Coraíni ouve prefeitos aliados dele na inútil CPI do Ipremm. Dinheiro foi desviado para transbordo do lixo, disse Bulgareli

February 3, 2018

 

A tal CPI do Ipremm (Instituto de Previdência do Município de Marília), ouviu nesta sexta-feira (2) dois prefeitos: o ex-Mário Bulgareli (2005/março de 2012 - quando renunciou) e o atual, Daniel Alonso.

Esta CPI é inútil porque mudanças na legislação (Portaria MF 333/2017) que permitiram parcelamento de débitos previdenciários em até 200 vezes, eliminaram punibilidade dos gestores. Tanto, que em dezembro de 2016, faltando apenas três dias para terminar seu famigerado mandato, o então prefeito Vinícius Camarinha conseguiu aprovar na Câmara Municipal um parcelamento de dívidas de R$ 35 milhões com o Ipremm. Coraíni faltou naquela sessão-extraordinária. 

O atual prefeito, Daniel Alonso, repetiu a dose e também parcelou um rombo de cerca de R$ 200 milhões do Ipremm em 200 parcelas. Coraíni aprovou o parcelamento. 

Portanto, a tendência natural desta tal CPI é ir do nada a lugar nenhum.

Nesse contexto, o presidente da tal CPI, professor Mário Coraíni (PTB) ouviu ontem (2) seu aliado, professor Mário Bulgareli e seu também aliado, Daniel Alonso. 

Coraíni apoiou com muito afinco e dedicação a reeleição de Bulgareli, em 2008, inclusive entregando cartas pessoalmente na campanha demonstrando o tal apoio aquele que havia sido vice-prefeito na gestão do também ex-prefeito Abelardo Camarinha.

Como vereador (desde 2001) Coraíni passou a gestão de Bulgareli sem mover uma palha sequer sobre o famoso rombo do Ipremm. Aliado ferrenho do ex-prefeito, que foi o único a renunciar na história da cidade, não propôs a criação de nenhuma CPI ou qualquer investigação nesse sentido. E olha que o próprio Bulgareli confessou aumento do rombo do Ipremm durante seu mandato.

Aliás, o ex-secretário da Fazenda naquela gestão, Osvaldo Vilela Filho, disse na tal CPI que o rombo do Instituto começou em 2008, segunda gestão de Bulgareli. 

Agora, quando não só Bulgareli já deixou o cargo, como outros dois ex-prefeitos (no período "investigado" pela tal CPI) Coraíni "interroga" seu aliado, ou seja, quase dez anos depois dele ter assumido a Prefeitura e quase seis anos após ele ter saído dela pela porta dos fundos.

Como a maioria das CPIs parlamentares, esta é mais uma recheada de politicagem e gastos desnecessários para os cofres públicos, já que muito provavelmente não resultará em nada. 

 

OS DEPOIMENTOS 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o rombo de R$ 180 milhões no Instituto de Previdência do Município de Marília (Ipremm) encerrou nesta sexta-feira, 2, a fase das oitivas.

Foram ouvidos o ex-prefeito Mário Bulgarelli (PHS) e o atual prefeito, Daniel Alonso (PSDB)

Bulgarelli, que governou a cidade de janeiro de 2005 a 2 de março de 2012 (quando renunciou), disse que ao assumir o cargo de prefeito, foi informado que o município possuía uma dívida de R$ 7,5 milhões com o Ipremm.

O ex-prefeito disse também que, já em 2005, fez o parcelamento deste valor, após aprovação da Câmara.

A informação foi corrigida pelo relator da CPI, o vereador José Luiz Queiroz (PSDB) que, com base na auditoria realizada pelo Ministério da Previdência, lembrou ao ex-prefeito que de 2001 a 2010 não houve nenhum parcelamento de dívida da prefeitura com o Ipremm.

Orientado pelo seu advogado, Bulgarelli corrigiu a informação e afirmou que pagou um parcelamento, já em andamento, feito pela administração anterior à sua.

Mário Bulgarelli destacou que durante seu primeiro mandato como prefeito – 2005 a 2008 – não houve atrasos nos pagamentos e repasses ao instituo de Previdência de Marília.

Mas que, em 2006, após decisão do Supremo tribunal Federal, que julgou inconstitucional a cobrança das taxas de limpeza e manutenção das vias públicas, o município perdeu, cerca de R$ 1,7 milhão por mês, de arrecadação.

Bulgarelli citou outros motivos como a determinação da Cetesb para fechar o aterro sanitário e, em consequência disso, a necessidade da contratação de empresa para realizar o transbordo do lixo, bem como, o início das obras de afastamento e tratamento de esgoto, durante seu governo, para justificar a inadimplência com o Ipremm, durante seu segundo mandato (2008 a 20012).

Mário Bulgarelli finalizou seu depoimento dizendo que quando assumiu a prefeitura a dívida com o Ipremm era de R$ 7,5 milhões e que quando deixou o governo, este valor era de R$ 11 milhões.

O segundo depoimento da tarde foi mais curto, por conta do tempo de governo do atual prefeito Daniel Alonso.

Alonso ressaltou que foi informado do valor de R$ 180 milhões de dívida da prefeitura com o no Ipremm, durante a transição de governos (Vinícius/Daniel) e que, de imediato, determinou que uma equipe formada pela atual presidente do Instituo de Previdência de Marília, Mônica Silva, o procurador jurídico da prefeitura, Alysson Alex Souza e Silva e pelo atual secretário da fazenda, Levi Gomes, realizasse o levantamento da situação financeira do Ipremm.

Uma cópia deste relatório foi encaminhada, também, à CPI.

Daniel Alonso explicou que durante o primeiro ano de seu governo, a prefeitura não atrasou nenhum pagamento da cota patronal e repasse dos servidores, bem como mantém em dia o pagamento das parcelas do parcelamento anterior.

O prefeito afirmou ainda que ao final do exercício de 2016 (governo Vinícius camarinha) o Ipremm possuía um déficit financeiro de R$ 21 milhões e déficit orçamentário de R$ 18 milhões e que, ao final do exercício de 2017, primeiro ano de seu governo, o Instituto de Previdência apresentou superávit orçamentário de R$ 3 milhões e superávit financeiro de R$ 7 milhões.

Daniel Alonso ressaltou que, com a entrada dos 600 novos servidores, aprovados em concurso, haverá um aumento na contribuição previdenciária em torno de R$ 1,3 milhão, por mês.

Esta foi a 14ª reunião da CPI do Ipremm que, agora, deve elaborar o relatório final para ser entregue até o final do mês de março.

 

 

 

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