Sufocado pelo avanço das mídias digitais, mais um jornal impresso fecha as portas: o Comarca de Garça, após 82 anos

February 28, 2018

 

 

Imprescindível para a sociedade, o avanço das redes sociais, sites e mídias digitais de informação e comunicação continuam sufocando e levando jornais impressos à falência e encerramentos de atividades.

A veiculação e postagens de notícias e reportagens em tempo real alcançam milhares e ou milhões de pessoas (dependendo da abrangência de cada veículo digital) em poucos segundos, com informações, fotos e vídeos. Pessoas de todas as idades e classes sociais, bastando um clique no celular em qualquer lugar ou no computador. O acesso é livre e opcional.

A participação e o engajamento de leitores e internautas ampliam esse universo instantâneo e eficiente de fatos e informações.

O jornal impresso que irá circular amanhã, já está atrasado hoje. A maioria absoluta das notícias e informações que serão publicadas nos jornais impressos de amanhã, já foram vistas e lidas repetidas vezes nos sites e redes sociais de hoje.

Mais uma "vítima" desta realidade foi o Jornal Comarca de Garça, que fechou as portas nesta quarta-feira (28), ao veicular sua última edição, após 82 anos de atividades.

No ano passado, o Jornal Correio de Lins, que tinha mais de 34 anos de circulação, também fechou as portas. 

O Jornal Oeste Notícias, de Presidente Prudente (que circulava em 53 municípios daquela região) também encerrou as atividades “por questões empresariais”, após 16 anos de atividades. Virou um site de notícias em tempo real.

Em Marília, o Jornal Correio Mariliense também não suportou o avanço das redes digitais e fechou as portas após seis anos de sua fundação (em 2008). O Jornal Diário de Marília, que já estava à beira da falência, naufragou sob outras circunstâncias que aceleraram seu fechamento, em janeiro do ano passado, após encapar o extinto Correio de Marília, em 1992.

Detalhe importante: tudo de graça! No caso dos jornais impressos diários e alguns periódicos, a pessoa é obrigada a pagar assinaturas e ler o que o jornal "manda", sem chance de discutir ou opinar. 

Ou seja, paga (caro, ainda!) para ver ou ler muitas notícias tendenciosas e picaretagens comerciais (com mensagens de "parabéns" disso e daquilo e etc.). Quanto "mais grosso" o jornal, maior as picaretagens. Além dos entulhos de papeis que se amontoam pela casas e estabelecimentos comerciais.

Os tempos mudaram! O mundo está acelerado e as notícias e informações, mais ainda! Como diz uma rede de tv com noticiários em tempo real, o mundo se transforma a cada hora. 

As mídias e sites digitais de notícias são componentes responsáveis por marcar a geopolítica e o curso da história. No ano de 2011, através das redes sociais, cidadãos de vários países do Oriente Médio juntaram-se em prol da derrubada de governos ditatoriais e a busca da democracia, compondo a chamada Primavera Árabe.

Mas não é preciso ir tão longe, no ano de 2013, no Brasil, as redes sociais também tiveram papel importante na organização de protestos contra os altos gastos com a Copa do Mundo e a reivindicação de melhorias no transporte das cidades brasileiras. Da mesma forma influenciam de forma dinâmica nas campanhas eleitorais e decisões dos governos em todas as escalas e segmentos, Executivo e Legislativo.

Nas eleições para a Presidência da República, em 2014, por exemplo, a então candidata à reeleição, Dilma Rousseff, criou um núcleo especial para as redes sociais dentro do marketing de sua campanha.

Já aqui em Marília, após sua derrota à reeleição nas eleições de 2016, o ex-prefeito Vinícius Camarinha moveu uma ação na Justiça Eleitoral contra o vencedor, Daniel Alonso, alegando que ele teria sido favorecido por vídeos e postagens em redes sociais, os quais influenciaram na campanha e desequilibraram os resultados. 

Enfim, é inegável reconhecer como o espaço virtual têm influências no mundo contemporâneo.

QUEDA DE CIRCULAÇÃO DE JORNAIS IMPRESSOS

Em 2017, a circulação impressa de 11 dos principais jornais diários do Brasil registrou queda. Em dezembro do ano passado, a tiragem média foi de 736.346 exemplares por dia, o que significa uma queda de 146.901 mil se comparado ao mesmo período em 2016. Em relação ao mesmo mês de 2014, a redução é de 41,4%. Nas assinaturas digitais, por sua vez, o crescimento médio foi de 5,8% entre 2015 e 2017, o que representa 31.768 assinantes. Os dados foram publicados pelo portal Poder 360, com base em um levantamento do Instituto Verificador de Circulação (IVC).

O ranking considerou os veículos O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e Valor Econômico, de São Paulo; O Globo, do Rio de Janeiro; Estado de Minas e Super Notícia, de Minas Gerais; Zero Hora, do Rio Grande do Sul. O Correio Braziliense, do Distrito Federal; A Tarde, da Bahia; e O Povo, do Ceará também estão na lista, assim como o paranaense Gazeta do Povo que extinguiu sua versão impressa diária em 2017.

A listagem coloca o Super Noticia como o impresso de maior tiragem no País, com uma média de mais de 156,5 mil exemplares diários. Na sequência, vem O Globo, com aproximadamente 130,4 mil, a Folha, com 121 mil, o Estadão, com 114,5 mil e Zero Hora, com 100,9 mil. Em queda da tiragem impressa nos últimos três anos, o jornal mineiro perdeu 127,5 mil exemplares, seguido da Folha, que diminuiu em 90,9 mil, O Globo, com 74,3 mil a menos, o Estadão, com 48,7 mil a menos e Zero Hora, com 63,3 mil a menos.

A Folha lidera o ranking das assinaturas digitais, com 164,3 mil assinaturas digitais. Depois vem o Estadão, com 88,7 mil, seguido de Zero Hora e de Super Notícia, com 80,1 mil e 48,1 mil, respectivamente. O Globo foi o único a registrar queda no número de assinaturas digitais, passando de 148,4 mil para 112,9 mil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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