Policial que matou pedreiro com tiro, na região, está preso. Em Marília, PM divulga nota sobre desocupado atingido por tiro, após investir contra policiais

March 23, 2018

 

                         Viaturas no local da ocorrência, em Marília  (Foto: Eduardo Meira)

 

Um policial militar disparou um tiro contra um pedreiro de 29 anos, na madrugada desta sexta-feira (23), em Inúbia Paulista (a 127 km de Marília). 

Por volta das 2h, houve um briga familiar e a polícia foi acionada. No local, havia discussão com a amásia e familiares da vítima. O homem, que residia no local, teria investido contra os policiais, sendo que um deles fez um disparo para conter o agressor. 

Atingido no peito, o rapaz ainda foi conduzido pelo Corpo de Bombeiros ao Pronto Socorro de Osvaldo Cruz, mas morreu.

O delegado Carlos Roberto Vasconcelos apurou que a amásia e um filho dela queriam que o pedreiro saísse da casa, criando a discussão. Ao chagarem no local, os policiais se depararam com o homem portando uma garrafa de vidro, com a qual teria partido para cima deles. Os policiais sacaram as armas e um deles fez um disparo.

O delegado também informou que, segundo testemunhas civis, a vítima estava com a garrafa na mão, mas em nenhum momento ameaçou os policiais, e que não houve agressões físicas entre os familiares.

"Diante disso, o delegado Valdir Prado, que atendeu a ocorrência, entendeu que por conta da distância de cinco metros entre os policiais e a vítima, não tinha necessidade do policial efetuar o disparo e que o policial teve excesso de ação", disse Vasconcelos.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, por conta da ação, o militar foi preso em flagrante por homicídio e foi entregue ao comando do 25º Batalhão da Polícia Militar, em Dracena. Conforme informações da Polícia Civil, o policial passará por audiência de custódia em Lucélia.

O delegado relatou que "ainda nesta etapa de cognição rasa, é permitido concluir que houve desproporção entre a ação supostamente praticada pelo pedreiro e a reação oferecida pelo policial militar. De fato, segundo testemunhas civis inqueridas no persecutório, a vítima, apesar de armado com o gargalo de uma garrafa, não chegou a agredir ou ameaçar os soldados que estiveram no local. Portanto, aparentemente não havia razão para efetuar o disparo que, pelas consequências que geralmente acarreta deveria ser a última ratio”, diz no documento assinado pelo delegado Valdir Prado.

Ainda conforme consta no auto de prisão, “frisa-se que a equipe policial militar foi acionada para atendimento de um mero desentendimento entre familiares, fato que, com um pouco de perspicácia, poderia ter sido resolvido de maneira não trágica. 

É de ser mencionado, ainda, que a distância entre o alvo e o policial, de cerca de 5 metros, demonstra que provavelmente não houve a chamada agressão injusta ou grave ameaça, a ensejar a excludente de legítima defesa. De outra parte, parece não ter sido devidamente obedecido no caso em análise o uso escalonado e progressivo da força, bem lembrado na doutrina da Secretaria de Segurança Pública [SSP], que passa pela presença física, verbalização, controle do contatos, controle físico, táticas defensivas não letais e força letal, se pautando por princípios éticos de legalidade, necessidade e proporcionalidade, bem como conveniência da ação.

“Neste sentido, oportuno transcrever que o artigo 284 do Código de Processo Penal: o uso de força deve ser evitado, salvo quando indispensável no caso de resistência ou tentativa de fuga do preso.

“Havendo excesso ou uso desnecessário da força, exige-se punição na forma da lei. Diante disso, ainda nesta etapa de cognição superficial, reputo que a conduta se amolda à figura típica do artigo 121, caput, do Código Penal, que define o homicídio simples, razões pelas quais decreto prisão em flagrante delito e determino o formal indiciamento do agente, com entrega da correspondente nota de culpa”. 

NOTA DA PM EM INÚBIA PAULISTA

Em nota a PM informou que "policiais militares foram acionados, via Copom, para ocorrência de desentendimento entre familiares. No local os policiais depararam com um indivíduo agressivo, armado com faca e uma garrafa quebrada, que investiu contra a equipe, momento que para evitar a injusta agressão, um dos policiais efetuou um disparo de arma de fogo. O indivíduo foi socorrido pela equipe de Resgate à Santa Casa de Osvaldo Cruz, não resistindo ao ferimento vindo a falecer".

"A Polícia Militar está apurando os fatos", finaliza a nota.

CASO EM MARÍLIA

Segue internado no Hospital das Clínicas de Marília, o desocupado Wagner Carrijo da Silva, de 41 anos. Ele foi atingido com um tiro de pistola .40, após avançar sobre policiais, armado com uma faca com cabo de madeira e 16 cm de lâmina, além de uma chave de fenda.

A ocorrência foi registrada por volta das 17h50 desta quinta-feira (22), quando Vagner invadiu a casa de sua mãe, a aposentada G.C.S, de 71 anos, na Rua Alvorada, na Vila Nova, Zona Norte da cidade. Ele passou a ameaçar a genitora, exigindo dinheiro para comprara drogas.

Ocorre que, em função de denúncias de violência doméstica, ele estava impedido judicialmente de se aproximar da casa de sua mãe. Com a chegada dele por lá, a Polícia Militar foi acionada. Wagner havia dito várias vezes que, se a polícia fosse chamada, "ia haver morte"

Quando chegaram no local, os policiais ocupara a área externa da residência. Um deles protegia a idosa, momento em que o desocupado avançou sobre eles

com a faca e a chave de fenda. Um policial acabou sacando uma pistola .40 e disparou na direção do indivíduo, atingindo-o no abdômen. 

Ele foi socorrido por uma unidade do SAMU e encaminhado ao Hospital das Clínicas, onde passou por cirurgia e  permanece sob escolta policial. Antes de invadir a casa da mãe, o indivíduo havia passado na casa de uma irmã, onde deu diversos chutes no portão e fez ameaças, exigindo dinheiro para comprar entorpecentes.

Após receber alta, ele será autuado em flagrante por lesão corporal, resistência à prisão, violência doméstica e grave ameaça, além de desobediência judicial.

NOTA DA PM EM MARÍLIA

“Ocorrência com Intervenção Policial” 
 O 9º Batalhão de Polícia Militar do Interior esclarece que, em atendimento à ocorrência de “Ameaça/Violência Doméstica/Lesão Corporal decorrente de Intervenção Policial” em residência na Zona Leste da cidade de Marília, na tarde de ontem (22), após solicitação pelo telefone 190, foi acionada viatura com uma Unidade de Serviço (US) Policial Militar que interveio em desentendimento familiar. Chegando no local, os Policiais Militares ouviram a genitora que pedia por socorro, uma vez que um de seus filhos (contra o qual havia medida protetiva que determinava o distanciamento mínimo de 200 metros da família) havia invadido sua residência em busca de dinheiro, sendo imediatamente franqueada a entrada da US que se deparou com o agressor em posse de uma faca e uma chave de fenda em mãos.  A US, então, determinou-lhe que soltasse as armas, mas o infrator da lei, visivelmente alterado, investiu contra os Policiais Militares que, após o emprego progressivo de força, efetuou um disparo que impediu a injusta agressão. Imediatamente foi acionado o socorro médico e feito o encaminhamento ao Hospital das Clínicas do mesmo município, onde segue internado. A Polícia Militar é legalista e atua pautada nos princípios de defesa da vida e da integridade física: o resultado da rápida ação dos Policiais Militares foi fundamental para que desdobramentos mais graves fossem evitados. 
 
                                     Seção de Comunicação Social do 9º BPM/I 
 
Marília, 23 de março de 2018.                                                                      

 

 

HOMEM QUE ATACOU POLICIAIS COM FACA NA REGIÃO, FOI MORTO A TIROS

No dia 20 de janeiro deste ano, o desocupado Francinaldo Araújo Lima, de 29 anos,  morador de Iacri (a 123 kms de Marília),  morreu depois de tentar matar com uma faca um policial militar de Tupã, no início da tarde de um sábado. O caso aconteceu durante atendimento de ocorrência policial de desentendimento.

O  morador de Iacri estava envolvido em um desentendimento na cidade com vizinhos e familiares quando os policiais de Iacri foram acionados. Segundo apurado, o acusado passou a agir com agressividade há cerca de um ano, quando começou a fazer uso de anabolizantes.

Durante dois dias, ele havia começado a fazer ameaças com faca contra uma vizinha. Chegando no local, os policiais de Iacri solicitaram que o mesmo entregasse a faca. O mesmo se recusou e foi solicitado  apoio da Policia Militar de  Bastos e de Tupã.

O sargento Eder fez uma negociação para que o morador, que estava alterado, se entregasse. No primeiro momento, o rapaz acabou entregando a faca que estava em suas mãos, mas logo em seguida ele se apossou de uma segunda faca e partiu para cima do policial, que foi atingido com golpes de faca no rosto e nas costas, um pouco abaixo da  costela.

Para se defender e salvar sua vida, o subtenente e outro policial que o acompanhava foram  obrigados a atirar contra o agressor.

O sargento e o homem atingido pelos tiros foram socorridos para a Santa Casa de Tupã. O elemento deu entrada em óbito. O policial foi medicado ficando internado em observação, após passar por uma pequena cirurgia para drenagem no tórax.   

POLICIAL DIVULGA CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

Alguns dias após o ocorrido, o subtenente Éder divulgou uma carta aberta, sobre o episódio:

 

Tupã, 28 de janeiro de 2018

Mediante à ocorrência policial, sábado, 20 de janeiro, eu Sub- Ten. PM Éder, decidi prestar esclarecimentos a todos sobre o fato.

Sou um policial com 28 anos de serviços prestados aos cidadãos. Em todo esse tempo tive a honra de trabalhar por dez anos, na patente de sargento, na ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), célebre batalhão da elite das forças de Segurança do Estado de São Paulo. Naquele lugar adquiri experiência, e, absorvi as técnicas e habilidades necessárias a um policial que lida com todo o tipo de intempérie.

Em minha vida de policial participei de inúmeras ações e vivenciei praticamente toda espécie de ocorrência, desde a sequestros com desfechos trágicos e a desarmamento de indivíduo com faca. Mas dia 20 de janeiro de 2018 foi o dia que poderia ter sido o último para mim. Tentarei relatar da melhor forma possível.

Desde o dia 18 de Janeiro registravam-se diversas chamadas 190 (COPOM) que um indivíduo na cidade de Iacri/SP estava ameaçando familiares, que coabitam na mesma residência. Eram aproximadamente três irmãos apavorados, que foram desalojados, forçados a se retirar da própria residência pelo medo de serem mortos por uma pessoa descontrolada num ataque de fúria. No entanto, viaturas foram até o local, por diversas vezes, e após diálogo a situação aparentemente se normalizava.

No dia 20, coincidiu no meu turno de serviço, receber via rádio, que o mesmo indivíduo estava mais uma vez apavorando familiares e circunvizinhos em posse de uma faca. Tendo em vista a gravidade da situação, policiais de Iacri solicitaram apoio aos policiais de Bastos. Infelizmente, o cidadão mostrava-se totalmente fora de si, e não houve sucesso nas tentativas de negociação. Foi necessária mais uma viatura. Eu e o Soldado Allan, deslocamo-nos até Iacri, em apoio aos Cabos Cortez, Morini, Edson, Luiz Carlos e Machado.

Ao chegar lá, deparamo-nos com uma situação totalmente descontrolada. A população estava apreensiva e amedrontada. Familiares em estado de choque e transtornados. E o pior é que percebi que todos os recursos convencionais para este tipo de ocorrência já haviam se esgotado. Não havia mais diálogo. O agressor estava em posse de uma faca e poderia a qualquer momento investir contra inocentes, crianças, familiares e policiais. Era preciso agir.

Cumpre esclarecer que ocorrências com agressor armado com faca são uma das mais difíceis.  Em minha vida de policial já atendi a diversos casos em Tupã e região e posso garantir que o caso não é tão simples como muitos leigos imaginam que é, e todos os casos com faca conseguimos desarma-los sem que houvesse óbito.

Nunca me sai da memória, por exemplo, um vídeo disponível noyoutube, de um lunático que apunhalou uma guarnição policiais em 2006, na Guatemala. O vídeo gravado supostamente por um cinegrafista amador mostra um louco que investe deliberadamente contra policiais que atiraram na tentativa de pará-lo. São mais de três minutos de horror. O agressor consegue apunhalar 4 policiais e só para depois de receber dezenas de disparos de arma de fogo. Toda ocorrência envolvendo agressor com facas faz com que aquela cena se repita em minha cabeça como um filme. Sempre tive a sã consciência de que este tipo de acontecimento não é uma possibilidade remota, mas que pode advir em qualquer situação ou circunstância.

Ao me aproximar a uma distância de 5 metros do indivíduo, foi possível entender melhor a gravidade da situação. Tratava-se de um jovem forte, fisicamente saudável e bem disposto, totalmente ensandecido. Ele portava uma faca e a segurava firme na mão direita. Estava irredutível e decidido a matar e a morrer.  A única e mínima garantia de paz e segurança naquele momento era a nossa presença.

Pedi-lhe várias vezes que se entregasse, atirasse a faca ao chão e se rendesse. Numa última tentativa ele disse que se entregaria com a condição de que eu abaixasse a submetralhadora .40. Prontamente atendi ao seu pedido entregando a arma ao Soldado Alan e o indivíduo, num gesto de rendição, atirou a faca à rua. Vozes de comando como “deite-se”, “mãos pra cabeça”, “vire de costas” “levante a camisa” não eram atendidas porque ele estava transtornado e as poucas palavras que ele proferia eram ininteligíveis. A saída era me aproximar e tentar algemá-lo. De repente, quando menos se esperava, ele sacou uma segunda faca que estava em sua cintura e investiu contra mim.

O primeiro golpe atingiu meu rosto de raspão. Consegui me desvencilhar e sacar a pistola .40 e efetuei dois disparos que não foram suficientes para que o agressor cessasse sua investida. Seu segundo golpe conseguiu atingir-me na altura da região lombar. Por sorte o Soldado Allan efetuou um disparo que o atingiu a região do tronco. Tomado de uma força descomunal, o agressor virou-se e investiu contra o Soldado Alan, na tentativa de também apunhalá-lo, por sorte foi atingido por um disparo na perna, e desta forma foi neutralizado.

Há quem diga que o policial deveria atirar nas mãos, nos pés, ou em uma das pernas. Eu digo que numa ocorrência de estresse e nervosismo profundo, numa fração de segundos e o auge da tensão leva qualquer pessoa a agir pelo impulso do ato. É o matar ou morrer. 

O trauma de ter um desfecho triste poderia ter sido menor. Notei um desconforto nas costas e logo notei que das minhas costas jorrava sangue. Dei ordem aos policiais que chamassem imediatamente uma viatura do RESGATE “CORPO DE BOMBEIROS”, para socorrer o INDIVÍDUO ALVEJADO e segui direto à Santa Casa de Misericórdia de Tupã, a 25 km de IACRI.

É de ressaltar que fui muito bem atendido por enfermeiras(os) e pela equipe médica os doutores Ademir Zoratto CRM 170793, Bruno de Lima Oliveira CRM 155358, Vagner Moreno Junior 147097 e Douglas Batista da Silva CRM 72297. Os primeiros diagnósticos indicavam que nenhum órgão vital havia sido atingido. Nesse caso era apenas uma sutura. Fui suturado duas vezes. Mas o inchaço e o sangramento não cessavam. Os doutores Paulo Tadeu Rotoli Drefahl CRM 7352,  Wilian Bras Pedro CRM 155882 e Ana Keila CRM 96333 decidiram por uma intervenção cirúrgica visto que se tratava de uma hemorragia interna.

Às pressas fui operado.  Devo confessar. Nenhum repórter tomou ciência do que veio a ocorrer comigo durante o procedimento cirúrgico. Devido à perda de sangue, minha pressão arterial chegou a 4 por 2. Apesar dos 15°C, eu suava e tinha calafrios. Como num sonho dantesco, gratuito eu em um último esforço vital imaginei que naquele instante que eu estava partindo, indo embora.  Uma manobra médica que não sei explicar me trouxe de volta à vida. Graças a Deus e àqueles anjos azuis, todos de folga enviados pelo nosso protetor divino, médicos e enfermeiras, consegui vencer um momento tão delicado e especial.

Momentos assim levam-nos a uma reflexão profunda do que é a vida e de tão pequenos que somos diante das coisas criadas por Deus. Eu não desejo outra coisa senão o sucesso e a felicidade a todas as pessoas que são corretas e merecem a paz. Tudo que penso, imagino, sonho e tento aplicar a cada dia de minha vida é a justiça, a paz e a honestidade. Valores em preço que aprendi desde criança com meus pais, avós, e posteriormente com a Polícia Militar.

Neste momento de convalescença deixo um esclarecimento e uma nota de fé. A polícia não existe para matar. Ela existe para salvar e proteger pessoas de bem. Infelizmente a ocorrência teve um desfecho jamais imaginado e desejado por qualquer pessoa muito menos por essa equipe que eu estava comandando e conheço há anos. Deus quis assim. Peço proteção divina a todos os policiais envolvidos, à família que sofre a dor da perda de um ente. Agradeço a todos que me entendem e entendo as pessoas que me julgam. Ninguém é perfeito, mas podemos ser justos.

Que Deus esteja conosco!

Sub-Tenente  Éder

 

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