Prefeito Daniel Alonso nega ter mandado moer carne. "Não sei nem o que eu vou comer na janta". E criticou a Cozinha Piloto

June 23, 2018

 

                Prefeito Daniel Alonso em depoimento na CPI da Carne Estragada, nesta quinta-feira

 

Em depoimento de cerca de quarenta minutos na CPI da Carne Estragada, na tarde desta quinta-feira (21), na Câmara Municipal, o prefeito Daniel Alonso (PSDB) negou ter realizado reunião em seu gabinete, com secretários e assessores, para definir sobre moagem de carne na Cozinha Piloto. Declaração nesse sentido havia sido dada à CPI pelo ex-secretário municipal da Educação, Beto Cavallari, na semana passada.

"Isso não cabe ao prefeito, seria até ridículo. Nunca existiu reunião para tratar disso. Moer a carne, picar a carne, servir como bife ou acebolada. Desculpem a ironia, mas nem na minha casa eu decido isso. Não sei nem o que vou comer na janta, quem decide isso em casa é a minha cozinheira", disse o prefeito. 

Ele disse que, quando soube da perda das 7 toneladas de carnes, determinou o imediato descarte dos produtos. "Algumas pessoas até disseram que parte poderia ser reaproveitada, mas para não correr riscos e preservar a qualidade e a propriedade dos alimentos servidos às crianças nas escolas, decidi descartar tudo, diante dos laudos da Vigilância Sanitária".

O prefeito afirmou ainda que foi ele quem acionou a Vigilância Sanitária quando soube do problema com a câmara fria. Falou que o secretário, "assim como todos os demais", tinha plena autonomia "para desenvolver os projetos de gestão. Se houvesse alguma dificuldade, poderia requisitar assessoria".

Com isso, o chefe do Executivo descartou as declarações de Beto Cavallari, que disse que não conseguia tomar algumas decisões porque tudo era centralizado e comandado pelo gabinete do prefeito e pela secretaria da Fazenda.

Sobre a afirmação do ex-secretário, que a carne fora moída para render mais e não ser consumida por professores e servidores das escolas, Daniel Alonso disse que esta foi uma determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). "Teve que ser cumprida".

"É DE DOER PERDER SETE TONELADAS DE CARNES"

O prefeito criticou a forma como o ex-secretário comunicou esta medida aos professores e funcionários da Rede. "Fez por circular. Deveria ter mantido contato direto, verbal com os servidores e explicar as exigência do Tribunal de Contas".

Daniel Alonso disse que sete toneladas de carnes na Cozinha Piloto é uma quantidade normal para o abastecimento das escolas. "Como são 54 mil refeições por dia, isso dá para uma semana. Temos que ter estoques suficientes para servir as escolas. Na recente  greve dos caminhoneiros, por exemplo, não tivemos problemas de abastecimento. Essa gestão vinha de longos anos", comentou.

Ele afirmou que a carne estava sendo estocada para abastecer as escolas durante a jornada especial, que acontece nos meses de janeiro. "Quando assumi a Prefeitura, o estoque na Cozinha Piloto era mais ou menos esse, também".

O prefeito disse que o sistema foi alterado a partir da troca do secretário da Educação, em janeiro deste ano, quando a carne passou a ser entregue diretamente pela empresa fornecedora nas escolas, em quantidades suficientes para uma semana.

"Esse novo sistema, sem passar pela Cozinha Piloto, gerou somente nos primeiros meses deste ano, uma economia de R$ 800 mil reais. É de doer perder sete toneladas de carnes, erros acontecem. Mas preciso destacar também o que economizamos com o novo sistema de gestão", disse Daniel Alonso.

Ele criticou a estrutura da Cozinha Piloto. "Inadmissível que em pleno século XXI tenhamos uma Cozinha Piloto que armazena e manipula alimentos embaixo da arquibancada do estádio, com estrutura precária e infiltrações". 

Perguntado pelo JP sobre se aceitaria uma acareação entre ele e o ex-secretário Beto, na CPI, o prefeito sorriu. "Não precisa isso. Aí vira circo!". 

A CPI da Carne Estragada é formada pelos vereadores Luiz Nardi (PR), Maurício Roberto (PP) e Danilo da Saúde (PSB). Começou em fevereiro e deve ser concluída até setembro próximo. 

Os integrantes da Comissão não têm em pauta a convocação de mais pessoas para depor. O que pode haver é a alguma reconvocação para esclarecer alguns pontos, caso necessário.

O presidente da CPI, Luiz Nardi, disse que a Comissão tem um objetivo concreto: apurar responsabilidades pela perda das sete toneladas de carnes e prejuízos em torno de R$ 160 mil ao cofres públicos. "Não tem o objetivo de punir ninguém. Vamos fazer o relatório e encaminhar ao Ministério Público, que tem maior legitimidade para definir eventuais culpados".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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