Alunos relatam clima de terror em Escola Estadual. Diretoria de Ensino agenda reunião para discutir a situação

June 8, 2018

A aluna Roberta Araújo, representante dos alunos dos terceiros colegiais da Escola Estadual Professor Baltazar de Godoy Moreira, localizada na Vila São Miguel, enviou nota ao JP onde relata as causas que levaram à manifestação de alunos na Escola, na quarta-feira (6), gerando inclusive a intervenção da Polícia Militar,que foi acionada por uma professora que disse ter sido ameaçada.

"Além do forte abuso de autoridade que ocorre na mesma, a escola está em um momento de desorganização porque a diretoria não tem diálogo nem entre eles mesmos!", cita a aluna. 

Em entrevista ao JP, ela disse que esta foi a segunda vez que os alunos dos colegiais (são 5 turmas com 40 alunos cada) se manifestaram. "Nós optamos por fazer a segunda vez por que percebemos que a direção só parou para se comunicar conosco sobre essa medida desta forma".

Ela relatou que nada mudou após os protestos da quarta-feira. "A situação continua a mesma. A diretoria não fez mudanças e alguns professores estão tratando mal seus alunos por conta do ocorrido. A única coisa conquistada com o ato foi mais repressão da direção é ódio gratuito de professor". 

Roberta disse que tentou contatos telefônicos com a Diretoria Regional de Ensino em Marília. "Eu tentei ligar algumas vezes mas não fui atendida. Fora isso, não fomos lá". A principal causa dos protestos foi, segundo a aluna, descumprimento pela diretoria da Escola de datas de eventos já marcados. 

"Os alunos queriam respeito de professores e a direção diz que conversa com eles mas eles mesmo afirmam não   terem conversas com a direção Os alunos queriam fazer viagens e algumas vendas na escola para arrecadar dinheiro para a formatura e a direção negou o pedido Os alunos e alguns professores propuseram atividades diferentes na escola a direção havia consentido e logo em seguida mudou de ideia. Ou seja, os alunos queriam Respeito, Palavra, Comunicação, Consentimento nas atividades diferentes e aceitação de propostas novas, mas a direção falhou no combinado. A diretoria descumpriu datas de eventos já marcados Os alunos queriam que o 1° cronograma marcado tivesse sido cumprido e a escola não cumpriu". Os alunos entrarão em férias no próximo dia 26. 
Roberta disse que já houve problemas desta natureza com turmas de colegiais que se formaram em anos anteriores. "Mas eles nunca se pronunciaram por medo da perseguição que podia ocorrer da direção com eles. Mas eles, mesmo assim, tiveram seu cronograma cumprido". 

Na manhã desta sexta-feira (8), uma supervisora da Diretoria de Ensino esteve na Escola Baltazar de Gody Moreira, para tratar do assunto e na próxima segunda-feira (11), haverá uma reunião no estabelecimento de ensino com representantes dos alunos, professores, direção da escola e gestores para discutir o assunto.

 

VEJA O RELATO DA ALUNA ENVIADO AO JP:

 

"Boa noite!
Meu nome é Roberta, eu sou aluna e uma das manifestantes da escola Baltazar de Godoy Moreira.
Bom,Quarta-feira (6) houve uma manifestação na escola e após esse ocorrido,o JP nesta manhã de quinta-feira (7) publicou uma matéria com o seguinte anunciado:
"ALUNOS DA ESCOLA BALTAZAR SE REBELAM CONTRA A DIRETORIA,PROFESSORA É AMEAÇADA E PM INTERVÉM NO LOCAL"

Após a sua matéria ser publicada,vários comentários de agressões morais ocorreram na matéria, esta mesma que foi publicada na página do Facebook do jornal,eu creio que o senhor(a) vai relatar que o jornal não se responsabiliza pelos comentários feitos por internautas, mas no caso os alunos do Baltazar só estão sofrendo calúnia por conta do anunciado da matéria!
O senhor(a) a de concordar comigo que com um título desse qualquer um que não estivesse lá presente realmente ia tirar suas piores conclusões!
Mas eu vim aqui em nome dos alunos pedir uma retratação pois o nosso manifesto teve um "porquê" e ele não é tão simples quanto todos estão julgando ser!
Nenhum aluno optou por esse lado da manifestação,fomos praticamente obrigados 
Pois a direção da escola está destruindo os pontos de lazer dos últimos anos do ensino médio da escola (Baltazar).
Nós só optamos por esse lado porque a direção só parou para ter diálogo com alunos quando fazemos  esse tipo de "rebeldia" (como o jornal citou).
Abaixo vou citar oque ocorre na nossa escola para ter uma ideia:
Além do forte abuso de autoridade que ocorre na mesma, a escola está em um momento de desorganização porque a diretoria não tem diálogo nem entre eles mesmos!
Os 3°anos não puderam nem promover uma viagem diferente de formatura como todos os  terceiros (Já formados).
Ocorre muita acusação sem prova na escola. 
É aluno sendo acusado de tráfico de drogas sem prova nenhuma, é inspetora agredindo verbalmente aluno,é professora chamando policial para menor de idade sem consentimento da direção e dos pais, é abuso de poder de PM's dentro da escola para com os alunos, é a má comunicação e administração da equipe de direção da escola que praticamente cancelaram todos os nossos pequenos eventos de lazer dentro da própria escola. Então, não foi uma ato de rebeldia. Não estávamos fazendo isso à toa. 
Só queríamos respeito pois eles lá dentro cobram tanto isso dos alunos mas nem se quer dão exemplo!
Peço encarecidamente que façam uma retratação pois estávamos no nosso direto e o que era para ser um ponto de reflexão sobre a nossa situação atual e sobre a luta dos alunos por melhorias, se tornou uma calúnia aonde somos obrigados a ver o pessoal nos ofendendo e nos desprezando por conta de um anunciado mal explicado!
Qualquer dúvida estarei em contato,basta perguntar!
Aguardarei retorno
Obrigada pela atenção!".

 

 


 

 ALUNO RELATA QUE SE TRANSFERIU PARA OUTRA ESCOLA 

PARA "FUGIR DA OPRESSÃO"

 

Um ex-aluno da Escola Baltazar, D. A.S, de 17 anos, enviou um relato ao JP, onde revela que se transferiu da referida Escola para a Escola Estadual Professor Amilcare Mattei.

Ele mora no Jardim Ohara (próximo à Escola Baltazar), mas preferiu ir para o Amilcare (localizado no outro lado da cidade, na Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, na Zona Leste da cidade) depois de "muita luta contra a opressão". 

Ele afirmou que a Escola Baltazar "é conhecida na cidade, como a "melhor escola pública", sendo isso uma farsa, ela vive de fachada, é totalmente opressora, ditadora e agressiva". 

 

Veja o relato do ex-aluno:

 

"Meu nome é Danillo, tenho 17 anos, moro no Jardim Ohara, perto da escola Baltazar, onde estudei por 2 anos e 4 meses. Sempre soube da repressão e perseguição sofrida pelos alunos, por parte da direção e dos funcionários, porém só fui sentir na pele e começar a presenciar tais ações, a partir do 3° colegial, quando eu e um grupo de alunos, decidimos criar uma chapa (grêmio) e lutar por melhoras, em amplos sentidos.

No entanto, desde o início das campanhas, percebemos a insatisfação da escola, pois eramos um grupo de alunos, que lutávamos pelo que acreditávamos e para decepção da mesma, ganhamos a eleição.

E foi assim que os problemas começaram. Tínhamos projetos culturais, pedagógicos, esportivos e sociais, que englobava toda escola, e estávamos cientes que tínhamos direito e espaço para realização deles, mas mesmo assim a DIREÇÃO fez com que todos eles não se efetivassem, em outras palavras, cancelaram todos, sempre com desculpas esfarrapadas. 
Desde então, começamos a ouvir muitos depoimentos de alunos e professores, que eram vítimas de agressão/violência injustamente. Esses alunos e educadores, são perseguidos no ambiente escolar, são xingados, são desrespeitados, são oprimidos, não tem voz, e depois de muita luta e muito fracasso, decidi sair da escola.
Mas o que aconteceu no dia 06/06/2018, foi um movimento de muita revolta, os aulos querem voz, a direção os trata como terceiros, insignificantes, eles querem que isso mude, e depois da mesma comunicar que o calendário; foi modificado, sem o consentimento de nenhum representante, eles se revoltaram, e decidiram fazer um protesto pacífico, onde os ânimos se exaltaram, e foi solicitada a força militar, que veio com toda arrogância possível, como se pode constatar no vídeo, e no depoimento da aluna Rafaela, no rádio, e virou uma algazarra, onde a mesma dispensou os alunos com a promessa de voltar no dia seguinte, cujo a qual não aconteceu. 
A escola é conhecida na cidade, como a "melhor escola pública", sendo isso uma farsa, ela vive de fachada, é totalmente opressora, ditadora e agressiva. Creio eu que os funcionários não tem capacidade para exercer tal papel, e a diretoria de ensino deve sim intervir, porque os alunos já estão se mobilizando. Os alunos da escola, vivem em uma ditadura e estão cansados, por isso tal movimento".

 

 

NOTA DA REDAÇÃO: Como pelas regras oficiais, as direções das Escolas Estaduais são impedidas de se manifestarem à imprensa, o JP manteve contato com a Diretoria Regional de Ensino. Em função da diretora do órgão estar em viagem a São Paulo, o contato foi repassado para a Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual da Educação (via e-mail), em São Paulo, com a pauta sobre este assunto. 

A resposta foi a seguinte:

 

"Boa tarde!

A Diretoria de Ensino determinou visita da supervisora de ensino à escola nesta sexta-feira (8) e agendou reunião para a próxima segunda-feira (11) com representantes de classe, dos professores e dos funcionários junto com a gestora para dialogarem sobre questões pertinentes à escola".   

 

 

PS: o espaço do JP permanece aberto para eventuais manifestações

 

 

 

 

 

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