PM livra estuprador de ser executado pelo "tribunal do crime", na região

June 29, 2018

 

Após receber denúncia anônima, a Polícia Militar (PM) interrompeu um possível "tribunal do crime" em uma casa do Jardim Ouro Verde, em Bauru, onde um homem acusado de estupro estaria sendo julgado. A abordagem ocorreu na tarde de ontem, durante a operação "Servir e Proteger".

Na residência, localizada na rua Tomaz Bosco, foram encontradas cerca de 15 pessoas, incluindo o suposto estuprador e a vítima, uma mulher de 42 anos. Seis homens foram presos e encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ): V.A.D.S., 18 anos, M.R.S.T., 19 anos, F.A.P., 20 anos, V.G.P.L.M., 21 anos e J.S.F., 26 anos, além do acusado de estupro, C.R.D.M.B.S., 34 anos.

Segundo a PM, a mulher havia registrado boletim de ocorrência na CPJ, relatando ter sido estuprada anteontem à noite, após ser abordada por um desconhecido na avenida Pinheiro Machado. "Ela disse que foi obrigada a entrar no carro dele e que ele a levou a um local ermo, a agrediu e a estuprou, além de subtrair R$ 50,00 e o celular dela. A mulher, inclusive, tem algumas marcas no pescoço", detalha o capitão Gustavo Cardoso Xavier, comandante da Companhia de Força Tática do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I).

Ontem, o acusado, morador do Jardim da Grama, teria sido alertado por vizinhos de que corria no bairro a informação de que ele havia cometido o estupro. Ao tentar se explicar para uma das moradoras, dizendo que teria mantido relações sexuais consensuais com a mulher, o homem foi cercado pela população.

Houve uma tentativa de linchamento e, justamente pela movimentação, um grupo de cinco homens, que seriam traficantes com atuação nas áreas Oeste e Noroeste da cidade, teria decidido levá-lo até a residência do Jardim Ouro Verde, conforme o relato de testemunhas. O dono do imóvel, um dos líderes do tráfico na região, está preso, mas teria participado das decisões sobre o destino do suposto estuprador.

"A informação é de que esta pessoa estava utilizando um celular dentro da prisão", acrescenta o capitão. Três celulares e um tablet que teriam sido utilizados para comunicação com o traficante foram apreendidos e serão submetidos à perícia.

'MANUTENÇÃO DA ORDEM'

O suspeito de estupro teria permanecido sob poder do grupo por cerca de uma hora, até a chegada da PM, por volta das 14h30. Segundo o comandando da Força Tática, ele não chegou a ser torturado no local. "O homem diz que foi agredido somente durante a tentativa de linchamento e que só não ficou mais ferido porque a mãe dele interveio para protegê-lo", acrescenta o capitão Gustavo.

De acordo com ele, o "julgamento" não ocorreu a pedido da mulher, mas sim por iniciativa dos próprios homens presos ontem, sob o pretexto de "manutenção da ordem" de suas áreas de atuação. "Depois, foram chegando mais pessoas no local, mas não ficou demonstrada a participação delas no crime, além dos cinco indivíduos. De qualquer forma, elas foram identificadas e ainda poderão ser chamadas pela Polícia Civil para futuros depoimentos", detalha.

Além dos celulares e do tablet, dois veículos que teriam sido utilizados pelo bando para levar o homem até o imóvel também foram recolhidos. Não houve apreensão de armas de fogo.

Os suspeitos foram ouvidos por uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e ficaram presos. Eles irão responder por sequestro, cárcere privado e constituição de organização para prática de crimes (art. 288-A do Código Penal). Já o acusado de violentar a mulher de 42 anos foi autuado pelo crime de estupro e por furto.

 

 

 

 

 

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