncia pessoalmente a Alckmin e acabou indo mesmo assim. Lá, não foi atendido.

O relato abaixo foi dado por Jadel Gregório ao Olhar Olímpico na última quinta-feira, por telefone. Nele, o agora ex-saltador revela que se sentia isolado na secretaria por “perguntar demais”, que tentou de todas as formas levar a denúncia até o governador (que nunca o respondeu) e que tem medo de andar na rua no Brasil – atualmente ele mora em San Diego, nos Estados Unidos.

“Eu sou cria do Projeto Futuro, como era chamado o Centro de Excelência de Atletismo do Ibirapuera e, tipo em 2009, começaram a aparecer umas denúncias. Havia muito dinheiro, mas não era empregado. Eu até mandei e-mail para o Toninho (Fernandes, então presidente da Federação Paulista de Atletismo, hoje da CBAt) pedindo para sair do Memorial do Salto Triplo (ONG ligada a Toninho que comandava o projeto). Mas fiquei com isso na cabeça. 

No ano passado, o secretário de Esporte ligou aqui em casa, em San Diego, para me convidar para assumir um cargo na SELJ. Não sei quem me indicou. Há quem diga que o governador gostou da minha postura e pediu para o secretário me contratar, mas também que outras pessoas do meio esportivo que me indicaram, mas eu realmente não sei. A gente conversou por horas pelo telefone e deixei claro que não poderia sair daqui se não fosse um projeto grandioso, para mudar o esporte. Ele disse: ‘Pode vir, você é a pessoa cogitada, quero você na minha equipe, venha’ (À época, Jadel ainda não se declarava um atleta aposentado, tanto que ainda treinou por algumas semanas mesmo como secretário-adjunto. Ele viria a se aposentar no mês seguinte. Maiurino assumiu junto a Jadel e, nos primeiros dias de gestão, a corregedoria do Estado fechou a SELJ por três dias após receber denúncias de desvios do secretário anterior, Jean Madeira.

Quando eu entrei na secretaria, fui direto olhar os valores que o Memorial do Salto Triplo e a FPA recebiam. Eram valores absurdos. E gasto tipo assim: R$ 300 mil para alugar van. Eu comecei a ver valores e, desculpa, sou do atletismo, estou sem patrocínio desde 2008 e estou vendo que essas contas não batem. Eles dizem que não têm dinheiro para apoiar o atleta e estão ganhando milhões.

Quando tive acesso aos números, eu vi que estava errado eu mandei para o secretário. Esses valores não batem, nem aqui nem na China. Um dia de arbitragem pagar 200 mil reais? Isso me chamou atenção, eu sei que não custa isso. Na hora mandei para o secretário, tenho todos os e-mails guardados. Ele era meu chefe, eu tinha que informar ele de tudo. Fazia relatório de todas as viagens, reportava tudo.

              Secretário de Esportes, o mariliense Maiurino com o governador Alckmin 

 

Toda oportunidade que eu tinha, eu falava para o Sílvio (Garcia Jr), que é advogado e amigo pessoal do Mairuino, para que ele falasse para o secretário. Mas eu via que nada era feito. Eu confiava no Sílvio, mas ele queria meu posto de secretário adjunto. (Sílvio foi promovido para o cargo de Jadel quando o saltador foi exonerado). Foi aí que eu mandei um e-mail para o governador, com cópia para o secretário, falando do Projeto Futuro, que precisava de atenção, que estava largado, que tinha coisa ali. Logo depois eu fui chamado para descer na sala do secretário e ele me perguntou do e-mail. Eu disse que mandei, tanto que copiei ele, porque já tinha mandado para ele mesmo, que não era novidade. Precisava que alguma coisa fosse feita. (O e-mail foi enviado em 12 de setembro e recebido por Alckmin).

Eu nunca me senti confortável dentro da secretaria. Como comecei a postar fotos dos centros de treinamentos nas minhas redes sociais, comecei a fazer perguntas, comecei a falar para o pessoal dar uma olhada na Bolsa Atleta Paulista, que tinha uns atletas que não dá. Comecei a fazer perguntas e pressionar. ‘Por que isso? Quem libera isso?’ Entrei nos valores desses convênios e acho que foi o principal fator de eles ficarem desconfortáveis. ‘Esse cara está fuçando onde não é para fuçar’. Aí fui fazer diversas coisas externas, resolver coisas na rua. Não sei se a tática era tirar eu de cena, não deixar eu ver o que acontecia lá dentro. Quanto mais fora eu ficava, menos.menos dor de cabeça eu dava.

E aí veio o tal do e-mail. O secretário virou pra mim: ‘Vou ter que te exonerar’. E falou de um e-mail que tinha mandado para o Roberto, uma pessoa que cuidava das relações estrangeiras do Palácio dos Bandeirantes. Aí notei que Aí notei que meu notebook tinha sido raqueado. 

Na conversa, ele (Mairuino) alegou que a policia (Federal) tem um código, que se você desrespeita, quebra a confiança, a gente elimina. E eu desrespeitei mandando o e-mail. Aí ele exigiu que eu pedisse exoneração. Eu falei que não ia pedir. Ele respondeu que então ele ia me exonerar e ia ficar feio para mim. Como eu tenho um nome a zelar, eu não queria aquilo. E surpreendi ele. Falei: ‘Então faz o papel aí que eu assino’.

Isso tudo foi sexta-feira. Na segunda, como minha exoneração não tinha saído no Diário Oficial, ela não valia ainda. Fui na secretaria e ia pegar o carro para ir no Palácio (dos Bandeirantes). O Sílvio, que não era nada, era abaixo de mim na hierarquia, não deixou. Já estava um complô bem comprado. Eu falei que tinha o direito de usar o carro, não tinha sido exonerado e tal. Bom, acabou que peguei meu carro e fui. Como meu rosto é conhecido, me deixaram entrar no Palácio. Fui até a sala do chefe de gabinete, que ficou falando que a gente tinha que se acertar entre a gente. Fiquei horas lá, e ele não deixou eu falar com o governador. Mesmo assim, eu tentei alertá-lo de todos os jeitos, procurando pessoas que estão sempre do lado dele. Nunca obtive resposta.

Não sei qual a tática da Polícia Federal, de repente eu possa ter atrapalhado. Talvez ele quisesse ir com mais calma e eu atrapalhei colocando holofote numa coisa que estava apagada. Mas estou sem resposta até agora. Sei que tive meu notebook e meu celular raqueados.

Recentemente fui para Marília (a cidade de Jadel, no interior de São Paulo) e andei com muita cautela. Sei com quem mexi. Fiz ligações, ninguém atendeu. Eu não cheguei aí como pilantra, pilantra, mas como atleta que deu a vida representando o país e que chegou para abrir as portas da melhor forma e elas se fecharam da pior forma. Saí como um cara que fez coisa errada. Nunca fiz nada errado. Só não entendi porque Só não entendi porque ninguém nunca me respondeu.

Ao aceitar o cargo na SELJ e ser demitido em seguida, até voltar para os Estados Unidos, minhas três crianças perderam um ano de escola, um ciclo escolar inteiro. Enquanto eu tava na secretaria, até pedi dispensa por alguns dias para inaugurar um projeto nos Estados Unidos, mas eu sabia que coisas erradas iam acontecer para mim nos dias que eu ficasse longe, então fui adiando e acabei nem vindo para os para os EUA enquanto tava lá. Hoje, eu não ando tranquilo na rua no Brasil. Minha preocupação é alguma coisa forjada. Finge que brigou no transito, dá um tiro, sei lá. Sei que não foi justo o que fizeram comigo”, disse Jadel Gregório.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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